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Atire e pague
Fazendas
argentinas oferecem
animais grandes aos caçadores

Diogo Schelp
Divulgação

Marco
de Castro e um cervo colorado que matou na Argentina |
O lugar funciona nos mesmos moldes de um pesque-pague, mas a prática
desse esporte dá bem mais trabalho e custa muito mais caro. Na
Argentina, é possível alojar-se numa estância de caça
e sair dando tiros em grandes animais selvagens importados ou criados
para a distração dos atiradores. O alojamento tem diárias
de até 400 dólares. Os bichos custam o suficiente para doer
no bolso de quem tem boa pontaria. Um cervo colorado, a presa mais cobiçada,
chega a 3.000 dólares. Um muflón,
espécie de carneiro selvagem, 2.500.
Um cervo dama, 1.500. Mais de 100 brasileiros
freqüentam anualmente as fazendas de caça argentinas. Para
o Uruguai, onde o mais comum é atirar em patos, pombas e perdizes,
viajam em torno de 300. Neste ano os números devem aumentar, porque
foi reduzido o período da tradicional temporada de caça
de marrecas no Rio Grande do Sul, o único Estado em que o Ibama
permite regularmente a prática desse esporte. O mesmo vale para
a lebre, uma espécie exótica que virou praga nos pampas.
Temia-se que a movimentação dos caçadores pudesse
espalhar os focos de febre aftosa. Mas ainda restam algumas opções
para caçar em território nacional. Em Guarapuava, no Paraná,
inaugurou-se uma estância em que se podem abater faisões,
perdizes e codornas, por preços entre 20 e 22 reais a unidade.
"As melhores
coisas da caçada são o companheirismo e o trabalho de entender
o comportamento dos animais", diz Marco Antonio Moura de Castro, presidente
do Safari Club Internacional do Brasil, um consultor econômico de
São Paulo que já cruzou a fronteira trinta vezes para caçar
na Argentina. Quando se trata de abater mamíferos, a operação
é mesmo complicada. Os caçadores saem em tropas, a cavalo.
Conforme a espécie procurada, existe uma técnica de aproximação
correta, para não espantar a presa. O disparo só acontece
com o atirador desmontado, a uma distância entre 80 e 300 metros
do animal. Um guia especializado orienta todo o procedimento. No caso
brasileiro, o Ibama usa a temporada de caça como uma medida de
controle ecológico. O pássaro conhecido como caturrita,
por exemplo, tem enorme poder de destruição sobre as lavouras
de milho do Rio Grande do Sul. Por isso figura na lista de espécies
cujo abate é permitido numa temporada específica.
Há
muito tempo os esportistas brasileiros pedem também a liberação
da caça do javali. Originários da Europa, javalis introduzidos
para caça na Argentina acabaram escapando, cruzando com porcos-do-mato
e formando manadas vorazes que avançam sobre plantações
na Região Sul do Brasil. Há exemplares que chegam a pesar
150 quilos. Acuados, podem reagir e matar um homem a dentadas. O Ibama
ainda espera a conclusão de um estudo de impacto ambiental para
decidir sobre essa modalidade de caça. Enquanto isso, fazendeiros
locais promovem caçadas clandestinas e churrascadas públicas
com a relativamente apetitosa carne de javali.
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Como
no Velho Oeste
Paulo Jares

Rebanho de búfalos no Brasil: no alvo
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Há duas semanas, aconteceu a primeira caçada de búfalos
selvagens no Brasil, numa fazenda contígua à Reserva
Biológica do Guaporé, em Rondônia. Os animais
foram levados para a região na década de 50 para ser
criados em fazendas. Muitos fugiram e formaram rebanhos bastante
agressivos. "São 15 000 búfalos, que provocam enorme
destruição no ecossistema", diz Álvaro Mouawad,
diretor executivo da Sociedade Brasileira para Conservação
da Fauna, uma organização não-governamental.
Uma equipe de ecologistas supervisionou a caçada experimental,
autorizada pelo governo estadual e organizada pelos membros do Safari
Club Internacional do Brasil. Seis exemplares foram abatidos e um
caçador fraturou a clavícula ao ser atropelado por
um búfalo em fuga.
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