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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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Zôo da morte

No Bwana Park, fome dos
animais era a maior atração

Marcelo Carneiro

Em todo o mundo, zoológicos são uma celebração da vida selvagem. Na última quarta-feira, o Bwana Park, um zôo do Rio de Janeiro, subverteu esse conceito. Uma blitz da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente trouxe à tona um cenário de horror. Em dois freezers, jaziam 103 cadáveres de animais, entre eles uma onça-pintada, um jacaré e macacos-prego. Nas jaulas, felinos de grande porte como os tigres não passavam de gatos esquálidos. Mal alimentados, alguns tinham menos da metade do peso ideal. Famintas, duas onças devoraram um animal da mesma espécie com o qual dividiam a jaula. A chegada da polícia ao Bwana Park foi o desfecho de um drama que teve início em dezembro do ano passado. Na época, fiscais do Ibama realizaram uma inspeção no zoológico, a partir de denúncias de um veterinário que havia trabalhado no parque. A falta de alimentação e os maus-tratos já eram a tônica. O zôo foi interditado, mas acabou reaberto em fevereiro deste ano, após reformas. Em maio, após a morte do proprietário do parque, técnicos do instituto voltaram ao local. O cenário era devastador, com carcaças de animais em putrefação. Os técnicos decidiram, então, enviar um relatório à direção do Ibama em Brasília, para que fosse decidido o cancelamento do registro do parque. O documento peregrinou por três meses nos escaninhos da burocracia. Só na semana passada, quando o caso já havia ganho as manchetes dos jornais, a direção do Ibama finalmente decidiu pelo cancelamento.



   
 
   
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