Edição 1 637 - 23/2/2000

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Sociedade

Las Tiazonas

Na Argentina, os símbolos sexuais têm mais
de 40 e são vedetes do teatro de revista

Raul Juste Lores, de Buenos Aires

 
Fotos: Perfil

A mais cobiçada: Graciela Alfano, 48 anos

Nem modelo, nem atriz, nem atriz-e-modelo. Na Argentina, quem arrebata corações e mentes são exuberantes vedetes de seios muito fartos, lábios muito carnudos, formas muito bem torneadas e guarda-roupa à base de plumas, paetês e salto 15. Todas já chegaram aos 40 e todas, sem exceção, mentem a idade. A rainha do momento, Graciela Alfano, eleita a mulher mais sexy do país em pesquisa promovida pelo jornal Clarín, tem 48 anos, mas admite no máximo 43 – de má vontade. "Sou uma lolita", diz Graciela, mãe de três filhos, de 24, 16 e 12 anos. "Sou mais jovem que meus filhos, parei o tempo. Posso ou não posso?", pergunta, com a segurança de quem ainda preenche de maneira impecável qualquer biquíni minúsculo.

Graciela foi garota-propaganda, modelo, fez filmes e novelas, mas só estourou mesmo em dezembro passado, quando pela primeira vez se cobriu, por assim dizer, de plumas, calçou as sandálias de salto agulha e pisou no palco do teatro de revista. Seu espetáculo E o Turco Levou... (alusão ao ex-presidente e admirador Carlos Menem) atraiu 100.000 espectadores no primeiro mês. "Agora, todos me admiram", encanta-se Graciela, que, para manter a forma, já lipoaspirou nádegas e pernas, pôs colágeno nos lábios e 280 centímetros cúbicos de silicone nos seios. "Mexo com a sexualidade dos homens na platéia, não sou uma carmelita descalça. Mas sou uma vedete diferente, com corpo harmonioso. Não uma grandalhona, como outras por aí", gaba-se.

 

A de Menem: Yuyito González, 40 anos

Menem, o fã – O recado tem alvo preciso: Moria Casán, 52 anos, 1,74 metro, considerada a maior vedete argentina em atividade. Seu espetáculo no ano passado, Tetanic, bateu o recorde de um 1 milhão de espectadores. "Moria é a Marilyn Monroe argentina: sensual, provocadora, a número 1. As poltronas tremem quando ela aparece", exagera o produtor Pepe Parada, experiente criador de grandes vedetes. Além de teatro, Moria faz novela e, nas noites de segunda, apresenta ao vivo o mais polêmico e picante talk-show da TV local, A Noite de Moria. Num programa memorável, recebeu o marido, o ex-marido, a filha dela, os filhos deles, numa espécie de catarse familiar em que todos falaram de tudo e Moria, com lágrimas nos olhos, perguntou ao ex: "Querido, onde foi que erramos?". Em outro, convidou a arquiinimiga Graciela Alfano e, entre indiretas e alfinetadas ("Como você se sente por nunca ter emplacado um sucesso?, quis saber Moria. "Você tem de voltar a comer, Moria. Essas suas dietas vão lhe matar", aconselhou Graciela), foram vistas por 6 milhões de argentinos. No final, apoteótico, as duas protagonizaram um muy caliente beijo na boca.

 

A mais escandalosa,  Silvia Süller- 42 anos

Mas a rainha indiscutível da televisão argentina, com um programa diário em horário nobre de concursos e entrevistas, é a ex-vedete Susana Giménez, 58 anos, dona de uma alentada lista de namorados e de uma respeitabilíssima conta bancária. Entre 1974 e 1978, manteve uma tumultuada relação, movida a tapas e pontapés, com o ex-campeão mundial de boxe Carlos Monzón. Vingou-se no ex-marido Huberto Roviralta, de quem cortou o rosto com um bem-lançado cinzeiro. Este, por sua vez, teve sua compensação: embolsou 10 milhões de dólares no divórcio. Muito contribuiu nos últimos anos para a celebridade das vedetes argentinas um de seus mais ardentes fãs, o ex-presidente Menem. A exuberante Yuyito González, 40 anos, 1,80 metro, posou nua para uma revista espanhola sob o título "A amante de Menem", mas desconversa. "Nego-me a envolver um presidente quando falo de vida pessoal. Sou uma mulher muito discreta", diz Yuyito. Mas não é de ferro: no embalo do tal romance, deu dezenas de entrevistas e aproveitou para lançar um disco dançante.

 


A diva, Susana Giménez - 58 anos

A mais popular, Moria Casán - 52 anos

Fórmula antiga – Especialista em escândalos, e assumida, é Silvia Süller, 42 anos, 110 centímetros de busto, a garota terrível do rebolado argentino. "Falo o que todos calam, sou leite fervendo", proclama Silvia, que discorre abertamente sobre a prostituição em seu meio. "Eu mesma só faço sexo se me dão dinheiro ou presentinhos", informa. Suas colegas negam que namorem por interesse. Não precisam disso, afirmam. A fórmula do teatro de revista argentino é a mesma há quarenta anos: um humorista conta piadas, bailarinas fazem topless (às vezes, strip-tease total), um casal dança tango e tcharan – entra a estrela principal, que dança, canta (ou dubla) e "contracena" com homens extasiados da platéia. O espetáculo custa, em média, 300.000 dólares. O ingresso, de 15 a 30 dólares. A estrela leva 10% a 15% da bilheteria. Uma diva do calibre de Moria Casán, só com o megassucesso Tetanic, arrebanhou 1,5 milhão de dólares em um ano. Somem-se a isso os programas de televisão e os contratos de publicidade, e está formado o sonho das jovens argentinas de um dia, quem sabe, virar vedete de teatro de revista.