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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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Fogo cruzado

Filhos têm prejuízo muito antes
da
separação dos pais

Fernanda Colavitti

 
Marcelo Zocchio

O impacto da separação conjugal na vida dos filhos começa muito antes da ruptura entre marido e mulher. Em um estudo pioneiro, o sociólogo Yongmin Sun, da Universidade de Ohio (EUA), comprovou os efeitos negativos sobre o aprendizado e o comportamento de adolescentes americanos pelo menos um ano antes do divórcio. No período, houve queda nas notas de matemática e dificuldade de compreensão de texto, ao mesmo tempo que aumentaram os dias de ausência, o atraso no horário de chegada e o envolvimento com problemas disciplinares, incluindo briga com os colegas. Publicado na última edição da revista científica Journal of Marriage and Family, o levantamento abrangeu 10.088 estudantes, com faixa etária média de 16 anos, entrevistados em dois momentos. Num intervalo de dois anos, os pais de 798 deles se divorciaram. Sun examinou a diferença de comportamento antes e depois, em relação aos alunos cujas famílias se mantiveram estáveis.


De acordo com o pediatra e terapeuta Eugênio Chipkevitch, diretor do Instituto Paulista de Adolescência, as separações arrastadas costumam ser as mais problemáticas. "O último ano é terrível, pois aumentam as brigas e os filhos se sentem num clima de terror, que só ameniza com o fim do casamento, de certo modo um alívio para muitas crianças", explica a psicóloga Magdalena Ramos, coordenadora do Núcleo de Casal e Família da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O psiquiatra Içami Tiba, também de São Paulo e especialista nessa faixa etária, alerta para o perigo daquelas situações em que os pais relutam em se separar e esquentam, a cada dia, a temperatura da agressão e do desrespeito mútuo. A pesquisa americana mostra onde começa o problema com os filhos: no afastamento dos pais das atividades cotidianas deles, na escola ou na vida social. Exatamente o elo que não deve ser perdido para quem busca evitar os malefícios para a garotada.


 
 
   
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