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Televisão O apresentador já
reinou nos domingos da TV.
No último domingo, a Globo exibiu uma versão pré-gravada do programa de Faustão. Na Record, o humorístico de Tom Cavalcante também teve apenas esquetes reprisados. Como é praxe na televisão, os dois artistas aproveitaram o período morno para curtir umas férias. Só Gugu Liberato pegou no batente. Havia tempos que o apresentador do SBT não explorava um repertório tão popularesco. O Domingo Legal abordou o drama de uma jovem que teve seu couro cabeludo arrancado por um trator. Também narrou a história de um rapaz que perdeu a perna num acidente. Gugu em pessoa conduziu, ainda, sua maior atração: o quadro De Volta para Minha Terra, que banca a viagem de uma pessoa humilde a seu lugar de origem. O apresentador suou a camisa em vão. Na média geral na Grande São Paulo, amargou o terceiro lugar em audiência. Perdeu para a edição "fria", como se diz no jargão da TV, do Domingão do Faustão. Perdeu para a reprise do Show do Tom. O golpe de misericórdia veio do Domingo Espetacular, também da Record, que impôs a Gugu uma derrota com seu próprio veneno: um quadro igualzinho ao De Volta para Minha Terra. O revés evidencia a situação periclitante de Gugu. O homem que há sete anos reinava na TV aos domingos e um dia foi considerado o sucessor de Silvio Santos agora sente o gosto ruim do terceiro lugar. Gugu ostentava uma audiência média de 22 pontos nos tempos áureos. Hoje, patina em torno dos 10. Só muito de vez em quando causa algum estrago à Globo. Em 2007, foram três ocasiões em que o Domingo Legal ficou por alguns minutos em primeiro no ibope. Em vez de lutar pela liderança, Gugu tenta mesmo é se segurar ante os ataques da Record. Em dezembro, pela primeira vez a concorrente desbancou o SBT na medição nacional do Ibope aos domingos, que sempre foram um bastião da emissora. Gugu, claro, é o alvo principal. Aliás, dizer que a Record fez um quadro à imagem e semelhança do De Volta para Minha Terra é só metade da história. Ela tirou da equipe de Gugu o repórter que comandava a atração, Fabio Marcos. Em 2003, a reputação de Gugu foi para o ralo com a exibição de uma reportagem fajuta sobre a facção criminosa PCC. Embora o escândalo tenha sido devastador, houve tempo, desde então, para uma recuperação. Nos últimos anos, contudo, o perfil das domingueiras mudou. As atrações na linha "o povo na TV" deram lugar ao humor e ao entretenimento leve. Faustão se adaptou aos novos ares bem ou mal, encontrou uma peça de resistência nos concursos de "dança com as estrelas". Em 2006, depois de uma longa negociação contratual com o patrão, Silvio Santos (que reduziu seu salário de 1,5 milhão para 500 000 reais mensais), Gugu bem que tentou dar uma sacudida. Reformulou o cenário de seu programa e, no afã de limpar sua imagem, abraçou o assistencialismo. Ele distribui prêmios que vão da cesta básica ao salão de beleza completo. Mas a receita não entusiasma. "Aos domingos, as pessoas querem diversão, não um Bolsa Família na TV ", diz o publicitário Sérgio Amado. Tão grave quanto a queda no ibope é que seu programa deixou de repercutir. Toda segunda, fala-se das tiradas do Pânico na TV, da RedeTV!. Ninguém se lembra de Gugu. "Isso prenuncia o fim do ciclo de vida de qualquer produto", diz o também publicitário Daniel Chalfon. Gugu quer contra-atacar. Tanto que anuncia novidades para breve. Mas qualquer esforço esbarra também na desorganização e na falta de rumo do SBT. As inconstâncias de Silvio Santos têm sido fatais para a emissora no confronto com a Record. E estão arrastando o Domingo Legal de roldão. Gugu não terá férias tão cedo.
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