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Ancelmo Gois
Jean/Folha de São
Paulo

ECONOMIA
Mãozinha
No mundo inteiro
foi um ano difícil para a Coca-Cola. Aqui não
foi diferente. Mas o braço brasileiro da empresa
vai ter de suar a garrafa para mandar a Atlanta cerca de
200 milhões de dólares. O dinheiro sai vestido
de remessa de lucro.
Brasil go home
A fuga de empresas
multinacionais da Argentina para o Brasil, atraídas
por um câmbio camarada, pode entornar o caldo. Agora,
a General Motors e a Renault é que anunciam planos
de mudar de lado. O presidente Fernando de la Rúa mandou
dizer que está difícil segurar a hostilidade
antibrasileira.
Brasil go home
II
O empresário
Jorge Paulo Lemann está tendo de dançar um tango
para concretizar a compra da ferrovia argentina Mesopotâmia.
Os sindicatos se rebelam contra as demissões de ferroviários.
O Senado acaba de fazer uma recomendação ao
governo para cancelar o negócio. O clima é nervoso.
Atritos
Armínio Fraga
precisa aparar arestas na diretoria do Banco Central. Tem
diretor que até ganhou apelido de "bug do milênio"
pelo potencial de atritos que gera.
Assédio
O holandês
ING está assediando um banco nacional de bom porte.
A história
oficial
Foi o banqueiro
Lázaro Brandão quem jogou água no champanhe
da Arbed que por pouco, pouco não assumiu o controle
da CSN e que, por tabela, influenciaria na Vale do Rio Doce.
O grupo, com sede em Luxemburgo, acertou a compra da parte
de Benjamin Steinbruch. Mas precisava cooptar a simpatia
dos outros sócios (Previ e Bradesco). Com a Previ,
a conversa sempre foi difícil. Fiel da balança,
Lázaro Brandão, com quem Steinbruch sempre
jogou de mãos dadas, resolveu na hora H pisar no
freio. Zerou o jogo.
Telefone grampeado
Quem vê o
sorriso nos anúncios de Deborah Secco, Adriane Galisteu
e Letícia Spiller nem desconfia. Mas azedou o clima
entre os três sócios da Intelig. Eles temem que
a americana Sprint, que é sócia minoritária
com 25%, faça espionagem para a concorrente Embratel.
A confusão é porque, no meio do jogo, a Sprint
resolveu fundir-se lá fora com a MCI dona da Embratel.
A estrela sobe
A história de sucesso
de Deborah Wright, 42 anos, no comando da Parmalat no Brasil atrai
caçadores de executivos de outras empresas que estão
interessados em comprar o passe da moça.
POLÍTICA
Tempos de cólera
No ano passado,
cada paulista pagou 3.023
reais de imposto. A maior parte foi para Brasília.
Já o contribuinte baiano desembolsou 519 reais. O
dado recém-apurado fez o humor do governador Mário
Covas descarrilar de vez com as críticas do senador
Antonio Carlos Magalhães sobre suposto favorecimento
do Palácio do Planalto a São Paulo.
Fofoca no ar
Já arrumaram
uma desculpa para o fracasso do lançamento do satélite
Saci-2. Segundo a versão que tem todo o jeito de paranóia,
mas é aceita até por gente da Aeronáutica,
pode ter havido sabotagem. Esse gênero de desconfiança
não é privilégio caboclo. Quando a França
entrou nesse mercado de satélite comercial que movimenta
cerca de 15 bilhões de dólares por ano , armou
uma rede de proteção militar gigante em torno
da base da Guiana Francesa. Isso não impediu, entretanto,
que um dia desses o Ariane 5 explodisse e com ele 8 bilhões
de dólares da mais moderna tecnologia espacial européia.
Jeitinho
Tem hora em que
o país parece o personagem do livro
O Leopardo,
de Tomasi di Lampedusa, que dizia algo como "é preciso
andar para não sair do lugar". Acabaram os juízes
classistas. Mas a economia não será tão
grande assim. No Tribunal Superior do Trabalho, os 230 funcionários
que trabalhavam com os classistas foram remanejados para
os gabinetes dos ministros togados. O exemplo de cima deve
espalhar-se pelos tribunais regionais.
O outro lado
Eduardo Cunha,
presidente da Telerj no governo Collor, escreve para dizer
que assumiu o cargo por indicação do então
senador Hydekel Freitas e que não está montando
uma rede de rádio em apoio a Garotinho.
Forra
O senador Alvaro
Dias tentou emplacar o ex-deputado Hélio Duque no conselho
de administração da Petrobras. Não conseguiu.
Foi à forra. É o autor do projeto que impede
a venda de ações ordinárias da estatal
o que fez o preço do papel cair 4,2% em um dia.
Dor presidencial
O presidente Fernando
Henrique Cardoso anda puxando ligeiramente da perna esquerda.
Aos amigos, assegura que não é nada. Mas quem o
conhece sabe que ele esconde o velho problema da coluna, que está
se agravando.
BUG
Gente fina
Os endinheirados
de Malibu, o bairro chique de Los Angeles, receberam da prefeitura
uma bula com dicas para enfrentar o Bug do Milênio.
Recomenda, por exemplo, regar o jardim na véspera ou
deixar a banheira cheia para o caso de colapso no sistema
de água. Há ainda uma sugestão inusitada:
o melhor remédio para não ser pego numa pane
bancária é ter em casa, em espécie, 10.000
dólares. Deve ser um dinheirinho para despesas miúdas.
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Próxima
atração
Ufa!
Ficou pronto Chatô O Rei do Brasil,
filme de Guilherme Fontes. Faltam apenas o trailer e pequenos
detalhes. Satanizado pela velha-guarda do cinema local,
o dublê de ator e diretor chegou a ser chamado de
aventureiro por colegas. Fontes terminou gastando 7,5 milhões
de reais dinheiro do contribuinte captado com isenção
fiscal. Se o governo não tivesse arrochado, o filme
iria bater na casa dos 12 milhões.
Foto: André Lobo
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