
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Aposta
arriscada
Faculdades atraem alunos com
cursos rápidos mas não garantem
reconhecimento de diploma
Consuelo
Dieguez
Igor Camara
 |
| Turma
da Gama Filho em Fortaleza: sem diploma no fim do curso de jornalismo |
No
começo da década de 70, os brasileiros descobriram os cursos
supletivos, uma saída rápida para quem não possuía
diploma de 1º ou 2º grau. De dois anos para cá, essa
facilidade de cursos rápidos chegou ao ensino superior. Com autorização
do Ministério da Educação, as universidades podem
oferecer cursos de dois anos, chamados seqüenciais, que dão
direito a diploma de curso superior. É uma oportunidade tentadora
para quem precisa ingressar num mercado de trabalho cada vez mais exigente.
Só há um problema: a grande maioria das entidades e conselhos
de categorias profissionais está se recusando a registrar esses
diplomas. "Esses certificados, em muitos casos, valem tanto quanto um
papel em branco", afirma Náira Amaral, presidente da Associação
Nacional de Faculdades e Institutos Superiores, preocupada com a proliferação
descontrolada dos cursos superiores de curta duração. Em
1999, havia 10.200 vagas. Neste ano, a estimativa é de que existam
200.000 vagas. No ano que vem, só a Universidade Paulista (Unip),
do empresário João Carlos Di Genio, pretende abrir 1 milhão
de vagas de seqüenciais em 29 campi.
Esses cursos de curta duração surgiram para suprir necessidades
de um mercado que, muitas vezes, não precisa de profissionais com
faculdade completa, mas sim de técnicos mais bem qualificados.
Um hotel, por exemplo, pode ter um bom gerente sem formação
e querer que ele se aprofunde em técnicas de hotelaria. Para casos
como esse, os.seqüenciais são boa opção. O problema
é que, no afã de conquistar novos alunos a um custo bem
menor que o da graduação normal, muitas instituições
começaram a oferecer cursos que ferem as orientações
do Ministério da Educação. Os maiores problemas estão
ocorrendo na área de saúde. Tanto que a maioria dos conselhos
já baixou resoluções informando que não registrarão
diplomas de cursos seqüenciais. O Conselho Federal de Nutricionistas
(CFN) considera um risco as novas especializações, entre
elas a de nutrição de atletas. "Como um profissional com
formação capenga pode fazer um programa de nutrição
para atletas?", questiona a presidente, Rosane Nascimento. "É um
risco para a saúde."
Alguns casos já estão indo parar na Justiça. A Universidade
Gama Filho, embora proibida pelo Ministério da Educação,
abriu um curso seqüencial de jornalismo em Fortaleza. O curso foi
adiante graças a uma liminar. No fim deste ano, os cerca de 400
alunos que vão se formar já sabem que não terão
o diploma reconhecido nem pelo sindicato da categoria nem pelo Ministério
da Educação. E já pensam em entrar na Justiça.
"Jogamos nosso dinheiro no lixo", protesta a aluna Solanilce de Queirós.
"Fomos enganados." Complicada também é a situação
de algumas universidades estaduais. A Universidade Estadual do Piauí
ministra seqüenciais até de psicologia. "Isso é totalmente
irregular. Só que o Ministério da Educação
não pode intervir em instituições estaduais", explica
Rubens Martins, do departamento de política de ensino superior
do ministério. "Mas, no âmbito federal, todos os cursos mal
avaliados serão fechados." O problema é que as universidades
têm autonomia para abrir cursos, e a análise só é
feita depois de um ano de funcionamento. Apenas 65 estão sob o
crivo do ministério, mas a proliferação continua
a todo o vapor. Resta saber se o ministério terá como controlar
a qualidade dos fast foods do ensino.

Veja
também |
 |
Dos
arquivos de VEJA |
| |
Recorde histórico |
| |
Reportagem
publicada em 20/12/2000 mostra que o número de universitários
nunca foi tão grande |
|
|
|
|
 |
|
 |

|
 |