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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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Minoria abastada

Estudo mostra que apenas 1 em cada 100
brasileiros está acima da linha da riqueza

 
Raul Junior

Loja da Ferrari: sonho para poucos

Classificar as curvas da riqueza e da pobreza no Brasil representa uma dor de cabeça enorme para os pesquisadores. No caso dos miseráveis, a população varia entre 23 e 50 milhões de pessoas, conforme a fonte. Na outra ponta, a da riqueza, ocorre o mesmo tipo de problema. De acordo com a metodologia empregada, aumenta ou diminui o efetivo da fatia superior da sociedade. Saiu na semana passada novo estudo tentando definir quem são os mais ricos. Segundo as conclusões do pesquisador Marcelo Medeiros, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, pode ser considerada rica a família cuja renda mensal per capita seja superior a 2.130 reais. As projeções do instituto indicam que há 1,7 milhão de brasileiros nessa categoria – o equivalente a 1% do total da população do país.

A faixa de riqueza divulgada pelo Ipea nos últimos dias é uma das mais altas já fixadas em estudos do gênero. Um trabalho realizado em 1997 pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, um órgão da ONU, dizia que rico no Brasil era quem ganhava acima de 525 reais. Dessa forma, os "endinheirados" formariam uma legião de 17 milhões de pessoas, equivalente a 10% da população. Todo mundo sabe que os ricos de verdade, aqueles que moram em mansões com muros altos, usam carros blindados, segurança privada e viajam de primeira classe, não vivem com 2.000 reais por mês. Gastam isso (ou mais do que isso) em cada um dos dias do mês. De forma que é de perguntar qual é o sentido de definir uma linha única de 2.000 reais acima da qual todos são iguais? Quem explica a razão é o próprio pesquisador. "Meu trabalho não tem a pretensão de definir o que é riqueza, e sim de orientar as políticas públicas de distribuição de renda", afirma Marcelo Medeiros.

Distribuir renda significa elevar o ganho mensal dos pobres e miseráveis ao patamar acima da linha mínima da dignidade e aproximá-los da parcela mais rica da população. E para calcular esse número ajuda saber qual é a faixa em que as pessoas vivem com mais dificuldade e onde começa o topo da pirâmide. Se for lido como uma tentativa de circunscrever os milionários do Brasil, esse trabalho, bem como outros do gênero, soará ingênuo. Mas se for compreendido como o que de fato é, um raio X da sociedade, ele se tornará arma de grande valia. Graças a estudos desse tipo, fica-se sabendo, pela linha da riqueza, que a erradicação da pobreza é uma tarefa árdua. Afinal, apenas uma em cada 100 pessoas no Brasil tem rendimento superior a 2.000 reais por mês. É muito pouco.

 
 
   
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