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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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Atire e pague

Fazendas argentinas oferecem
animais grandes aos caçadores

Diogo Schelp


Divulgação

Marco de Castro e um cervo colorado que matou na Argentina


O lugar funciona nos mesmos moldes de um pesque-pague, mas a prática desse esporte dá bem mais trabalho e custa muito mais caro. Na Argentina, é possível alojar-se numa estância de caça e sair dando tiros em grandes animais selvagens importados ou criados para a distração dos atiradores. O alojamento tem diárias de até 400 dólares. Os bichos custam o suficiente para doer no bolso de quem tem boa pontaria. Um cervo colorado, a presa mais cobiçada, chega a 3.000 dólares. Um muflón, espécie de carneiro selvagem, 2.500. Um cervo dama, 1.500. Mais de 100 brasileiros freqüentam anualmente as fazendas de caça argentinas. Para o Uruguai, onde o mais comum é atirar em patos, pombas e perdizes, viajam em torno de 300. Neste ano os números devem aumentar, porque foi reduzido o período da tradicional temporada de caça de marrecas no Rio Grande do Sul, o único Estado em que o Ibama permite regularmente a prática desse esporte. O mesmo vale para a lebre, uma espécie exótica que virou praga nos pampas. Temia-se que a movimentação dos caçadores pudesse espalhar os focos de febre aftosa. Mas ainda restam algumas opções para caçar em território nacional. Em Guarapuava, no Paraná, inaugurou-se uma estância em que se podem abater faisões, perdizes e codornas, por preços entre 20 e 22 reais a unidade.

"As melhores coisas da caçada são o companheirismo e o trabalho de entender o comportamento dos animais", diz Marco Antonio Moura de Castro, presidente do Safari Club Internacional do Brasil, um consultor econômico de São Paulo que já cruzou a fronteira trinta vezes para caçar na Argentina. Quando se trata de abater mamíferos, a operação é mesmo complicada. Os caçadores saem em tropas, a cavalo. Conforme a espécie procurada, existe uma técnica de aproximação correta, para não espantar a presa. O disparo só acontece com o atirador desmontado, a uma distância entre 80 e 300 metros do animal. Um guia especializado orienta todo o procedimento. No caso brasileiro, o Ibama usa a temporada de caça como uma medida de controle ecológico. O pássaro conhecido como caturrita, por exemplo, tem enorme poder de destruição sobre as lavouras de milho do Rio Grande do Sul. Por isso figura na lista de espécies cujo abate é permitido numa temporada específica.

Há muito tempo os esportistas brasileiros pedem também a liberação da caça do javali. Originários da Europa, javalis introduzidos para caça na Argentina acabaram escapando, cruzando com porcos-do-mato e formando manadas vorazes que avançam sobre plantações na Região Sul do Brasil. Há exemplares que chegam a pesar 150 quilos. Acuados, podem reagir e matar um homem a dentadas. O Ibama ainda espera a conclusão de um estudo de impacto ambiental para decidir sobre essa modalidade de caça. Enquanto isso, fazendeiros locais promovem caçadas clandestinas e churrascadas públicas com a relativamente apetitosa carne de javali.

 

Como no Velho Oeste


Paulo Jares

Rebanho de búfalos no Brasil: no alvo


Há duas semanas, aconteceu a primeira caçada de búfalos selvagens no Brasil, numa fazenda contígua à Reserva Biológica do Guaporé, em Rondônia. Os animais foram levados para a região na década de 50 para ser criados em fazendas. Muitos fugiram e formaram rebanhos bastante agressivos. "São 15 000 búfalos, que provocam enorme destruição no ecossistema", diz Álvaro Mouawad, diretor executivo da Sociedade Brasileira para Conservação da Fauna, uma organização não-governamental. Uma equipe de ecologistas supervisionou a caçada experimental, autorizada pelo governo estadual e organizada pelos membros do Safari Club Internacional do Brasil. Seis exemplares foram abatidos e um caçador fraturou a clavícula ao ser atropelado por um búfalo em fuga.

 

   
 
   
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