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Patrulha do umbigo
Escolas
dos EUA controlam
calça de cintura baixa
Jean Philippe
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| A
Levi's de dois botões, nacional: furor |
Instalada no Brasil há pelo menos cinco verões, a calça
de cintura baixa demorou a pegar nos Estados Unidos. Em compensação,
agora que o modismo se propagou com força por lá, está
causando um furor muito maior. Em vários sentidos. Como a tradição
puritana da sociedade americana sempre encontra espaço para se
renovar, as barriguinhas de fora estão deixando muitas mães
e professoras loucas para desfechar uma patrulha. Perto da volta às
aulas, na segunda semana de setembro, já há escolas que
se preparam para impor limites à quantidade de área abdominal
à mostra. "Vai estar em nossa primeira carta circular: 'Proibido
exibir a barriga'", avisa Barbara Merchant, diretora de uma escola em
Clinton, Estado de Maryland. Ao contrário do Brasil, onde o modismo
renasceu nas ruas, nos Estados Unidos o processo se deu de cima para baixo.
As grandes responsáveis pela rendição americana às
barriguinhas de fora são estrelas do show business, como Jennifer
Lopez (dona de uma grife recém-lançada em que predomina
a combinação de calças e saias lá embaixo
com blusinhas lá em cima), Christina Aguilera e, principalmente,
a musa teen Britney Spears, fervorosa adepta do umbigo de fora.
Quando esteve no Brasil para se apresentar no Rock in Rio, Britney ganhou,
e aprovou, calças da marca carioca Gang, justíssimas e reduzidíssimas
favoritas das meninas do funk. Na Gang, a altura da cintura da calça
é quatro a cinco dedos abaixo do umbigo; a comportada média
americana, por enquanto, fica em três. "Mas eles estão ousando
cada vez mais", afirma Sarita Dal Pozzo, estilista da Levi's brasileira,
cujo jeans Super Low (fechado por dois únicos e valorosos botões)
serviu de inspiração para o Two Low, próximo e já
cobiçado lançamento da matriz americana. Cercadas de umbigos
à vista por todos os lados, mães de adolescentes americanas
armaram tal escarcéu que a cadeia de lojas J.C. Penney teve de
tirar do ar um comercial considerado ousado demais. No filme, uma mãe
olhava para a filha apertada em um jeans mínimo, dizia "Você
não pode ir à escola vestida assim" e, ato contínuo,
baixava um pouco mais a cintura da calça. "A J.C. Penney respeita
os valores que os pais passam aos filhos", penitenciou-se, contrita, a
empresa em um comunicado. Na televisão, a calça sumiu. Nas
lojas, porém, continua a vender feito água. Se o modismo
persistir, como é extremamente provável, talvez a indústria
da confecção venha a chegar ao estágio mais avançado
das calças de cintura baixa: o da modelagem brasileira, em que
o corte um pouco mais alto atrás e nas laterais, e bem mais baixo
na frente, se ajusta melhor aos quadris e produz um caimento que as similares
americanas ainda não têm.
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