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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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Pobres bilionários

O sultão de Brunei, que já foi
o homem mais
rico do mundo,
faz leilão para pagar dívidas

 
Fotos AP
Fotos AP
Lustre e cestos de banheiro foleados a ouro (á dir.): 7,8 milhões de dólares

Hassanal Bolkiah, sultão de Brunei, era o primeiro da lista entre os homens mais ricos do mundo há três anos, mas hoje não está nem entre os vinte. Sua fortuna não ultrapassa 10 bilhões de dólares. É muito, mas a quantia fica menos impressionante se comparada ao que ele tinha há dez anos: 40 bilhões de dólares. Vários infortúnios contribuíram para encolher sua riqueza: a crise asiática de 1997, a queda nos preços do petróleo e, principalmente, a gastança da família. O maior esbanjador foi seu irmão mais novo, o príncipe Jefri. Há três anos, a falência das empresas do caçula deixou dívidas de 15 bilhões de dólares, equivalente ao triplo do PIB de Brunei. As dimensões de suas extravagâncias puderam ser medidas no leilão de alguns bens embargados de suas empresas, que terminou na quinta-feira passada. Entre as 10.000 peças havia de tudo: canhões antigos, pianos de cauda, jóias, lustres de cristal, mesas de sinuca e até cestos de lixo folhados a ouro vindos diretamente do banheiro do príncipe.

Quase 1.000 pessoas, entre comerciantes e curiosos, pagaram pouco mais de 500 dólares cada uma para ter acesso ao leilão num galpão abandonado na capital de Brunei. Os lances renderam 7,8 milhões de dólares, bem menos que os 17 milhões esperados. Entre as peças que não foram arrematadas estão dois carros de bombeiro, um simulador de vôo de um helicóptero Comanche, um Airbus A-340 e um carro de Fórmula 1. Em abril, haviam sido leiloados quarenta automóveis, entre eles um Jaguar, um Porsche e vários BMW e Mercedes-Benz. Brunei é um pequeno país asiático, com um quarto do tamanho do Estado de Sergipe, mas localizado sobre fartas reservas de petróleo.

Uma das últimas monarquias absolutistas do planeta, Brunei é um caso clássico de país no qual o dinheiro do monarca se confunde com o Tesouro Nacional. A fartura era tamanha que os 330.000 habitantes – que dispõem de assistência médica gratuita e não pagam imposto de renda – toleravam todas as excentricidades da realeza, que não eram poucas. Ao completar 50 anos, o sultão torrou 17 milhões de dólares numa festa de aniversário que contou com show de Michael Jackson. Seu palácio tem 1.788 cômodos e é maior que o Estado do Vaticano. Fascinado pela roleta, chega a apostar 1 milhão de dólares por noite nos cassinos de Las Vegas.

Nada se compara à gastança do caçula Jefri. Depois da falência, soube-se que gastou nos últimos dez anos um total de 2,8 bilhões de dólares, uma média de 750.000 dólares por dia. Ele chegou a ser dono de quatro hotéis de luxo – o Plaza Athénée em Paris, o Palace de Nova York, o Bel-Air em Los Angeles e o Dorchester de Londres. Com dificuldade de pagar as contas, o sultão decidiu apertar os cintos. A primeira providência foi reduzir a mesada de Jefri. O irmão aceitou, mas reclamou bastante, pois terá de viver com apenas 300.000 dólares por mês

 
 
   
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