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O
resgate do peixe-boi
Biólogos soltam em mar aberto
exemplares de mamífero
marinho ameaçado de extinção
Ana
Santa Cruz
Fotos Luciano Candisani
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Fotos Luciano Candisani
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A caminho do mar: no tanque em Itamaracá
e durante a transferência |
Biólogos
do Centro de Mamíferos Aquáticos do Ibama da Ilha de Itamaracá,
em Pernambuco, transferiram na semana passada dois raros exemplares de
peixe-boi marinho para um cercado de 10 metros de diâmetro construído
nas águas da Praia de Patacho, em Alagoas. A estressante viagem
de doze horas, com os dois mamíferos alojados numa piscina de fibra
montada sobre um caminhão, foi o primeiro passo do processo para
pôr em liberdade os animais criados em cativeiro. "Araketo" (4 anos,
212 quilos e 2,24 metros) e "Boi Voador" (5 anos, 217 quilos e 2,12 metros)
chegaram ainda bebês ao aquário de água salgada em
Itamaracá e representam a esperança de continuidade da espécie.
Mamífero herbívoro de aparência rechonchuda, o peixe-boi
marinho já foi abundante no litoral entre o Espírito Santo
e o Maranhão. Caçado sem descanso desde o início
da colonização, está reduzido a apenas 400 exemplares
no Brasil. Isso o torna o mamífero marinho com maior risco de extinção
no país.
Junto com Araketo e Boi Voador foi recolocado no mar outro exemplar, chamado
"Aldo". Criado em cativeiro e libertado em 1998, Aldo foi recapturado
na desembocadura de um rio poluído de Alagoas. A escolha da Praia
de Patacho deve-se à existência de abundante pastagem submersa
no local e à presença próxima de uma fêmea,
solta há sete anos. Os cientistas esperam que os quatro formem
um novo bando e se reproduzam. No total, nove peixes-boi foram libertados
em vários pontos do litoral nordestino nas últimas duas
décadas pelo Projeto Peixe-Boi. Um deles foi morto por pescadores,
dois desapareceram e seis se adaptaram à liberdade. Um radiotransmissor
preso à nadadeira do animal permite que ele seja monitorado em
mar aberto. Os resultados animadores do Projeto Peixe-Boi são creditados
a dois fatores. O primeiro é o apoio de entidades preocupadas com
o meio ambiente, entre elas o Ibama, e de patrocinadores de peso, como
a Petrobras. "A manutenção de um peixe-boi em cativeiro
sai por 5.000 dólares ao ano. Reintegrado à natureza, ele
custa só 2.000", diz o biólogo Régis de Lima, coordenador
do projeto. O segundo fator é o recrutamento de pescadores que
antes capturavam tartarugas e peixes-boi e agora são pagos para
ajudar a cuidar dos animais. A contratação dos pescadores
é o mesmo recurso usado no Projeto Tamar, que já colocou
no mar 4,5 milhões de filhotes de tartaruga (veja abaixo o resultado
deste e de outros projetos de resgate de espécies ameaçadas).
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