A cidade pisca
Está escrito nas lâmpadas:
vem aí um fim
de ano de boas vendas para o comércio
Rachel Verano e Ricardo Villela
Joel Rocha
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Palácio Avenida, sede do HSBC,
em Curitiba: auto de Natal
comandado por Noel gigante |
As cidades brasileiras estão repletas de surpresas neste
Natal. Sentados no topo de uma agência do Banco Real na
Paulista, avenida que concentra uma grande fatia da vida
financeira de São Paulo, cinco bonecos de Papai Noel,
com 4 metros de altura cada um, balançam os braços, mexem
a cabeça e cantam sucessos de Louis Armstrong e John Lennon.
Sobre o telhado do Palácio Avenida, sede do Banco HSBC
em Curitiba, outro Papai Noel gigante, de 800 quilos,
saúda os transeuntes. Na Lagoa Rodrigo de Freitas, no
Rio de Janeiro, foi erguida a maior árvore de Natal do
mundo, com 76 metros e 2,1 milhões de lâmpadas. Iniciativas
como essas estão fazendo deste o Natal mais enfeitado
dos últimos anos. Em Porto Alegre, até os pequenos centros
comerciais, como o Villeroi, em Moinhos de Vento, capricharam
na decoração.
O principal combustível dessa animação luminosa é,
naturalmente, o apetite comercial. Grifes sofisticadas,
brechós de periferia, lojas de departamento, supermercados,
livrarias, shopping centers e bancos se enfeitam para
atrair clientes e faturar alto na melhor época do ano
para ganhar dinheiro. Isso faz com que a quantidade
de enfeite nas ruas seja um excelente termômetro para
medir o que empresários e lojistas estão esperando das
vendas deste fim de ano. A julgar pelo que se vê nas
ruas, o Natal de 1999 promete. Pela primeira vez em
105 anos, a Associação Comercial de São Paulo iluminou
sua sede. Também é a primeira vez que o Banco Real investe
numa decoração caprichada. O Shopping Iguatemi, de São
Paulo, gastou 3 milhões de reais com a criação de uma
fachada em três dimensões para as festas deste ano e
ainda montou um presépio gigante dentro do prédio. Espera
receber 2 milhões de pessoas em dezembro. Sobre o telhado
de uma agência paulistana do BankBoston foi montada
uma fábrica de brinquedos pilotada por um boneco de
Papai Noel e operada por quinze duendes de pano. "Ninguém
quer perder a oportunidade de associar os valores de
Natal a sua marca", diz Marcelo Meyer, diretor
de comunicação do BankBoston. "Para um banco preocupado
em valorizar o relacionamento com os clientes, aproveitar
o espírito caloroso do Natal é muito importante."
Liane Neves
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Centro Comercial Villeroi, em Porto
Alegre: 10.000 lâmpadas
na fachada |
O hábito de decorar fachadas de prédios e ruas é antigo.
Cidades como Nova York e Paris recebem milhares de turistas
nesta época do ano, atraídos por suas lojas e também
pela decoração de Natal. No Brasil, o costume ganhou
força há cinco anos com a abertura comercial implementada
pelo Plano Real e pela chegada ao país das luzinhas
piscantes chinesas. No Natal de 1999, elas continuam
presentes, mas ganharam a companhia de enfeites mais
sofisticados, como bonecos de látex, canhões de luz
e neve artificial. Só em Belo Horizonte existem 15 milhões
de lâmpadas nas ruas, cinco vezes mais que no ano passado.
Há até um concurso que promete levar a Nova York os
responsáveis pelos pontos mais decorados da cidade.
Numa pequena rua comercial de Moema, bairro nobre de
São Paulo, quatro máquinas lançam sobre as calçadas
uma espuma branquinha. A imitação de neve faz o delírio
da criançada habituada ao Natal tropical. Tanto capricho
está virando atração turística. Capitais como São Paulo
e Curitiba já têm linhas de ônibus de turismo especiais
que fazem o roteiro dos pontos mais enfeitados.