Com
sotaque
A peteca vira diversão em
parques
e clubes da França
Fotos divulgação
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Divulgaçã
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| Jogo
de peteca:
30 000 franceses já aderiram |
Produtos: selo oficial |
Peteca,
palavra de brasileiríssima origem tupi, ganhou sotaque novo: transformada
em "petecá", está cruzando os ares da França neste
verão, tanto como puro lazer quanto como esporte sério,
com direito a federação e campeonatos. Praticada em dez
clubes particulares em várias regiões do país e oferecida
como esporte nas escolas, a peteca importada do Brasil tem a popularidade
confirmada no território livre dos parques. Na região de
Hauts-de-Seine, arredores de Paris, há dez deles, todos devidamente
equipados com quadras e redes de peteca e instrutores para ensinar (de
graça, oferta da prefeitura) as manhas do jogo. Os praticantes
franceses já chegam a 30.000, entre profissionais e amadores, segundo
avaliação do empresário Jean-François Impinna,
maior divulgador do esporte no país.
Impinna, 37 anos, ex-jogador de rúgbi, conheceu a peteca em uma
visita ao Rio de Janeiro, em 1987. Comprou uma de um camelô, voltou
para seu país, passou a jogar na praia e não parou mais.
Em 1994, pôs em prática a idéia de disseminar o esporte
na França: visitou Belo Horizonte, a meca dos petequeiros brasileiros,
aprendeu as regras e fundou o primeiro clube tudo parte, segundo afirma,
de uma bem planejada estratégia. "Não quis fazer da peteca
um fenômeno da moda, como skate ou patins. Meu trabalho é
mais consistente", diz, com a seriedade dos aficionados. De clube em clube,
a peteca foi ganhando adeptos e, em 1997, criou-se a Federação
de Peteca da França, com regras e calendário oficial de
provas: são onze torneios e três campeonatos por ano, com
200 a 4.000 participantes cada um. Já existe até craque:
Baptiste Leduc,18 anos, é uma espécie de Ronaldinho (ou
Zidane, no caso) da "petecá".
Ao contrário do Brasil, onde a maioria dos praticantes é
de meia-idade, na França, segundo Impinna, 60% dos jogadores são
crianças e adolescentes. "Conseguimos incluir a peteca como disciplina
esportiva, a partir dos 8 anos de idade, em mais de 400 escolas", diz.
Inicialmente importada de Belo Horizonte, a peteca (uma base de borracha
com três penas fincadas, brancas as profissionais, coloridas as
amadoras) já deixou de pesar a favor da balança comercial.
Agora, é fabricada na França. Custa cerca de 200 francos
(75 reais) e vem com selo de qualidade da federação.
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