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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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Os fins justificam os partidos

Itamar ameaça trocar o PMDB pelo
PDT e estuda disputar a Presidência
ao lado de Ciro, do PPS

Depois de levar um tranco da ala governista do PMDB e ser forçado a retirar sua candidatura à presidência da legenda, Itamar mostrou na semana passada ter adotado novamente sua postura política tradicional: a ameaça. Até pouco tempo atrás, o PMDB era um partido que só merecia elogios de Itamar. Agora que foi derrotado, fala em abandonar a legenda. Ou seja, os fins justificam os partidos. Eleger-se presidente da República, e conseqüentemente destruir o arquiinimigo Fernando Henrique Cardoso, tornou-se uma meta a ser perseguida não importa a sigla à qual tenha de se filiar. Pode ser o PL ou o PDT. E por que não uma dobradinha com Ciro Gomes, do PPS? Aos 71 anos, recém-completados no mês de junho, Itamar está numa situação diferente da de Lula, Ciro Gomes e Anthony Garotinho. Ele tem mais dificuldade em trabalhar com a idéia de adiar seus planos eleitorais por mais quatro anos. Se vencer a corrida ao Palácio do Planalto, assumirá a Presidência aos 72 anos. Se perder, precisará concorrer novamente aos 76.

Na semana passada, Itamar permaneceu em Minas Gerais, de onde articulava a realização de dois encontros importantes com vistas a pavimentar as novas alternativas partidárias caso venha a abandonar o PMDB. Um desses encontros será com o patrono do PDT, Leonel Brizola, com quem falou todos os dias por telefone. Em seguida, deverá estar com Ciro. Desde o fim do ano passado, Brizola insiste numa aliança entre Itamar e Ciro, considerada pelos mais entusiastas como uma arma poderosa. Na última segunda-feira, Brizola discutiu o assunto num almoço com Ciro. A matemática eleitoral do momento informa que uma das vagas do segundo turno já está decidida, e pertence a Lula. Restariam quatro candidaturas, a do governo, Ciro, Itamar e Garotinho, para disputar a outra. Unidos numa chapa, Ciro e Itamar poderiam, pelo menos em tese, aumentar suas chances de permanecer no jogo.

Infelizmente, informam os especialistas mais céticos, a aritmética das urnas não funciona do jeito que Itamar gostaria. Há muito eleitor que prefere Itamar Franco porque deseja escolher um candidato de oposição que não se chame Ciro. Há aqueles que gostam de Ciro, mas odeiam Itamar. Por outro lado, alguns votam em Lula por não identificar outra chapa de oposição capaz de vencer o governo. Informados da fusão, estes eleitores poderiam mudar de idéia. Ou seja, a chapa Itamar-Ciro pode resultar em soma de votos, subtração, divisão ou até multiplicação.

 
Fábio Motta/Ag. Estado
Orlando Brito
Brizola, patrono do PDT, e Collor, com Itamar: seis ameaças de abandonar a chapa durante a campanha de 1989

No PMDB, há uma ala que dá como inevitável a saída de Itamar. No PDT, também há quem considere líquida e certa a filiação do governador. Observadores mais experientes recomendam prudência na análise. A trajetória política de Itamar é feita de idas e vindas, mas também de ameaças de rompimento que acabam não se concretizando. Em 1974, quando foi instado por Tancredo Neves a renunciar ao cargo de prefeito de Juiz de Fora para concorrer a uma vaga no Senado, Itamar resistiu até a ultimíssima hora, pois temia ficar sem mandato. Ameaçou continuar na prefeitura, mas acabou renunciando. Já quando formou chapa com Fernando Collor, fez o oposto. Ensaiou renunciar seis vezes durante a disputa, mas voltou atrás em todas elas. "Engana-se quem pensa que Itamar desistiu de ser candidato pelo PMDB", diz o deputado federal Hélio Costa, interlocutor dos mais freqüentes do governador mineiro. "A ida dele para o PDT e uma eventual chapa com Ciro Gomes são o nosso Plano B. E, como Plano B, só será assumido em último caso."

 
 
   
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