Israel
Más lembranças
Johannes Rau quebra
tabu ao discursar em alemão
O presidente da Alemanha,
Johannes Rau, fez na quarta-feira um polêmico discurso
diante do Parlamento de Israel. Nada contra o conteúdo.
Ele pediu perdão aos judeus pelos crimes dos nazistas
e emocionou os presentes com palavras bonitas. O que incomodou
muita gente foi a forma. Rau expressou-se em alemão,
língua jamais ouvida naquele recinto. Dois deputados
abandonaram a sessão e outros nem apareceram. Para muitos
dos presentes, que dispensaram os fones com a tradução
simultânea, o idioma era tão familiar quanto o
passado de perseguição durante o regime nazista.
O presidente do Parlamento, Avraham Burg, cujo pai fugiu da
Alemanha em 1939, confessa que refletiu muito antes de permitir
o uso do alemão. Por fim, concluiu que não se
tratava apenas do idioma dos "nazistas e assassinos", mas também
da "filosofia e da poesia". "O mais importante não é
a língua, mas quem fala e o que diz", explicou Burg.
Sua decisão foi facilitada pelo fato de o presidente
alemão ser considerado um bom amigo de Israel. A questão
parece pueril, mas é dolorosa para muitos sobreviventes
do holocausto, que associam a língua alemã aos
horrores dos campos de concentração. Não
é só na questão da língua. Os israelenses
dirigem carros da Volkswagen e realizam manobras militares conjuntas
com a Alemanha mas a música de Richard Wagner,
um virulento anti-semita e compositor favorito de Adolf Hitler,
é virtualmente banida do país. O discurso em alemão
de Rau talvez ajude a sanar velhas feridas.