Edição 1 629 -22/12/1999

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Ancelmo Gois

Jean/Folha de São Paulo

ECONOMIA

Mãozinha

No mundo inteiro foi um ano difícil para a Coca-Cola. Aqui não foi diferente. Mas o braço brasileiro da empresa vai ter de suar a garrafa para mandar a Atlanta cerca de 200 milhões de dólares. O dinheiro sai vestido de remessa de lucro.  

Brasil go home

A fuga de empresas multinacionais da Argentina para o Brasil, atraídas por um câmbio camarada, pode entornar o caldo. Agora, a General Motors e a Renault é que anunciam planos de mudar de lado. O presidente Fernando de la Rúa mandou dizer que está difícil segurar a hostilidade antibrasileira.
 

Brasil go home II

O empresário Jorge Paulo Lemann está tendo de dançar um tango para concretizar a compra da ferrovia argentina Mesopotâmia. Os sindicatos se rebelam contra as demissões de ferroviários. O Senado acaba de fazer uma recomendação ao governo para cancelar o negócio. O clima é nervoso.
 

Atritos

Armínio Fraga precisa aparar arestas na diretoria do Banco Central. Tem diretor que até ganhou apelido de "bug do milênio" – pelo potencial de atritos que gera.

Assédio

O holandês ING está assediando um banco nacional de bom porte.
 

A história oficial

Foi o banqueiro Lázaro Brandão quem jogou água no champanhe da Arbed – que por pouco, pouco não assumiu o controle da CSN e que, por tabela, influenciaria na Vale do Rio Doce. O grupo, com sede em Luxemburgo, acertou a compra da parte de Benjamin Steinbruch. Mas precisava cooptar a simpatia dos outros sócios (Previ e Bradesco). Com a Previ, a conversa sempre foi difícil. Fiel da balança, Lázaro Brandão, com quem Steinbruch sempre jogou de mãos dadas, resolveu na hora H pisar no freio. Zerou o jogo.

Telefone grampeado

Quem vê o sorriso nos anúncios de Deborah Secco, Adriane Galisteu e Letícia Spiller nem desconfia. Mas azedou o clima entre os três sócios da Intelig. Eles temem que a americana Sprint, que é sócia minoritária com 25%, faça espionagem para a concorrente Embratel. A confusão é porque, no meio do jogo, a Sprint resolveu fundir-se lá fora com a MCI – dona da Embratel.
 

A estrela sobe

A história de sucesso de Deborah Wright, 42 anos, no comando da Parmalat no Brasil atrai caçadores de executivos de outras empresas que estão interessados em comprar o passe da moça.

 

POLÍTICA

Tempos de cólera

No ano passado, cada paulista pagou 3.023 reais de imposto. A maior parte foi para Brasília. Já o contribuinte baiano desembolsou 519 reais. O dado recém-apurado fez o humor do governador Mário Covas descarrilar de vez com as críticas do senador Antonio Carlos Magalhães sobre suposto favorecimento do Palácio do Planalto a São Paulo.

Fofoca no ar

Já arrumaram uma desculpa para o fracasso do lançamento do satélite Saci-2. Segundo a versão que tem todo o jeito de paranóia, mas é aceita até por gente da Aeronáutica, pode ter havido sabotagem. Esse gênero de desconfiança não é privilégio caboclo. Quando a França entrou nesse mercado de satélite comercial – que movimenta cerca de 15 bilhões de dólares por ano – , armou uma rede de proteção militar gigante em torno da base da Guiana Francesa. Isso não impediu, entretanto, que um dia desses o Ariane 5 explodisse e com ele 8 bilhões de dólares da mais moderna tecnologia espacial européia.
 

Jeitinho

Tem hora em que o país parece o personagem do livro O Leopardo, de Tomasi di Lampedusa, que dizia algo como "é preciso andar para não sair do lugar". Acabaram os juízes classistas. Mas a economia não será tão grande assim. No Tribunal Superior do Trabalho, os 230 funcionários que trabalhavam com os classistas foram remanejados para os gabinetes dos ministros togados. O exemplo de cima deve espalhar-se pelos tribunais regionais.

O outro lado

Eduardo Cunha, presidente da Telerj no governo Collor, escreve para dizer que assumiu o cargo por indicação do então senador Hydekel Freitas e que não está montando uma rede de rádio em apoio a Garotinho.
 

Forra

O senador Alvaro Dias tentou emplacar o ex-deputado Hélio Duque no conselho de administração da Petrobras. Não conseguiu. Foi à forra. É o autor do projeto que impede a venda de ações ordinárias da estatal – o que fez o preço do papel cair 4,2% em um dia.
 

Dor presidencial

O presidente Fernando Henrique Cardoso anda puxando ligeiramente da perna esquerda. Aos amigos, assegura que não é nada. Mas quem o conhece sabe que ele esconde o velho problema da coluna, que está se agravando.  

BUG

Gente fina

Os endinheirados de Malibu, o bairro chique de Los Angeles, receberam da prefeitura uma bula com dicas para enfrentar o Bug do Milênio. Recomenda, por exemplo, regar o jardim na véspera ou deixar a banheira cheia – para o caso de colapso no sistema de água. Há ainda uma sugestão inusitada: o melhor remédio para não ser pego numa pane bancária é ter em casa, em espécie, 10.000 dólares. Deve ser um dinheirinho para despesas miúdas.

 

Próxima atração

Ufa! Ficou pronto Chatô – O Rei do Brasil, filme de Guilherme Fontes. Faltam apenas o trailer e pequenos detalhes. Satanizado pela velha-guarda do cinema local, o dublê de ator e diretor chegou a ser chamado de aventureiro por colegas. Fontes terminou gastando 7,5 milhões de reais – dinheiro do contribuinte captado com isenção fiscal. Se o governo não tivesse arrochado, o filme iria bater na casa dos 12 milhões.

Foto: André Lobo