Estados
Em estado de graça
Lucila Soares
IBGE descobre que a indústria do Espírito
Santo cresceu mais do que a média brasileira
O Espírito Santo está longe de ser conhecido
pelo poderio de sua economia. Ao contrário, sempre foi
uma espécie de primo pobre do Sudeste. Sob o ponto de
vista do desenvolvimento econômico, era como um naco do
Nordeste incrustado numa região onde reluzem São
Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mas foi justamente esse
Estado, do qual o país só tem ouvido falar em
momentos de crise como a que derrubou Élcio Álvares
do Ministério da Defesa , que apresentou o melhor
desempenho industrial em 1999. Segundo o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística, IBGE, a produção
industrial do Espírito Santo cresceu 9% no ano passado,
em relação a 1998. Um resultado e tanto se comparado
com a queda de quase 1% registrada pela indústria brasileira.
No confronto com São Paulo, cuja indústria encolheu
4,2%, o desempenho capixaba fica ainda mais brilhante.
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A descoberta do Espírito Santo foi feita pelo IBGE,
que decidiu medir o desempenho da indústria do Estado
somente no ano passado. Os técnicos ficaram tão
espantados com os números que começaram a fazer
um trabalho retrospectivo. Revelou-se, então, que entre
1990 e 1999 a indústria capixaba cresceu 30,1%, quase
o dobro da média brasileira. "O Espírito Santo
é o último grande segredo do Brasil", ironiza
José Carlos da Fonseca, secretário estadual da
Fazenda.
Um estudo da Federação das Indústrias
do Espírito Santo mostra que o crescimento do ano passado
não foi episódico. Ele segue uma tendência
de aquecimento econômico. No segundo semestre de 1999,
os indicadores de vendas, emprego e produção foram
positivos. Para esse resultado contribuíram tanto as
grandes empresas que são símbolo do Estado, como
a Companhia Siderúrgica de Tubarão, CST, e a Aracruz
Celulose, quanto setores como o têxtil, o das confecções
e o calçadista, formados por centenas de pequenas e médias
empresas. A produção da indústria têxtil
cresceu 49% de janeiro a novembro de 1999, enquanto a média
no país foi de modestos 2,2%.
O segredo do Espírito Santo? Bem, o Estado tem a economia
direcionada para a exportação. Desde o final do
século XIX, quando se montou ali o complexo cafeeiro-portuário,
o Espírito Santo vive voltado para o exterior. Hoje vende
aço, papel e celulose, tem um porto moderno e, desde
a desvalorização do real, em janeiro do ano passado,
vende também suas roupas e sapatos para estrangeiros.
"Somos os precursores da globalização", diz o
governador José Ignacio Ferreira, para quem, é
claro, Vitória é a capital do mundo. Mas, exageros
à parte, o Espírito Santo é, de fato, uma
grata revelação. E a descoberta levanta outra
questão interessante. Se somente no ano passado o IBGE
decidiu pesquisar o desempenho industrial de um Estado que não
é assim tão apagado, imagine o que há para
ser conhecido pelos sertões brasileiros, áreas
pouco valorizadas pelos observadores acostumados a medir a economia
pelos indicadores dos centros tradicionais que foram sucesso
no passado, mas hoje estão estagnados ou em franca decadência.
Os números verdadeiros do Brasil, sem dúvida,
ainda são um segredo para os brasileiros.
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