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23 de janeiro de 2008
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Internacional
Para evitar o pior

Sem o consenso dos economistas sobre se haverá
ou não recessão nos Estados Unidos, Bush anuncia
plano de incentivo ao consumo


Thomaz Favaro

Saul Loeb/AFP
Bernanke: para ele, a economia vai crescer menos, mas não haverá recessão

O ano mal começou e já tem um mistério a ser desvendado: a economia americana está ou não entrando em recessão? A divulgação, no início do mês, do aumento na taxa de desemprego nos Estados Unidos, a maior dos últimos dois anos, desencadeou uma avalanche de previsões pessimistas, incluindo as de três dos mais prestigiados bancos de investimentos internacionais. Na quinta-feira passada, quando o presidente do Federal Reserve (o banco central americano), Ben Bernanke, reconheceu que a economia americana deve crescer menos em 2008, comparado aos anos anteriores, a Bolsa de Nova York caiu 2,46%, puxando para baixo os principais mercados financeiros do mundo. Para afastar o risco de recessão, o Federal Reserve vinha fazendo seguidos cortes na taxa de juro desde setembro, mas eles se revelaram insuficientes para acalmar os investidores. Nem todos vêem o futuro com igual preocupação. Muitos economistas enxergam sinais de esperança no desempenho econômico do país. Os otimistas citam o fato de que o dólar em baixa aumentou o volume de exportações americanas e o setor agrícola aproveita a alta do preço de seus produtos no mercado internacional. Pelo sim, pelo não, o presidente George W. Bush anunciou na sexta-feira passada as linhas gerais de um pacote para salvar a economia americana de uma possível retração no crescimento. O plano de 140 bilhões de dólares, que ainda será detalhado pelo Congresso, deverá representar cerca de 1% do PIB em diminuição de impostos para consumidores e incentivos fiscais para empresas americanas. "Se colocado em prática imediatamente, o plano pode ter efeitos benéficos, mas só a curto prazo, devido ao tamanho da economia dos EUA", disse a VEJA o economista americano Vincent Reinhart, ex-membro da equipe de Ben Bernanke no Federal Reserve.

A economia e a possível recessão passaram a dominar os debates das primárias republicanas e democratas – o longo processo partidário de escolha dos candidatos que disputarão as eleições presidenciais, em novembro. Na semana passada, o republicano Mitt Romney venceu as primárias em Michigan prometendo proteger o estado da perda de empregos causada pela crise na indústria automobilística. Praticamente todos os outros pré-candidatos também divulgaram seus palpites infalíveis para evitar uma recessão. Eles são justamente os únicos que nada podem fazer a respeito, já que o eleito só vai assumir a Presidência em 2009. Os sinais de que a recessão ronda a maior economia do mundo são resultado principalmente da crise no mercado imobiliário que começou em 2007, levando à falta de crédito e ao aumento no desemprego e na insegurança do mercado financeiro dos Estados Unidos. Dois grandes bancos, o Citibank e o Merrill Lynch, saíram em busca de ajuda para conter prejuízos bilionários provocados pela crise no mercado de crédito imobiliário americano.

Curiosamente, foram as economias emergentes – os países asiáticos em rápido crescimento e os árabes, fortalecidos pela alta do petróleo – que socorreram os bancos, comprando 20 bilhões de dólares em ações. O risco é de que a desvalorização dos imóveis nos Estados Unidos, somada ao aumento no preço da energia (leia-se petróleo, que já atingiu a marca de 100 dólares o barril), provoque queda no consumo. Os consumidores representam 70% da economia americana. Alguns estados já sofrem os efeitos da contração econômica. Na Califórnia e na Flórida, as vendas no mercado imobiliário caíram mais de 30% em novembro passado, em relação ao ano anterior. O ritmo de criação de empregos diminuiu. Os dois estados têm enorme peso nas previsões nacionais: se a Califórnia fosse um país, seria a oitava economia do mundo. "Tecnicamente, uma recessão só existe em nível nacional, mas, dado o tamanho da economia californiana, pode-se dizer que já estamos numa recessão regional", disse a VEJA Edward Leamer, diretor do centro de previsões econômicas Anderson Forecast, da Universidade da Califórnia. Nos Estados Unidos, é o Bureau Nacional de Pesquisa Econômica, organização de economistas independentes, que decide se o país está ou não em recessão, com base em cálculos complexos. O mistério do ano, portanto, se haverá retração da economia ou não, só será solucionado depois que a crise, ou a ausência dela, já tiver passado.

 

Os candidatos e seus planos contra a recessão

BARACK OBAMA

O democrata pretende estimular o consumo com uma redução de 250 dólares nos impostos pagos por americano. Esse valor pode dobrar se a primeira medida não produzir crescimento econômico imediato. Seus planos incluem fundos de auxílio a estados com problemas orçamentários.

Fotos Steve Marcus/Reuters, Ethan Miller
AFP, Doug Mills/The New York Times,
John Gress/Reuters

HILLARY CLINTON

Quer estimular a economia com 70 bilhões de dólares em auxílio-moradia, seguro-desemprego e subsídios para calefação doméstica e projetos ambientais. Caso isso se mostrar insuficiente, ela recorreria a uma redução de 40 bilhões nos impostos pagos pela classe média.

MITT ROMNEY

O republicano apóia o pacote econômico do presidente George W. Bush. Mas defende maior redução nos impostos sobre a renda e na tributação das empresas. Está em seus planos aumentar para 20 bilhões de dólares os investimentos em pesquisa energética, materiais científicos, tecnologia automotiva e de combustíveis.



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