Edição 1 637 - 23/2/2000

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Israel

Más lembranças

Johannes Rau quebra tabu ao discursar em alemão

O presidente da Alemanha, Johannes Rau, fez na quarta-feira um polêmico discurso diante do Parlamento de Israel. Nada contra o conteúdo. Ele pediu perdão aos judeus pelos crimes dos nazistas e emocionou os presentes com palavras bonitas. O que incomodou muita gente foi a forma. Rau expressou-se em alemão, língua jamais ouvida naquele recinto. Dois deputados abandonaram a sessão e outros nem apareceram. Para muitos dos presentes, que dispensaram os fones com a tradução simultânea, o idioma era tão familiar quanto o passado de perseguição durante o regime nazista. O presidente do Parlamento, Avraham Burg, cujo pai fugiu da Alemanha em 1939, confessa que refletiu muito antes de permitir o uso do alemão. Por fim, concluiu que não se tratava apenas do idioma dos "nazistas e assassinos", mas também da "filosofia e da poesia". "O mais importante não é a língua, mas quem fala e o que diz", explicou Burg. Sua decisão foi facilitada pelo fato de o presidente alemão ser considerado um bom amigo de Israel. A questão parece pueril, mas é dolorosa para muitos sobreviventes do holocausto, que associam a língua alemã aos horrores dos campos de concentração. Não é só na questão da língua. Os israelenses dirigem carros da Volkswagen e realizam manobras militares conjuntas com a Alemanha — mas a música de Richard Wagner, um virulento anti-semita e compositor favorito de Adolf Hitler, é virtualmente banida do país. O discurso em alemão de Rau talvez ajude a sanar velhas feridas.