Fotos: Claudio Rossi
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| Edifício ocupado em São
Paulo e a sem- teto Antônia, ao lado dos filhos: "Se
despejar, a gente vai para outro" |
O planejamento pode consumir meses, mas o ataque é rápido.
Definido o alvo, em geral um edifício comercial abandonado
localizado numa região central da cidade grande, o Movimento
dos Sem-Teto faz a invasão em alguns minutos, normalmente
à noite, com algo entre 100 e 200 famílias. No
dia seguinte, eles informam às autoridades a disposição
de deixar o prédio caso recebam um lugar para morar.
O comportamento dos sem-teto é praticamente igual ao
dos sem-terra, tanto no discurso quanto na ação.
As bandeiras que usam são vermelhas, os gritos de guerra
falam em trotskismo, maoísmo e marxismo e o objeto de
ataque é quase sempre um imóvel improdutivo. Há
mais um ponto de semelhança com o MST rural. As estatísticas
apontam que nos últimos tempos o número de invasões
patrocinadas pelo MST urbano aumentou significativamente. No
decorrer de 1999 ocorreram vinte na capital paulista, dez no
Rio de Janeiro e outra dezena em Belo Horizonte e no Recife.
No total, contam-se mais de 100 invasões. Para efeito
de comparação, registraram-se quarenta ocupações
em 1998.
Viabilizar habitação popular é
um dos grandes desafios de qualquer governo. Se por um passe
de mágica o Brasil reunisse recursos para construir casas
para todos que moram em favelas, cortiços ou com os parentes,
seriam necessários 5 milhões de moradias 1
milhão no Estado de São Paulo. Com o natural processo
de migração do campo para a cidade grande, o problema
se agrava anualmente. Sem dinheiro para pagar aluguel, a camada
mais pobre da população vai morar a até
duas ou três horas-ônibus do trabalho. Para os sem-teto,
essa opção não existe. Eles não
querem se mudar para a periferia, porque ganham a vida no centro
fazendo bico de vigilantes, faxineiros, carregadores ou camelôs.
O custo da viagem inviabilizaria o negócio deles. "Se
a polícia tira a gente de um prédio, logo aparece
outro imóvel para ocupar", diz a sem-teto Antônia
Albaniza Costa, que participou de uma invasão com 250
pessoas em São Paulo na semana passada. Faxineira desempregada,
casada com um carregador também desempregado, Antônia
não suportou o aluguel de 200 reais cobrado num cortiço.
O casal tem cinco filhos.