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Com mucho
açúcar
SBT rouba
espectadores da Globo
com novela infantil mexicana. É a
doce Carinha de Anjo

Marcelo Marthe
Divulgação/SBT

Daniela
(centro), em Carinha de Anjo: à la Carrossel |
O argentino
Abel Santa Cruz já divertiu milhões de espectadores brasileiros.
Morto em 1995, aos 79 anos, ele foi um dos mais prolíficos autores
do mercado latino de novelas e muitas de suas criações fizeram
sucesso por aqui sobretudo os folhetins infantis, como Chispita
e Carrossel. Seu nome está na ordem do dia novamente.
A novela Carinha de Anjo, refilmagem de um de seus velhos sucessos
feita pela rede mexicana Televisa, é o novo fenômeno do SBT.
Desde que estreou, em julho, oscila entre 17 e 21 pontos de ibope. Roubou
audiência do Jornal Nacional e ressuscitou a "síndrome
do sombrero" aquela angústia que acomete os executivos da
Rede Globo toda vez que uma produção mexicana é exibida
pela concorrente no horário nobre. Também é de Santa
Cruz o roteiro da primeira novela produzida pelo SBT em parceria com a
Televisa, Pícara Sonhadora, que estréia no próximo
dia 27.
Francisco C. Inácio

Cena
de Pícara Sonhadora: outro folhetim de Abel Santa Cruz |
Essas produções
são a antítese daquilo que a teledramaturgia nacional produz
atualmente. Em vez de mostrar cenas de sexo ou abordar temas polêmicos,
investem em tramas inocentes e carolíssimas. Carinha de Anjo
segue a receita já consagrada de Carrossel. Os personagens
infantis da novela, ambientada numa escola, ajudam os adultos a resolver
conflitos cotidianos, em historietas que se desenrolam sem muitas delongas.
Dulce María (Daniela Aedo), a protagonista do folhetim, é
uma menina de bom coração que conversa com sua cadelinha
e, entre outras aventuras, já ajudou o paizão a livrar-se
de um agiota. Carinha de Anjo alcança penetração
não só nas classes C, D e E, como ocorre com a maioria das
produções mexicanas exibidas pelo SBT. Também está
atingindo as crianças e pessoas acima dos 50 anos das classes A
e B.
As novelas
adultas de Abel Santa Cruz não diferem muito das que são
direcionadas à garotada. Não há nada mais simplório
do que a trama de uma Pícara Sonhadora ("pícara"
quer dizer "astuta"). A história, que marca a reativação
do núcleo de teledramaturgia do SBT depois de três anos,
transborda de inocência, romantismo e estereótipos.
Milla (a ex-paquita Bianca Rinaldi) é uma moçoila pobre
que vive com o tio, zelador de uma loja de departamentos. À noite,
quando o local está fechado, ela aproveita para surrupiar objetos
que não pode comprar. Não, a pícara não rouba
exatamente. Digamos que pega emprestado. Entre uma apropriação
indébita e outra, a senhorita cai de amores por quem? O herdeiro
do dono da loja, óbvio. Alguns personagens, como um atrapalhado
trio de detetives, têm a função de fazer um contraponto
cômico ao sentimentalismo. Produzida ao custo de 43.000
reais por capítulo, a novela, como tudo que Santa Cruz escreveu,
é tolinha na superfície e uma esperteza do ponto de vista
do marketing. "Ele sabia fisgar o público menos abastado com um
belo truque. Dava-lhe a sensação de realizar o sonho de
vencer na vida", diz o diretor de programação do SBT, Mauro
Lissoni. O nome disso é televisão.
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