Edição 1 629 -22/12/1999

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Apresentada: em solenidade presidida pelo papa João Paulo II, a Capela Sistina restaurada. O projeto durou vinte anos e consumiu 3,1 milhões de dólares. Impecável, o trabalho recuperou o brilho original de algumas das mais célebres e importantes obras de arte da História. Entre elas, os afrescos do Juízo Final e da Criação, de Michelangelo, o gênio do Renascimento italiano. Dia 11, no Vaticano.

Anunciada: a aposentadoria do cartunista americano Charles Schulz, de 77 anos. Criador dos personagens Snoopy e Charlie Brown, publicados em 2.600 jornais de 75 países, ele abandona os quadrinhos depois de meio século de carreira. Schulz, que no mês passado soube que sofre de câncer no intestino, diz que a aposentadoria vai permitir que passe mais tempo com a família, sem ter de se preocupar com prazos. Sua última criação inédita será publicada em meados de fevereiro. Dia 14, em San Francisco, nos Estados Unidos.
 

Internado: o pianista e compositor João Donato, de 65 anos, um dos nomes mais importantes da música popular brasileira das últimas quatro décadas. Durante uma viagem de avião de Fortaleza ao Rio de Janeiro, Donato sofreu um infarto, o que obrigou o piloto a fazer um pouso de emergência em Brasília. No final da semana passada, o autor de sucessos como A Rã e Lugar Comum passava bem, mas ainda não havia previsão de alta. Dia 12, no Hospital de Base de Brasília.

 

Não é louco quem foge da guerra

No auge da II Guerra, o nova-iorquino Joseph Heller alistou-se como piloto da Força Aérea dos Estados Unidos e participou de mais de sessenta missões na Itália. Tinha apenas 19 anos. De volta à vida civil, Heller começou a escrever Ardil 22 em 1953. Lançado em 1961, o romance tornou-se um contundente manifesto antibelicista. Conta a história de um piloto que, para tentar escapar da guerra, se finge de louco. Não deu certo, porque o médico entende que "qualquer pessoa que queira fugir dos combates não pode ser considerada louca". Ardil 22 vendeu mais de 10 milhões de exemplares e se tornou um ícone da campanha contra a Guerra do Vietnã. No domingo 12, Heller morreu vítima de infarto. Tinha 76 anos.
Demitidos: o brigadeiro Walter Bräuer, comandante da Aeronáutica, e a advogada Solange Rezende Antunes, assessora especial do Ministério da Defesa. Ela foi afastada por ter seu nome envolvido com traficantes de drogas, conforme denúncias da CPI do Narcotráfico. Bräuer perdeu o cargo porque criticou o ministro da Defesa, Élcio Álvares. Segundo o brigadeiro, o ministro não poderia manter Solange como assessora. Dia 17, em Brasília.
 
Processou: o hospital Mount Sinai, a atriz inglesa Julie Andrews, de 64 anos. A estrela de Mary Poppins, de 1964, filme que lhe rendeu o Oscar, e de Noviça Rebelde acusa o hospital, um dos mais conceituados dos Estados Unidos, e os médicos Scott Kessler e Jefrey Libin por má prática da medicina. No ano passado, Julie anunciou que abandonaria os musicais porque uma operação para a retirada de nódulos benignos nas cordas vocais, em junho de 1997, teria afetado sua capacidade de cantar. Dia 14, em Nova York.
 
Batizado: com água benta do Rio Jordão, Juan Valentin de Todos os Santos de Bourbon Urdangarín, quinto na linha de sucessão ao trono da Espanha. Filho único da princesa Cristina e do jogador de handebol Iñaki Urdangarín, o pequeno Juan nasceu em 29 de setembro passado. O menino é o segundo neto do rei Juan Carlos e da rainha Sofia. Dia 12, em Madri.
 
Sylvia Masini
Denise Fraga: prêmio
no festival de Cuba

Eleita: a melhor atriz do 21º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano de Havana, a carioca Denise Fraga, de 35 anos. O prêmio foi concedido por sua atuação no filme Por Trás do Pano, de Luís Villaça. Foi a única vitória do cinema brasileiro na principal categoria do festival, a dos longas-metragens de ficção. Dia 11, em Havana.

 

 

Evelson de Freitas/Folha Imagem
Gérald Lebrun:
aulas na USP


Morreram:
o filósofo francês Gérard Lebrun. Entre as décadas de 60 e 70, ele deu aulas na Universidade de São Paulo como professor convidado e influenciou toda uma geração de filósofos brasileiros. Entre idas e vindas, viveu 23 anos no Brasil. Em 1996, Lebrun foi acusado de pedofilia pelo ex-gari carioca Argenil Pereira e alvo de uma ação penal. Depois disso, o filósofo, que era homossexual, não voltou ao país. Lebrun foi encontrado morto em sua casa, na qual vivia sozinho. Até o final da semana passada, as circunstâncias da morte ainda não haviam sido esclarecidas. Dia 10, em Paris.

o músico Benedito Biano, um dos fundadores da Banda de Pífanos de Caruaru. Com quase oitenta anos de história, o grupo pernambucano rodou o mundo divulgando as raízes da música brasileira. Dia 16, aos 87 anos, de parada cardíaca, em São Paulo.

o poeta e tradutor pernambucano Jorge Wanderley. Neurocirurgião de formação, ele abandonou a medicina para se dedicar à literatura. Era considerado um dos melhores tradutores de poesia do Brasil. Dia 11, aos 61 anos, de infarto, no Recife.

o ex-presidente do Parlamento português Manuel Tito de Morais. Em 1973, participou da fundação do Partido Socialista Português. Desde jovem lutou contra o salazarismo, o que lhe rendeu várias prisões e treze anos de exílio. Depois da Revolução dos Cravos, em 1974, com o fim da ditadura, Morais voltou a Portugal. De 1983 a 1984, presidiu o Parlamento. Dia 14, aos 89 anos, de infarto, em Lisboa.

 

"Assassino, assassino"

Ricardo Stuckert
O ex-deputado: choro
e medo de voltar
ao Rio


Na madrugada da quarta-feira da semana passada, o ex-deputado Sérgio Naya, de 56 anos, se entregou à Justiça do Distrito Federal – 32 horas depois de ter sido decretada sua prisão. Chorava e pedia para ficar preso em Brasília. Não foi atendido. Por volta das 8 da noite, embarcou com destino ao Rio de Janeiro. Lá, um ano e 296 dias depois do desabamento do edifício Palace II, na Barra da Tijuca, os sobreviventes festejavam sua prisão. Oito pessoas morreram na tragédia, ocorrida em fevereiro de 1998. Dono da construtora Sersan, responsável pela construção do edifício, Naya foi multado pela Receita Federal, proibido de fazer transações financeiras e vender imóveis e agora será julgado por homicídio culposo. Até o julgamento, ficará preso na carceragem da Polinter, no subúrbio do Rio. Se condenado, pode pegar até oito anos de prisão. Naya chorou quando chegou à Polinter. Ao fundo, ouviam-se os gritos de uma pequena multidão: "Assassino, assassino".