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O PT que diz não
Prefeituras
do partido boicotam programa
federal que destina dinheiro aos pobres
Caio Guateli/Folha Imagem

Marta
Suplicy: ataques ao projeto social que ela sempre defendeu |
O governo
federal adotou um programa social chamado Bolsa-Escola, tocado pelo Ministério
da Educação. Ele destina de 15 a 45 reais por mês
a famílias pobres com filhos matriculados na escola. A idéia
não é nova, mas funcionava em escala reduzida, operando
apenas em algumas prefeituras, principalmente governadas pelo PT. Há
cinco meses, o programa passou a ter abrangência nacional. Todas
as famílias pobres com filhos na escola ganharam o direito de requerer
o benefício. Para receber, elas precisam ser cadastradas pelas
prefeituras. As que atendem aos requisitos ganham um cartão magnético
para sacar o dinheiro diretamente no banco. Mais de 2 milhões de
crianças recebem o dinheiro federal. Infelizmente, o Bolsa-Escola
empacou nos municípios administrados justamente por um dos criadores
do programa, o PT. Os petistas decidiram boicotar o projeto federal, impedindo
o cadastramento das famílias. Em vez de facilitar a vida dos pobres,
abriram fogo contra o governo e armaram uma confusão patética
tentando encontrar argumentos para desmerecer a idéia de um projeto
que sempre defenderam.
O principal
foco de resistência é a prefeita Marta Suplicy, de São
Paulo. Primeiro ela implicou com os cartões magnéticos de
saque bancário, argumentando que Brasília deveria incluir
o logotipo da prefeitura ao lado do logotipo do governo federal. Foi informada
de que isso não seria possível, uma vez que não há
como fazer um cartão diferente para cada prefeitura do país.
Então ela passou a acusar o programa de ser "eleitoreiro" e de
ter sido feito sob encomenda para beneficiar o candidato do governo federal
nas próximas eleições. Os petistas ainda conseguiram
encontrar um terceiro argumento contra o programa federal. O presidente
em exercício do PT, deputado federal José Genoíno,
justificou a resistência de seu partido alegando que o benefício,
de apenas 15 reais, é uma "esmola".
Na semana
passada, debaixo de críticas pesadas, Marta e os outros prefeitos
petistas desistiram da briga e prometeram cadastrar os pobres. Durante
o período em que se discutiu inutilmente o assunto, estima-se que
250.000 crianças que vivem em cidades
governadas pelo PT deixaram de ser atendidas. Algumas provavelmente estavam
complementando a renda com esmolas, estas conseguidas nos cruzamentos.
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