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Vôo
no vermelho
Prejuízo de meio bilhão de reais
é
o maior da história da Varig
Ronaldo
França
Rafael Jacinto/Valor
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| Imagawa:
o manda-chuva da operação |
As
empresas aéreas brasileiras vivem uma crise sem precedentes, e
os balanços negativos não são exatamente uma surpresa.
Mesmo assim, causou espanto o resultado financeiro da Varig no primeiro
semestre: meio bilhão de reais de prejuízo. A companhia,
que nos últimos dez anos teve apenas dois resultados positivos,
está passando pela maior turbulência de seus 74 anos. As
razões são conhecidas. Com uma dívida de 1,25 bilhão
de dólares, e 40% de seus custos pagos na moeda americana, a Varig
sofreu um baque com a desvalorização cambial. Para piorar,
houve a retração econômica com a crise energética
e a alta do petróleo encareceu o combustível. Também
houve queda na taxa de ocupação dos aviões. Tantos
problemas geraram o resultado negativo monumental, registrado no balanço
divulgado na semana passada. Acendeu-se a luz vermelha no painel da empresa.
Esses não são problemas exclusivos da Varig. A TransBrasil
já tirou de circulação quatro aviões por falta
de manutenção e devolveu um por atraso de pagamento. A TAM,
empresa aérea que mais cresceu nos últimos anos, já
prevê prejuízo em seu próximo balanço. O que
diferencia a Varig nesse panorama é ser uma companhia gigante,
com uma dívida gigantesca. Por isso as saídas são
radicais. Fala-se em vender parte de algumas das empresas do grupo. Seria
um corte onde já houve amputações. Nos últimos
anos, a Varig se desfez de boa parte da engrenagem que lhe deu fama. Fechou
66 dos 111 escritórios que tinha no exterior. Cancelou mais de
uma dezena de linhas internacionais. E já não tem tantos
recursos para agradar aos clientes. Pouco mais de dez anos atrás,
a primeira classe de seus aviões era sinônimo de bom atendimento
e sofisticação. A comida era irrepreensível. A empresa
era símbolo de eficiência reconhecido mundialmente e inspirava
orgulho nos brasileiros. Hoje, o serviço piorou, o espaço
entre as poltronas diminuiu e as críticas aumentaram. A concorrência
também se acirrou. Com a abertura do mercado, no início
dos anos 90, o cenário mudou. Guerras de tarifas, enxugamento e
cortes de pessoal passaram a dominar seu cotidiano. "A tendência
é que o consumidor tenha uma empresa mais enxuta, para que os preços
possam ser mais acessíveis", diz o presidente, Ozires Silva.
Mas no mercado de aviação há um sentimento de que
não basta à Varig perder peso. Será necessário
abrir as portas a um sócio. E para isso é preciso remover
um obstáculo poderoso: a soberania da Fundação Rubem
Berta, que controla 87% das ações da empresa com direito
a voto. Ser controlada por uma fundação causa embaraços,
principalmente quando ela é, por sua vez, controlada pelos funcionários.
Não é por acaso que a Varig tem a folha de pagamento proporcionalmente
mais pesada que a de suas concorrentes. Há também uma lentidão
das decisões, tomadas por um colegiado em que são muitas
as influências políticas. Há três semanas, o
homem forte da companhia, Yutaka Imagawa, presidente do Conselho de Curadores
da fundação, assumiu a vice-presidência executiva,
cuja função é cuidar do dia-a-dia da empresa. Ozires
Silva cuidará das relações institucionais e com o
governo. Foi um gesto ousado de Imagawa, considerado o principal responsável
pela queda dos três últimos presidentes da Varig. Ao assumir
o leme, desta vez será sua eficiência que estará à
prova. Mas é possível que, com o chefe da torre de comando
sentado na cadeira do piloto, a Varig possa fazer pousos mais suaves.
E, quem sabe, até decolar.
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