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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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Com mucho açúcar

SBT rouba espectadores da Globo
com novela infantil mexicana. É a
doce Carinha de Anjo

Marcelo Marthe

Divulgação/SBT

Daniela (centro), em Carinha de Anjo: à la Carrossel

O argentino Abel Santa Cruz já divertiu milhões de espectadores brasileiros. Morto em 1995, aos 79 anos, ele foi um dos mais prolíficos autores do mercado latino de novelas e muitas de suas criações fizeram sucesso por aqui – sobretudo os folhetins infantis, como Chispita e Carrossel. Seu nome está na ordem do dia novamente. A novela Carinha de Anjo, refilmagem de um de seus velhos sucessos feita pela rede mexicana Televisa, é o novo fenômeno do SBT. Desde que estreou, em julho, oscila entre 17 e 21 pontos de ibope. Roubou audiência do Jornal Nacional e ressuscitou a "síndrome do sombrero" – aquela angústia que acomete os executivos da Rede Globo toda vez que uma produção mexicana é exibida pela concorrente no horário nobre. Também é de Santa Cruz o roteiro da primeira novela produzida pelo SBT em parceria com a Televisa, Pícara Sonhadora, que estréia no próximo dia 27.

Francisco C. Inácio

Cena de Pícara Sonhadora: outro folhetim de Abel Santa Cruz

Essas produções são a antítese daquilo que a teledramaturgia nacional produz atualmente. Em vez de mostrar cenas de sexo ou abordar temas polêmicos, investem em tramas inocentes e carolíssimas. Carinha de Anjo segue a receita já consagrada de Carrossel. Os personagens infantis da novela, ambientada numa escola, ajudam os adultos a resolver conflitos cotidianos, em historietas que se desenrolam sem muitas delongas. Dulce María (Daniela Aedo), a protagonista do folhetim, é uma menina de bom coração que conversa com sua cadelinha e, entre outras aventuras, já ajudou o paizão a livrar-se de um agiota. Carinha de Anjo alcança penetração não só nas classes C, D e E, como ocorre com a maioria das produções mexicanas exibidas pelo SBT. Também está atingindo as crianças e pessoas acima dos 50 anos das classes A e B.

As novelas adultas de Abel Santa Cruz não diferem muito das que são direcionadas à garotada. Não há nada mais simplório do que a trama de uma Pícara Sonhadora ("pícara" quer dizer "astuta"). A história, que marca a reativação do núcleo de teledramaturgia do SBT depois de três anos, transborda de inocência, romantismo – e estereótipos. Milla (a ex-paquita Bianca Rinaldi) é uma moçoila pobre que vive com o tio, zelador de uma loja de departamentos. À noite, quando o local está fechado, ela aproveita para surrupiar objetos que não pode comprar. Não, a pícara não rouba exatamente. Digamos que pega emprestado. Entre uma apropriação indébita e outra, a senhorita cai de amores por quem? O herdeiro do dono da loja, óbvio. Alguns personagens, como um atrapalhado trio de detetives, têm a função de fazer um contraponto cômico ao sentimentalismo. Produzida ao custo de 43.000 reais por capítulo, a novela, como tudo que Santa Cruz escreveu, é tolinha na superfície e uma esperteza do ponto de vista do marketing. "Ele sabia fisgar o público menos abastado com um belo truque. Dava-lhe a sensação de realizar o sonho de vencer na vida", diz o diretor de programação do SBT, Mauro Lissoni. O nome disso é televisão.

   
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