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23 de janeiro de 2008
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CINEMA

Divulgação

Gabe Nevins, como um jovem suspeito de homicídio, em Paranoid Park: olhar desolador sobre a solidão


Paranoid Park
(Estados Unidos/França, 2007. Estréia nesta sexta-feira no país) – Nenhum outro cineasta tem se debruçado com tanto instinto, compreensão e perspicácia sobre os dilemas da adolescência e juventude quanto o americano Gus Van Sant. Depois da obra-prima Elefante, em que traçou um cenário fictício para o massacre real da escola de Columbine, e de Últimos Dias, em que imaginou o tumulto íntimo que teria precedido o suicídio do roqueiro Kurt Cobain, o diretor desenha um outro cenário desolador em Paranoid Park – nome de uma pista de skate freqüentada por rebeldes em geral em Portland, no estado de Oregon. Alex (Gabe Nevins) já foi lá algumas vezes; pode ou não ser coincidência, então, que a polícia o interrogue a respeito do assassinato de um segurança nos trilhos de trem próximos ao local. Seja qual for sua ligação com o fato, a experiência é desestabilizadora para um garoto de 16 anos que não tem com quem dividi-la. Os pais de Alex estão se divorciando; seu irmão mais novo está desmoronando com a separação; ele não tem nenhuma afinidade com a namorada. Van Sant disseca o isolamento e a confusão de Alex não apenas nos aspectos mais experimentais do filme, que mistura várias películas diferentes, mas na própria fisionomia de Gabe Nevins, ainda indecisa entre a infância e a maturidade. É de partir o coração.

 

LIVROS

Universo Elétrico, de David Bodanis (tradução de Paulo Cezar Castanheira; Record; 294 páginas; 44 reais) – Ex-professor de história da prestigiosa Universidade Oxford, na Inglaterra, o americano David Bodanis hoje se dedica a saborosos livros de divulgação científica, como esse Universo Elétrico, uma bela síntese histórica das pesquisas sobre eletricidade. Seu trajeto vai do italiano Alessandro Volta, que inventou a pilha no século XVIII, aos dias de hoje. Na introdução, o autor especula sobre o que ocorreria se toda a eletricidade da Terra simplesmente se apagasse – uma dissolução geral da matéria, já que as forças elétricas mantêm as moléculas unidas. É uma maneira muito eficaz de demonstrar a importância do tema, que ele apresenta com clareza e humor. Leia trecho.

No Inferno, de George Pelecanos (tradução de Beth Vieira; Companhia das Letras; 360 páginas; 43 reais) – A agência de investigação do detetive Derek Strange – personagem costumeiro dos livros de Pelecanos – é contratada para descobrir o paradeiro de uma adolescente que fugiu de casa e se perdeu no submundo da prostituição em Washington. No meio da investigação, porém, um garoto do time de futebol americano organizado por Strange é brutalmente assassinado, e o detetive, tomado de culpa e desejo de vingança, sai em busca do criminoso. Pelecanos conquistou seu lugar entre os melhores autores policiais contemporâneos com tramas complexas, que incursionam por temas políticos. No Inferno segue a receita, com um enredo pontuado por tensões raciais e sociais. Leia trecho.

 

DISCOS

Live at B.B. King Blues Club, The Yardbirds (Azul Music) – O grupo inglês teve em sua formação três dos maiores guitarristas da história – Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page. Mas sua trajetória não se resume a esses instrumentistas. Os Yardbirds foram um dos maiores destaques do rock inglês dos anos 60, tanto nas releituras que faziam de clássicos do blues americano quanto em composições próprias. No início da década, eles voltaram à ativa com dois integrantes da formação original – o guitarrista Chris Dreja e o baterista Jim McCarty – e três jovens músicos. Live é o registro de uma apresentação do grupo na casa noturna do bluesman B.B. King, em Nova York. Traz hits dos Yardbirds e uma versão incendiária de Dazed and Confused, canção que ficou célebre na interpretação do Led Zeppelin. O rapazola Ben King, guitarrista de 24 anos, honra o posto que já foi de Clapton, Beck e Page.

Colecionador

Durante as décadas de 50 e 60 – e avançando pelas duas seguintes –, o simpático, engenhoso e infinitamente paciente Ray Harryhausen foi, sozinho, todo um setor da indústria de efeitos especiais. Mestre da stop motion, técnica em que bonecos são fotografados quadro a quadro, com minúsculas alterações de um para outro, a fim de obter fluidez no movimento, Harryhausen proporcionou momentos de grande excitação às platéias ávidas por monstros e extraterrestres. Agora, a Sony lança em DVDs duplos, repletos de extras, três de seus trabalhos mais representativos (todos eles, aliás, raridades). Em O Monstro do Mar Revolto, de 1955, um polvo radioativo ataca um submarino, só para começar. A Invasão dos Discos Voadores, de 1956, está explicado no próprio título: alienígenas chegam em naves que voam com grande elegância – graças ao artista, é claro – e instauram o caos. A estrela do pacote, porém, é A 20 Milhões de Milhas da Terra, de 1957, em que uma espécie de lagartixa vinda de Vênus se agiganta, quebra suas correntes, luta com um elefante numa seqüência exímia e causa danos consideráveis ao Coliseu. Todas são produções baratas, com atores canastrões, o que lhes dá um certo charme trash. E em todas também Harryhausen, hoje com 87 anos, mostra o seu gênio em cenas às vezes até poéticas, como aquela em que a pequena lagartixa abre pela primeira vez os olhos para a luz.

 

 

 
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Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Fnac; Campinas: Laselva, Fnac; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva, Fnac; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Navegantes: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Ribeirão Preto: Paraler; Rio de Janeiro: Laselva, Saraiva, Travessa; Salvador: Saraiva; São Paulo: Cultura, Laselva, Livraria da Vila, Saraiva, Martins Fontes, Fnac; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Submarino.




 

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