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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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Com sotaque

A peteca vira diversão em
parques e clubes da França

Fotos divulgação
Divulgaçã
Jogo de peteca: 30 000 franceses já aderiram Produtos: selo oficial

Peteca, palavra de brasileiríssima origem tupi, ganhou sotaque novo: transformada em "petecá", está cruzando os ares da França neste verão, tanto como puro lazer quanto como esporte sério, com direito a federação e campeonatos. Praticada em dez clubes particulares em várias regiões do país e oferecida como esporte nas escolas, a peteca importada do Brasil tem a popularidade confirmada no território livre dos parques. Na região de Hauts-de-Seine, arredores de Paris, há dez deles, todos devidamente equipados com quadras e redes de peteca e instrutores para ensinar (de graça, oferta da prefeitura) as manhas do jogo. Os praticantes franceses já chegam a 30.000, entre profissionais e amadores, segundo avaliação do empresário Jean-François Impinna, maior divulgador do esporte no país.

Impinna, 37 anos, ex-jogador de rúgbi, conheceu a peteca em uma visita ao Rio de Janeiro, em 1987. Comprou uma de um camelô, voltou para seu país, passou a jogar na praia e não parou mais. Em 1994, pôs em prática a idéia de disseminar o esporte na França: visitou Belo Horizonte, a meca dos petequeiros brasileiros, aprendeu as regras e fundou o primeiro clube – tudo parte, segundo afirma, de uma bem planejada estratégia. "Não quis fazer da peteca um fenômeno da moda, como skate ou patins. Meu trabalho é mais consistente", diz, com a seriedade dos aficionados. De clube em clube, a peteca foi ganhando adeptos e, em 1997, criou-se a Federação de Peteca da França, com regras e calendário oficial de provas: são onze torneios e três campeonatos por ano, com 200 a 4.000 participantes cada um. Já existe até craque: Baptiste Leduc,18 anos, é uma espécie de Ronaldinho (ou Zidane, no caso) da "petecá".

Ao contrário do Brasil, onde a maioria dos praticantes é de meia-idade, na França, segundo Impinna, 60% dos jogadores são crianças e adolescentes. "Conseguimos incluir a peteca como disciplina esportiva, a partir dos 8 anos de idade, em mais de 400 escolas", diz. Inicialmente importada de Belo Horizonte, a peteca (uma base de borracha com três penas fincadas, brancas as profissionais, coloridas as amadoras) já deixou de pesar a favor da balança comercial. Agora, é fabricada na França. Custa cerca de 200 francos (75 reais) e vem com selo de qualidade da federação.

   
 
   
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