Sociedade
Las Tiazonas
Na Argentina, os símbolos sexuais
têm mais
de 40 e são vedetes do teatro de revista
Raul Juste Lores, de Buenos Aires
Fotos: Perfil
 |
|
A
mais cobiçada:
Graciela Alfano, 48 anos
|
Nem modelo, nem atriz, nem atriz-e-modelo. Na Argentina,
quem arrebata corações e mentes são
exuberantes vedetes de seios muito fartos, lábios
muito carnudos, formas muito bem torneadas e guarda-roupa
à base de plumas, paetês e salto 15. Todas
já chegaram aos 40 e todas, sem exceção,
mentem a idade. A rainha do momento, Graciela Alfano, eleita
a mulher mais sexy do país em pesquisa promovida
pelo jornal Clarín, tem 48 anos, mas admite
no máximo 43 de má vontade. "Sou uma
lolita", diz Graciela, mãe de três filhos,
de 24, 16 e 12 anos. "Sou mais jovem que meus filhos, parei
o tempo. Posso ou não posso?", pergunta, com a segurança
de quem ainda preenche de maneira impecável qualquer
biquíni minúsculo.
Graciela foi garota-propaganda, modelo, fez filmes e novelas,
mas só estourou mesmo em dezembro passado, quando
pela primeira vez se cobriu, por assim dizer, de plumas,
calçou as sandálias de salto agulha e pisou
no palco do teatro de revista. Seu espetáculo E
o Turco Levou... (alusão ao ex-presidente e admirador
Carlos Menem) atraiu 100.000
espectadores no primeiro mês. "Agora, todos me admiram",
encanta-se Graciela, que, para manter a forma, já
lipoaspirou nádegas e pernas, pôs colágeno
nos lábios e 280 centímetros cúbicos
de silicone nos seios. "Mexo com a sexualidade dos homens
na platéia, não sou uma carmelita descalça.
Mas sou uma vedete diferente, com corpo harmonioso. Não
uma grandalhona, como outras por aí", gaba-se.
 |
|
A
de Menem: Yuyito González,
40 anos
|
Menem, o fã O recado tem alvo preciso:
Moria Casán, 52 anos, 1,74 metro, considerada a maior
vedete argentina em atividade. Seu espetáculo no
ano passado, Tetanic, bateu o recorde de um 1 milhão
de espectadores. "Moria é a Marilyn Monroe argentina:
sensual, provocadora, a número 1. As poltronas tremem
quando ela aparece", exagera o produtor Pepe Parada, experiente
criador de grandes vedetes. Além de teatro, Moria
faz novela e, nas noites de segunda, apresenta ao vivo o
mais polêmico e picante talk-show da TV local, A
Noite de Moria. Num programa memorável, recebeu
o marido, o ex-marido, a filha dela, os filhos deles, numa
espécie de catarse familiar em que todos falaram
de tudo e Moria, com lágrimas nos olhos, perguntou
ao ex: "Querido, onde foi que erramos?". Em outro, convidou
a arquiinimiga Graciela Alfano e, entre indiretas e alfinetadas
("Como você se sente por nunca ter emplacado um sucesso?,
quis saber Moria. "Você tem de voltar a comer, Moria.
Essas suas dietas vão lhe matar", aconselhou Graciela),
foram vistas por 6 milhões de argentinos. No final,
apoteótico, as duas protagonizaram um muy caliente
beijo na boca.
 |
|
A mais
escandalosa,
Silvia Süller- 42 anos
|
Mas a rainha indiscutível da televisão argentina,
com um programa diário em horário nobre de
concursos e entrevistas, é a ex-vedete Susana Giménez,
58 anos, dona de uma alentada lista de namorados e de uma
respeitabilíssima conta bancária. Entre 1974
e 1978, manteve uma tumultuada relação, movida
a tapas e pontapés, com o ex-campeão mundial
de boxe Carlos Monzón. Vingou-se no ex-marido Huberto
Roviralta, de quem cortou o rosto com um bem-lançado
cinzeiro. Este, por sua vez, teve sua compensação:
embolsou 10 milhões de dólares no divórcio.
Muito contribuiu nos últimos anos para a celebridade
das vedetes argentinas um de seus mais ardentes fãs,
o ex-presidente Menem. A exuberante Yuyito González,
40 anos, 1,80 metro, posou nua para uma revista espanhola
sob o título "A amante de Menem", mas desconversa.
"Nego-me a envolver um presidente quando falo de vida pessoal.
Sou uma mulher muito discreta", diz Yuyito. Mas não
é de ferro: no embalo do tal romance, deu dezenas
de entrevistas e aproveitou para lançar um disco
dançante.
|
 |
|
A diva,
Susana Giménez -
58 anos
|
A mais
popular, Moria
Casán - 52 anos
|
Fórmula antiga Especialista em escândalos,
e assumida, é Silvia Süller, 42 anos, 110 centímetros
de busto, a garota terrível do rebolado argentino.
"Falo o que todos calam, sou leite fervendo", proclama Silvia,
que discorre abertamente sobre a prostituição
em seu meio. "Eu mesma só faço sexo se me
dão dinheiro ou presentinhos", informa. Suas colegas
negam que namorem por interesse. Não precisam disso,
afirmam. A fórmula do teatro de revista argentino
é a mesma há quarenta anos: um humorista conta
piadas, bailarinas fazem topless (às vezes, strip-tease
total), um casal dança tango e tcharan entra
a estrela principal, que dança, canta (ou dubla)
e "contracena" com homens extasiados da platéia.
O espetáculo custa, em média, 300.000
dólares. O ingresso, de 15 a 30 dólares. A
estrela leva 10% a 15% da bilheteria. Uma diva do calibre
de Moria Casán, só com o megassucesso Tetanic,
arrebanhou 1,5 milhão de dólares em um ano.
Somem-se a isso os programas de televisão e os contratos
de publicidade, e está formado o sonho das jovens
argentinas de um dia, quem sabe, virar vedete de teatro
de revista.