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Os fins justificam
os partidos
Itamar
ameaça trocar o PMDB pelo
PDT e estuda disputar a Presidência
ao lado de Ciro, do PPS
Depois de
levar um tranco da ala governista do PMDB e ser forçado a retirar
sua candidatura à presidência da legenda, Itamar mostrou
na semana passada ter adotado novamente sua postura política tradicional:
a ameaça. Até pouco tempo atrás, o PMDB era um partido
que só merecia elogios de Itamar. Agora que foi derrotado, fala
em abandonar a legenda. Ou seja, os fins justificam os partidos. Eleger-se
presidente da República, e conseqüentemente destruir o arquiinimigo
Fernando Henrique Cardoso, tornou-se uma meta a ser perseguida não
importa a sigla à qual tenha de se filiar. Pode ser o PL ou o PDT.
E por que não uma dobradinha com Ciro Gomes, do PPS? Aos 71 anos,
recém-completados no mês de junho, Itamar está numa
situação diferente da de Lula, Ciro Gomes e Anthony Garotinho.
Ele tem mais dificuldade em trabalhar com a idéia de adiar seus
planos eleitorais por mais quatro anos. Se vencer a corrida ao Palácio
do Planalto, assumirá a Presidência aos 72 anos. Se perder,
precisará concorrer novamente aos 76.
Na semana
passada, Itamar permaneceu em Minas Gerais, de onde articulava a realização
de dois encontros importantes com vistas a pavimentar as novas alternativas
partidárias caso venha a abandonar o PMDB. Um desses encontros
será com o patrono do PDT, Leonel Brizola, com quem falou todos
os dias por telefone. Em seguida, deverá estar com Ciro. Desde
o fim do ano passado, Brizola insiste numa aliança entre Itamar
e Ciro, considerada pelos mais entusiastas como uma arma poderosa. Na
última segunda-feira, Brizola discutiu o assunto num almoço
com Ciro. A matemática eleitoral do momento informa que uma das
vagas do segundo turno já está decidida, e pertence a Lula.
Restariam quatro candidaturas, a do governo, Ciro, Itamar e Garotinho,
para disputar a outra. Unidos numa chapa, Ciro e Itamar poderiam, pelo
menos em tese, aumentar suas chances de permanecer no jogo.
Infelizmente,
informam os especialistas mais céticos, a aritmética das
urnas não funciona do jeito que Itamar gostaria. Há muito
eleitor que prefere Itamar Franco porque deseja escolher um candidato
de oposição que não se chame Ciro. Há aqueles
que gostam de Ciro, mas odeiam Itamar. Por outro lado, alguns votam em
Lula por não identificar outra chapa de oposição
capaz de vencer o governo. Informados da fusão, estes eleitores
poderiam mudar de idéia. Ou seja, a chapa Itamar-Ciro pode resultar
em soma de votos, subtração, divisão ou até
multiplicação.
Fábio Motta/Ag. Estado
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Orlando Brito
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| Brizola,
patrono do PDT, e Collor, com Itamar: seis ameaças de abandonar
a chapa durante a campanha de 1989 |
No PMDB,
há uma ala que dá como inevitável a saída
de Itamar. No PDT, também há quem considere líquida
e certa a filiação do governador. Observadores mais experientes
recomendam prudência na análise. A trajetória política
de Itamar é feita de idas e vindas, mas também de ameaças
de rompimento que acabam não se concretizando. Em 1974, quando
foi instado por Tancredo Neves a renunciar ao cargo de prefeito de Juiz
de Fora para concorrer a uma vaga no Senado, Itamar resistiu até
a ultimíssima hora, pois temia ficar sem mandato. Ameaçou
continuar na prefeitura, mas acabou renunciando. Já quando formou
chapa com Fernando Collor, fez o oposto. Ensaiou renunciar seis vezes
durante a disputa, mas voltou atrás em todas elas. "Engana-se quem
pensa que Itamar desistiu de ser candidato pelo PMDB", diz o deputado
federal Hélio Costa, interlocutor dos mais freqüentes do governador
mineiro. "A ida dele para o PDT e uma eventual chapa com Ciro Gomes são
o nosso Plano B. E, como Plano B, só será assumido em último
caso."
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