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Minoria abastada
Estudo
mostra que apenas 1 em cada 100
brasileiros está acima da linha da riqueza
Raul Junior

Loja
da Ferrari: sonho para poucos |
Classificar
as curvas da riqueza e da pobreza no Brasil representa uma dor de cabeça
enorme para os pesquisadores. No caso dos miseráveis, a população
varia entre 23 e 50 milhões de pessoas, conforme a fonte. Na outra
ponta, a da riqueza, ocorre o mesmo tipo de problema. De acordo com a
metodologia empregada, aumenta ou diminui o efetivo da fatia superior
da sociedade. Saiu na semana passada novo estudo tentando definir quem
são os mais ricos. Segundo as conclusões do pesquisador
Marcelo Medeiros, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea,
pode ser considerada rica a família cuja renda mensal per capita
seja superior a 2.130 reais. As projeções
do instituto indicam que há 1,7 milhão de brasileiros nessa
categoria o equivalente a 1% do total da população
do país.
A faixa
de riqueza divulgada pelo Ipea nos últimos dias é uma das
mais altas já fixadas em estudos do gênero. Um trabalho realizado
em 1997 pela Comissão Econômica para a América Latina
e o Caribe, um órgão da ONU, dizia que rico no Brasil era
quem ganhava acima de 525 reais. Dessa forma, os "endinheirados" formariam
uma legião de 17 milhões de pessoas, equivalente a 10% da
população. Todo mundo sabe que os ricos de verdade, aqueles
que moram em mansões com muros altos, usam carros blindados, segurança
privada e viajam de primeira classe, não vivem com 2.000
reais por mês. Gastam isso (ou mais do que isso) em cada um dos
dias do mês. De forma que é de perguntar qual é o
sentido de definir uma linha única de 2.000
reais acima da qual todos são iguais? Quem explica a razão
é o próprio pesquisador. "Meu trabalho não tem a
pretensão de definir o que é riqueza, e sim de orientar
as políticas públicas de distribuição de renda",
afirma Marcelo Medeiros.
Distribuir
renda significa elevar o ganho mensal dos pobres e miseráveis ao
patamar acima da linha mínima da dignidade e aproximá-los
da parcela mais rica da população. E para calcular esse
número ajuda saber qual é a faixa em que as pessoas vivem
com mais dificuldade e onde começa o topo da pirâmide. Se
for lido como uma tentativa de circunscrever os milionários do
Brasil, esse trabalho, bem como outros do gênero, soará ingênuo.
Mas se for compreendido como o que de fato é, um raio X da sociedade,
ele se tornará arma de grande valia. Graças a estudos desse
tipo, fica-se sabendo, pela linha da riqueza, que a erradicação
da pobreza é uma tarefa árdua. Afinal, apenas uma em cada
100 pessoas no Brasil tem rendimento superior a 2.000
reais por mês. É muito pouco.
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