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Fogo
cruzado
Filhos
têm prejuízo muito
antes
da separação dos pais
Fernanda
Colavitti
Marcelo Zocchio
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O
impacto da separação conjugal na vida dos filhos começa
muito antes da ruptura entre marido e mulher. Em um estudo pioneiro, o
sociólogo Yongmin Sun, da Universidade de Ohio (EUA), comprovou
os efeitos negativos sobre o aprendizado e o comportamento de adolescentes
americanos pelo menos um ano antes do divórcio. No período,
houve queda nas notas de matemática e dificuldade de compreensão
de texto, ao mesmo tempo que aumentaram os dias de ausência, o atraso
no horário de chegada e o envolvimento com problemas disciplinares,
incluindo briga com os colegas. Publicado na última edição
da revista científica Journal of Marriage and Family, o
levantamento abrangeu 10.088 estudantes, com faixa etária média
de 16 anos, entrevistados em dois momentos. Num intervalo de dois anos,
os pais de 798 deles se divorciaram. Sun examinou a diferença de
comportamento antes e depois, em relação aos alunos cujas
famílias se mantiveram estáveis.
De
acordo com o pediatra e terapeuta Eugênio Chipkevitch, diretor do
Instituto Paulista de Adolescência, as separações
arrastadas costumam ser as mais problemáticas. "O último
ano é terrível, pois aumentam as brigas e os filhos se sentem
num clima de terror, que só ameniza com o fim do casamento, de
certo modo um alívio para muitas crianças", explica a psicóloga
Magdalena Ramos, coordenadora do Núcleo de Casal e Família
da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
O psiquiatra Içami Tiba, também de São Paulo e especialista
nessa faixa etária, alerta para o perigo daquelas situações
em que os pais relutam em se separar e esquentam, a cada dia, a temperatura
da agressão e do desrespeito mútuo. A pesquisa americana
mostra onde começa o problema com os filhos: no afastamento dos
pais das atividades cotidianas deles, na escola ou na vida social. Exatamente
o elo que não deve ser perdido para quem busca evitar os malefícios
para a garotada.
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