Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
Economia e Negócios Aviação

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
  Produtos populares movimentam comércio e indústria
Os mais modernos embarcadouros do mundo
Varig anuncia prejuízo histórico
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
VEJA on-line
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Vôo no vermelho

Prejuízo de meio bilhão de reais
é o maior da história da Varig

Ronaldo França


Rafael Jacinto/Valor
Imagawa: o manda-chuva da operação

As empresas aéreas brasileiras vivem uma crise sem precedentes, e os balanços negativos não são exatamente uma surpresa. Mesmo assim, causou espanto o resultado financeiro da Varig no primeiro semestre: meio bilhão de reais de prejuízo. A companhia, que nos últimos dez anos teve apenas dois resultados positivos, está passando pela maior turbulência de seus 74 anos. As razões são conhecidas. Com uma dívida de 1,25 bilhão de dólares, e 40% de seus custos pagos na moeda americana, a Varig sofreu um baque com a desvalorização cambial. Para piorar, houve a retração econômica com a crise energética e a alta do petróleo encareceu o combustível. Também houve queda na taxa de ocupação dos aviões. Tantos problemas geraram o resultado negativo monumental, registrado no balanço divulgado na semana passada. Acendeu-se a luz vermelha no painel da empresa.

Esses não são problemas exclusivos da Varig. A TransBrasil já tirou de circulação quatro aviões por falta de manutenção e devolveu um por atraso de pagamento. A TAM, empresa aérea que mais cresceu nos últimos anos, já prevê prejuízo em seu próximo balanço. O que diferencia a Varig nesse panorama é ser uma companhia gigante, com uma dívida gigantesca. Por isso as saídas são radicais. Fala-se em vender parte de algumas das empresas do grupo. Seria um corte onde já houve amputações. Nos últimos anos, a Varig se desfez de boa parte da engrenagem que lhe deu fama. Fechou 66 dos 111 escritórios que tinha no exterior. Cancelou mais de uma dezena de linhas internacionais. E já não tem tantos recursos para agradar aos clientes. Pouco mais de dez anos atrás, a primeira classe de seus aviões era sinônimo de bom atendimento e sofisticação. A comida era irrepreensível. A empresa era símbolo de eficiência reconhecido mundialmente e inspirava orgulho nos brasileiros. Hoje, o serviço piorou, o espaço entre as poltronas diminuiu e as críticas aumentaram. A concorrência também se acirrou. Com a abertura do mercado, no início dos anos 90, o cenário mudou. Guerras de tarifas, enxugamento e cortes de pessoal passaram a dominar seu cotidiano. "A tendência é que o consumidor tenha uma empresa mais enxuta, para que os preços possam ser mais acessíveis", diz o presidente, Ozires Silva.

Mas no mercado de aviação há um sentimento de que não basta à Varig perder peso. Será necessário abrir as portas a um sócio. E para isso é preciso remover um obstáculo poderoso: a soberania da Fundação Rubem Berta, que controla 87% das ações da empresa com direito a voto. Ser controlada por uma fundação causa embaraços, principalmente quando ela é, por sua vez, controlada pelos funcionários. Não é por acaso que a Varig tem a folha de pagamento proporcionalmente mais pesada que a de suas concorrentes. Há também uma lentidão das decisões, tomadas por um colegiado em que são muitas as influências políticas. Há três semanas, o homem forte da companhia, Yutaka Imagawa, presidente do Conselho de Curadores da fundação, assumiu a vice-presidência executiva, cuja função é cuidar do dia-a-dia da empresa. Ozires Silva cuidará das relações institucionais e com o governo. Foi um gesto ousado de Imagawa, considerado o principal responsável pela queda dos três últimos presidentes da Varig. Ao assumir o leme, desta vez será sua eficiência que estará à prova. Mas é possível que, com o chefe da torre de comando sentado na cadeira do piloto, a Varig possa fazer pousos mais suaves. E, quem sabe, até decolar.

 
 




Foto Eduardo Alba Nello

 

   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS