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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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O resgate do peixe-boi

Biólogos soltam em mar aberto
exemplares de mamífero
marinho ameaçado de extinção

Ana Santa Cruz

 
Fotos Luciano Candisani
Fotos Luciano Candisani
A caminho do mar: no tanque em Itamaracá e durante a transferência

Biólogos do Centro de Mamíferos Aquáticos do Ibama da Ilha de Itamaracá, em Pernambuco, transferiram na semana passada dois raros exemplares de peixe-boi marinho para um cercado de 10 metros de diâmetro construído nas águas da Praia de Patacho, em Alagoas. A estressante viagem de doze horas, com os dois mamíferos alojados numa piscina de fibra montada sobre um caminhão, foi o primeiro passo do processo para pôr em liberdade os animais criados em cativeiro. "Araketo" (4 anos, 212 quilos e 2,24 metros) e "Boi Voador" (5 anos, 217 quilos e 2,12 metros) chegaram ainda bebês ao aquário de água salgada em Itamaracá e representam a esperança de continuidade da espécie. Mamífero herbívoro de aparência rechonchuda, o peixe-boi marinho já foi abundante no litoral entre o Espírito Santo e o Maranhão. Caçado sem descanso desde o início da colonização, está reduzido a apenas 400 exemplares no Brasil. Isso o torna o mamífero marinho com maior risco de extinção no país.

Junto com Araketo e Boi Voador foi recolocado no mar outro exemplar, chamado "Aldo". Criado em cativeiro e libertado em 1998, Aldo foi recapturado na desembocadura de um rio poluído de Alagoas. A escolha da Praia de Patacho deve-se à existência de abundante pastagem submersa no local e à presença próxima de uma fêmea, solta há sete anos. Os cientistas esperam que os quatro formem um novo bando e se reproduzam. No total, nove peixes-boi foram libertados em vários pontos do litoral nordestino nas últimas duas décadas pelo Projeto Peixe-Boi. Um deles foi morto por pescadores, dois desapareceram e seis se adaptaram à liberdade. Um radiotransmissor preso à nadadeira do animal permite que ele seja monitorado em mar aberto. Os resultados animadores do Projeto Peixe-Boi são creditados a dois fatores. O primeiro é o apoio de entidades preocupadas com o meio ambiente, entre elas o Ibama, e de patrocinadores de peso, como a Petrobras. "A manutenção de um peixe-boi em cativeiro sai por 5.000 dólares ao ano. Reintegrado à natureza, ele custa só 2.000", diz o biólogo Régis de Lima, coordenador do projeto. O segundo fator é o recrutamento de pescadores – que antes capturavam tartarugas e peixes-boi e agora são pagos para ajudar a cuidar dos animais. A contratação dos pescadores é o mesmo recurso usado no Projeto Tamar, que já colocou no mar 4,5 milhões de filhotes de tartaruga (veja abaixo o resultado deste e de outros projetos de resgate de espécies ameaçadas).

 

PROTEGIDAS, ESPÉCIES GANHAM NOVA CHANCE

Fotos Luciano Candisani
Fotos Luciano Candisani
Russel A. Mittermeier
Arara-azul: em treze anos de esforços, aumento de 3 000 para 5 000 exemplares Tartaruga marinha: 4,5 milhões de filhotes nascidos em vinte anos, dos quais 4 500 chegaram à fase adulta Mico-leão-dourado: na década de 60 o número não passava de uma centena. Hoje há mais de
1 000


   
 
   
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