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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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Aposta arriscada

Faculdades atraem alunos com
cursos rápidos mas não garantem
reconhecimento de diploma

Consuelo Dieguez

 
Igor Camara
Turma da Gama Filho em Fortaleza: sem diploma no fim do curso de jornalismo

No começo da década de 70, os brasileiros descobriram os cursos supletivos, uma saída rápida para quem não possuía diploma de 1º ou 2º grau. De dois anos para cá, essa facilidade de cursos rápidos chegou ao ensino superior. Com autorização do Ministério da Educação, as universidades podem oferecer cursos de dois anos, chamados seqüenciais, que dão direito a diploma de curso superior. É uma oportunidade tentadora para quem precisa ingressar num mercado de trabalho cada vez mais exigente. Só há um problema: a grande maioria das entidades e conselhos de categorias profissionais está se recusando a registrar esses diplomas. "Esses certificados, em muitos casos, valem tanto quanto um papel em branco", afirma Náira Amaral, presidente da Associação Nacional de Faculdades e Institutos Superiores, preocupada com a proliferação descontrolada dos cursos superiores de curta duração. Em 1999, havia 10.200 vagas. Neste ano, a estimativa é de que existam 200.000 vagas. No ano que vem, só a Universidade Paulista (Unip), do empresário João Carlos Di Genio, pretende abrir 1 milhão de vagas de seqüenciais em 29 campi.

Esses cursos de curta duração surgiram para suprir necessidades de um mercado que, muitas vezes, não precisa de profissionais com faculdade completa, mas sim de técnicos mais bem qualificados. Um hotel, por exemplo, pode ter um bom gerente sem formação e querer que ele se aprofunde em técnicas de hotelaria. Para casos como esse, os.seqüenciais são boa opção. O problema é que, no afã de conquistar novos alunos a um custo bem menor que o da graduação normal, muitas instituições começaram a oferecer cursos que ferem as orientações do Ministério da Educação. Os maiores problemas estão ocorrendo na área de saúde. Tanto que a maioria dos conselhos já baixou resoluções informando que não registrarão diplomas de cursos seqüenciais. O Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) considera um risco as novas especializações, entre elas a de nutrição de atletas. "Como um profissional com formação capenga pode fazer um programa de nutrição para atletas?", questiona a presidente, Rosane Nascimento. "É um risco para a saúde."

Alguns casos já estão indo parar na Justiça. A Universidade Gama Filho, embora proibida pelo Ministério da Educação, abriu um curso seqüencial de jornalismo em Fortaleza. O curso foi adiante graças a uma liminar. No fim deste ano, os cerca de 400 alunos que vão se formar já sabem que não terão o diploma reconhecido nem pelo sindicato da categoria nem pelo Ministério da Educação. E já pensam em entrar na Justiça. "Jogamos nosso dinheiro no lixo", protesta a aluna Solanilce de Queirós. "Fomos enganados." Complicada também é a situação de algumas universidades estaduais. A Universidade Estadual do Piauí ministra seqüenciais até de psicologia. "Isso é totalmente irregular. Só que o Ministério da Educação não pode intervir em instituições estaduais", explica Rubens Martins, do departamento de política de ensino superior do ministério. "Mas, no âmbito federal, todos os cursos mal avaliados serão fechados." O problema é que as universidades têm autonomia para abrir cursos, e a análise só é feita depois de um ano de funcionamento. Apenas 65 estão sob o crivo do ministério, mas a proliferação continua a todo o vapor. Resta saber se o ministério terá como controlar a qualidade dos fast foods do ensino.

 
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  Reportagem publicada em 20/12/2000 mostra que o número de universitários nunca foi tão grande

 

   
 
   
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