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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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A novela de Saddam

Livro do ditador se transforma na maior
produção da história do teatro iraquiano

Desde a morte do ditador soviético Josef Stalin, nos anos 50, não se vê culto à personalidade tão desavergonhado. A última de Saddam Hussein, ditador do Iraque, é investir pesado na produção de um musical baseado no romance Zabiba e o Rei, escrito com pseudônimo pelo próprio Saddam. A maior superprodução da história do teatro iraquiano já tem elenco selecionado, e a estréia está programada para o final do ano. Um dos maiores incentivadores do espetáculo é o diário Babil, dirigido por Udai Hussein, filho mais velho de Saddam. Num artigo publicado no mês passado, o jornal confirmou o que todo mundo desconfiava: Saddam Hussein é o autor do livro de 160 páginas que começou a circular no início do ano. Vendido por 1 dólar a cópia, é um enorme best-seller em Bagdá.



A capa de Zabiba e o Rei

A história é um triângulo amoroso ambientado no antigo reino da Babilônia. Casada com um marido cruel, Zabiba apaixona-se pelo rei. O monarca é do tipo filósofo e nas conversas com a mulher dá lições sobre Deus, política e lealdade. O relacionamento é casto, exceto por uns beijinhos. O livro foi explicado pela imprensa oficial como uma representação dos desafios de Saddam diante da opressão americana e de seu amor pelo país. O perverso marido de Zabiba seria os Estados Unidos. Ela, a esposa infeliz, figura como o povo iraquiano. Já o rei-herói seria Saddam Hussein. A mocinha é estuprada pelo próprio marido, o que provoca uma guerra civil. Zabiba e o marido são mortos na batalha final, que ocorre no dia 17 de janeiro – mesma data em que os Estados Unidos deram início à Guerra do Golfo, em 1991.

Logo que o livro foi lançado, a CIA, o serviço de espionagem dos Estados Unidos, estudou a obra para tentar entender a psicologia do ditador. Apesar das metáforas canhestras em sua primeira incursão na literatura, os amigos de Saddam Hussein garantem que ele é um amante das artes. De fato, ele costuma encomendar monumentos e obras literárias, só que quase sempre em seu próprio louvor. Em breve, Zabiba e o Rei vai virar também seriado de TV. Dividida em vinte capítulos, a minissérie está no forno, pronta para ser filmada. Dinheiro é o que não vai faltar.

 
 
   
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