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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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Lições de terror

Irlandeses do IRA que foram ensinar
a fazer bombas são presos em Bogotá

 
AP

Propaganda dos guerrilheiros do IRA na Irlanda do Norte: processo de paz em risco

Mais uma dor de cabeça para quem busca a paz na Colômbia e na Irlanda do Norte. Há uma semana, foram detidos no aeroporto de Bogotá, na Colômbia, três europeus recém-chegados da selva onde opera a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc. A identidade de cada um só foi estabelecida com a ajuda do serviço secreto da Inglaterra: eram membros do Exército Republicano Irlandês (IRA), o grupo terrorista que luta para separar a Irlanda do Norte da Inglaterra. Um deles era o agente do IRA na América Central e trocava seus conhecimentos na fabricação de bombas por armas em países da região. Outro fez parte da direção do Sinn Fein, braço político do IRA, e já foi condenado por posse de explosivos. O terceiro esteve preso por porte ilegal de armas e se feriu duas vezes em confrontos com a polícia norte-irlandesa.

Com a prisão dos membros do IRA, descobriu-se que o trio estava exportando para os colombianos know-how na montagem de bombas e em táticas de guerrilha urbana, área em que as Farc ainda engatinham. Com o dinheiro do narcotráfico, os guerrilheiros colombianos estão importando conhecimento de grupos terroristas, que funcionam como multinacionais do crime político. Se a notícia é ruim para os colombianos (já que demonstra a intenção das Farc de se expandir para as cidades), é péssima para os irlandeses, que descobriram que o IRA está ampliando suas atividades, em vez de se desfazer dos arsenais.

 
AFP

Irlandeses presos: negócios com as Farc

A Irlanda é um barril de pólvora difícil de desarmar. Mistura desde rixas religiosas até anseios nacionalistas. O conflito tem raízes na conquista inglesa da Irlanda, há quase 500 anos. Os católicos irlandeses foram tratados como povo conquistado pelos colonos protestantes que se mudaram para lá. A maior parte da ilha se tornou independente em 1921, com o nome de República da Irlanda. Um enclave ao norte, de maioria protestante, permaneceu sob bandeira inglesa. Lá, católicos e protestantes estabeleceram duas comunidades à parte, separadas por muros e cercas de arame farpado. Em tese, os católicos querem unir-se à república irlandesa, para tornar-se independentes da Inglaterra. Em 1998, o conflito parecia estar chegando ao fim. O IRA propôs entregar as armas e assinar um acordo de paz. Nesse tratado, a Irlanda do Norte continuaria sendo parte da Inglaterra, como querem os protestantes, mas teria um Parlamento onde estariam presentes várias correntes católicas, inclusive as mais radicais, como o Sinn Fein.

A condição primordial para que tudo desse certo era que o IRA fosse desativado. E é justamente na relutância do grupo em se desarmar que o acordo emperrou. O protestante moderado que presidia o Parlamento local renunciou em julho, levando a Inglaterra a intervir no governo autônomo pela quarta vez desde a assinatura do tratado de paz. Na última terça-feira, o IRA declarou que não vai entregar as armas. Acusou os ingleses de não cumprirem o acordo de paz ao intervir tantas vezes no governo local. A prisão de alguns de seus enviados à Colômbia deixou claro que o grupo está mais aguerrido do que nunca.



 
 
   
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