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Lições
de terror
Irlandeses
do IRA que foram ensinar
a fazer bombas são presos em Bogotá
AP

Propaganda
dos guerrilheiros do IRA na Irlanda do Norte: processo de paz em risco |
Mais uma
dor de cabeça para quem busca a paz na Colômbia e na Irlanda
do Norte. Há uma semana, foram detidos no aeroporto de Bogotá,
na Colômbia, três europeus recém-chegados da selva
onde opera a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia, as Farc. A identidade de cada um só foi estabelecida
com a ajuda do serviço secreto da Inglaterra: eram membros do Exército
Republicano Irlandês (IRA), o grupo terrorista que luta para separar
a Irlanda do Norte da Inglaterra. Um deles era o agente do IRA na América
Central e trocava seus conhecimentos na fabricação de bombas
por armas em países da região. Outro fez parte da direção
do Sinn Fein, braço político do IRA, e já foi condenado
por posse de explosivos. O terceiro esteve preso por porte ilegal de armas
e se feriu duas vezes em confrontos com a polícia norte-irlandesa.
Com a prisão
dos membros do IRA, descobriu-se que o trio estava exportando para os
colombianos know-how na montagem de bombas e em táticas de guerrilha
urbana, área em que as Farc ainda engatinham. Com o dinheiro do
narcotráfico, os guerrilheiros colombianos estão importando
conhecimento de grupos terroristas, que funcionam como multinacionais
do crime político. Se a notícia é ruim para os colombianos
(já que demonstra a intenção das Farc de se expandir
para as cidades), é péssima para os irlandeses, que descobriram
que o IRA está ampliando suas atividades, em vez de se desfazer
dos arsenais.
AFP

Irlandeses
presos: negócios com as Farc |
A Irlanda
é um barril de pólvora difícil de desarmar. Mistura
desde rixas religiosas até anseios nacionalistas. O conflito tem
raízes na conquista inglesa da Irlanda, há quase 500 anos.
Os católicos irlandeses foram tratados como povo conquistado pelos
colonos protestantes que se mudaram para lá. A maior parte da ilha
se tornou independente em 1921, com o nome de República da Irlanda.
Um enclave ao norte, de maioria protestante, permaneceu sob bandeira inglesa.
Lá, católicos e protestantes estabeleceram duas comunidades
à parte, separadas por muros e cercas de arame farpado. Em tese,
os católicos querem unir-se à república irlandesa,
para tornar-se independentes da Inglaterra. Em 1998, o conflito parecia
estar chegando ao fim. O IRA propôs entregar as armas e assinar
um acordo de paz. Nesse tratado, a Irlanda do Norte continuaria sendo
parte da Inglaterra, como querem os protestantes, mas teria um Parlamento
onde estariam presentes várias correntes católicas, inclusive
as mais radicais, como o Sinn Fein.
A condição
primordial para que tudo desse certo era que o IRA fosse desativado. E
é justamente na relutância do grupo em se desarmar que o
acordo emperrou. O protestante moderado que presidia o Parlamento local
renunciou em julho, levando a Inglaterra a intervir no governo autônomo
pela quarta vez desde a assinatura do tratado de paz. Na última
terça-feira, o IRA declarou que não vai entregar as armas.
Acusou os ingleses de não cumprirem o acordo de paz ao intervir
tantas vezes no governo local. A prisão de alguns de seus enviados
à Colômbia deixou claro que o grupo está mais aguerrido
do que nunca.
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