| |
Piratas do barulho
Em
fábrica de CDs falsos, polícia encontra
a pista de negócio de 40 milhões de cópias
Fabio Schivartche
Antonio Milena
 |
|
Indústria
clandestina:
polícia encontra 27
000 CDs
num casebre paulista
|
O
CD pirata é a pedra no sapato da indústria fonográfica.
Com menos de 3.000
reais, qualquer pessoa compra um computador para regravar um disco.
Fábricas clandestinas, muitas delas instaladas no Paraguai
ou em Taiwan, produzem milhares de títulos, vendidos por
camelôs a 5 reais. Nas lojas, o CD original, que pagou impostos
e direitos autorais, custa acima de 20 reais. Na semana passada,
a polícia paulista marcou um tento contra os falsários,
ao desbaratar o maior laboratório clandestino de regravação
já descoberto no país. Em um casebre no centro da
capital, grossas portas de aço escondiam um aparato tecnológico
de última geração capaz de reproduzir 58
CDs por vez. Com toda a parafernália, a produção
poderia chegar a 5.000
CDs por dia. Dos 27.461
discos encontrados, a maioria era de cópias de CDs do grupo
de pagode Só Pra Contrariar, do padre Marcelo Rossi, dos
sertanejos Leonardo e Roberta Miranda e do romântico Daniel
artistas que estão entre os mais pirateados do país.
O prejuízo
da indústria com a pirataria chega a 300 milhões
de dólares por ano, conforme a Associação
Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos do Brasil.
Na segunda-feira 13, o presidente Fernando Henrique Cardoso
anunciou o início da produção de um selo
holográfico que deverá ser colado nas caixas dos
discos. A identificação visual não é,
no entanto, a arma mais eficaz contra a pirataria. Ninguém
é enganado ao comprar um CD fajuto: o preço costuma
ser bem menor que o de um original e no encarte, de pior qualidade
gráfica, não consta o código de barras
ou o CGC da gravadora. Para cada dez CDs legítimos, calcula-se,
há quatro ilegais. Dos estimados 40 milhões de
discos piratas produzidos em 1999, apenas 1,3 milhão
foi apreendido. O Brasil demorou para criar sua entidade de
defesa da indústria fonográfica em 1995.
O Paraguai postergou a sua ainda mais. Logo, não é
de surpreender que 25% dos CDs e fitas cassete piratas vendidos
por aqui venham de lá. Em julho e novembro deste ano,
duas fábricas foram descobertas em Ciudad del Este, do
lado paraguaio da Ponte da Amizade. Juntas, podiam produzir
140.000
CDs por dia. É só a ponta do iceberg.
|
O
sucesso dos PCs Frankenstein
A abertura
da economia brasileira não foi suficiente para
colocar ordem no negócio de computadores. De cada
dez PCs vendidos no primeiro semestre, seis foram contrabandeados
ou tiveram o imposto sonegado. São números
enormes, comparáveis aos da China e da Rússia,
países líderes no ramo da pirataria. Um
estudo feito pelo escritório brasileiro da consultoria
internacional IDC concluiu que a maioria desses equipamentos
é vendida para uso doméstico. Mas três
em cada dez acabam em órgãos do governo,
que se deixam ludibriar com notas frias ou por empresas
fantasmas. É fácil entender a preferência
pelo equipamento montado no fundo do quintal, o PC Frankenstein:
o preço é em média 30% menor que
o de marcas conhecidas. Os grandes fabricantes não
conseguem vender tão barato. A tributação
sobre a importação de componentes de informática
pode ultrapassar 50%.
Os
componentes contrabandeados vêm de Miami, do Paraguai
ou diretamente da China, onde são fabricados.
Chegam ao Brasil de navio ou de avião. Apenas
25% da carga, escolhida por amostragem como acontece
com os passageiros nos aeroportos, é fiscalizada
pela Receita Federal. Exceto pelo preço, o PC
ilegal só tem desvantagens. Pode ter sido montado
com peças de segunda mão ou defeituosas
e não há para quem reclamar. Como
mostra o tamanho do mercado clandestino de PCs, a maioria
ainda prefere pagar pra ver.
Paula
Pacheco
|
|
|