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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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Patrulha do umbigo

Escolas dos EUA controlam
calça de cintura baixa


Jean Philippe
A Levi's de dois botões, nacional: furor


Instalada no Brasil há pelo menos cinco verões, a calça de cintura baixa demorou a pegar nos Estados Unidos. Em compensação, agora que o modismo se propagou com força por lá, está causando um furor muito maior. Em vários sentidos. Como a tradição puritana da sociedade americana sempre encontra espaço para se renovar, as barriguinhas de fora estão deixando muitas mães e professoras loucas para desfechar uma patrulha. Perto da volta às aulas, na segunda semana de setembro, já há escolas que se preparam para impor limites à quantidade de área abdominal à mostra. "Vai estar em nossa primeira carta circular: 'Proibido exibir a barriga'", avisa Barbara Merchant, diretora de uma escola em Clinton, Estado de Maryland. Ao contrário do Brasil, onde o modismo renasceu nas ruas, nos Estados Unidos o processo se deu de cima para baixo. As grandes responsáveis pela rendição americana às barriguinhas de fora são estrelas do show business, como Jennifer Lopez (dona de uma grife recém-lançada em que predomina a combinação de calças e saias lá embaixo com blusinhas lá em cima), Christina Aguilera e, principalmente, a musa teen Britney Spears, fervorosa adepta do umbigo de fora.

Quando esteve no Brasil para se apresentar no Rock in Rio, Britney ganhou, e aprovou, calças da marca carioca Gang, justíssimas e reduzidíssimas favoritas das meninas do funk. Na Gang, a altura da cintura da calça é quatro a cinco dedos abaixo do umbigo; a comportada média americana, por enquanto, fica em três. "Mas eles estão ousando cada vez mais", afirma Sarita Dal Pozzo, estilista da Levi's brasileira, cujo jeans Super Low (fechado por dois únicos e valorosos botões) serviu de inspiração para o Two Low, próximo e já cobiçado lançamento da matriz americana. Cercadas de umbigos à vista por todos os lados, mães de adolescentes americanas armaram tal escarcéu que a cadeia de lojas J.C. Penney teve de tirar do ar um comercial considerado ousado demais. No filme, uma mãe olhava para a filha apertada em um jeans mínimo, dizia "Você não pode ir à escola vestida assim" e, ato contínuo, baixava um pouco mais a cintura da calça. "A J.C. Penney respeita os valores que os pais passam aos filhos", penitenciou-se, contrita, a empresa em um comunicado. Na televisão, a calça sumiu. Nas lojas, porém, continua a vender feito água. Se o modismo persistir, como é extremamente provável, talvez a indústria da confecção venha a chegar ao estágio mais avançado das calças de cintura baixa: o da modelagem brasileira, em que o corte um pouco mais alto atrás e nas laterais, e bem mais baixo na frente, se ajusta melhor aos quadris e produz um caimento que as similares americanas ainda não têm.

   
 
   
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