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Jader
consegue respirar,
mas só um pouco
Senador festeja descoberta de
uma denúncia falsa
e tropeça
nas acusações consistentes
Alexandre
Oltramari
Ed Ferreira/AE
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| Jader
na tribuna: fazendo seu primeiro gol com uma denúncia falsa |
Depois
de 45 dias sem pisar em seu local de trabalho, o presidente licenciado
do Congresso Nacional, Jader Barbalho, voltou. Na semana passada, o senador
subiu à tribuna para se defender do emaranhado de suspeitas de
corrupção em que se enroscou. Durante 53 minutos, falando
de improviso, Jader dividiu sua defesa em três linhas. Primeiro,
tratou de denúncias que conseguiu responder e até desmoralizar.
É o caso de uma fita, na qual se atribuía a ele a cobrança
de uma propina de 5 milhões de dólares, que se revelou um
embuste. Em seguida, mencionou acusações sobre as quais
dá voltas, negaceia, tergiversa, desvia, rebola e não explica,
como o desfalque milionário no Banco do Pará. Por fim, há
as evidências que o senador ignora. Entre elas, está seu
patrimônio de, no mínimo, 30 milhões de reais, cuja
gênese Jader até hoje nem tentou explicar. Também
figuram entre as zonas de sombra que o senador ignora o sapeca ranário
de sua mulher, suspeito de desviar 9 milhões de reais de dinheiro
público, e seus encontros sigilosos com o maior fraudador da extinta
Sudam numa mansão em Brasília.
A reaparição de Jader Barbalho na semana passada se deveu
ao fato de que, pela primeira vez, o senador pôde marcar um gol
a seu favor: denunciar que fora acusado numa fita forjada. Nesse registro,
divulgado um mês atrás pela revista IstoÉ, aparecia
um deputado estadual do Amazonas, Mário Frota, conversando com
um empresário. No diálogo, Frota dizia a ele que só
poderia liberar dinheiro da extinta Sudam caso pagasse uma propina de
5 milhões de dólares e quem a estava cobrando era
Jader Barbalho. Assim que a "denúncia" foi publicada, Frota disse
que era uma farsa, que nunca tivera tal diálogo e que a voz na
gravação não era sua. Na sexta-feira passada, o perito
Ricardo Molina, contratado pelo Conselho de Ética do Senado para
analisar a fita, divulgou um laudo de 35 páginas e confirmou: de
fato, a voz não era de Mário Frota. Pior: descobriu-se que
seu próprio conteúdo a cobrança de propina
não passava de uma armação endereçada
a amadores.
Marcelo Brotero/ObritoNews
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| Romeu
Tuma: laudo do perito mostra fita forjada |
Aparentemente,
a voz pertence a um tal Nivaldo Marinho, que já trabalhou como
assessor do deputado Mário Frota. Em depoimento à Polícia
Federal na quarta-feira passada, antes que o laudo viesse a público,
Marinho confessou o embuste. Disse que ele próprio escreveu o texto
da propina e gravou tudo, tentando imitar a voz de seu ex-patrão.
Diz ainda que agiu por encomenda do deputado Pauderney Avelino, do PFL
do Amazonas, e do secretário de Obras do Amazonas, João
Coelho Braga mas ambos negam envolvimento com a história.
Pelo serviço, ganharia uma casa, porém recebeu apenas 12.000
reais. "Tudo indica realmente que a voz pertença a Nivaldo Marinho",
afirma Molina. Depois de montar a farsa, Marinho pegou a fita fraudada
e entregou-a à revista IstoÉ, que diz ter pedido
sua perícia para verificar se não havia montagem ou trechos
editados no diálogo, mas esqueceu-se de se certificar de que a
voz era realmente autêntica. Publicou a denúncia e reafirmou-a
nas três edições seguintes.
A idéia da tramóia, de acordo com o que Marinho disse à
PF, era ajudar Jader Barbalho, publicando uma denúncia falsa, e,
assim, tentar desqualificar as denúncias verdadeiras. Conseguiram
que um órgão de imprensa se esparramasse na patacoada, mas
não parece provável que tenham descredibilizado as denúncias
sólidas, sérias, consistentes. O discurso de Jader, feito
na última semana, é um exemplo disso. No caso de seu envolvimento
com o rombo do Banpará, ele bateu na mesma tecla de sempre, dizendo
ter um parecer do Banco Central no qual seu nome é excluído
da falcatrua. O parecer, de fato, existe, mas são montanhosas as
evidências de que o senador estava metido até as sobrancelhas
no desvio do Banpará. Há duas semanas, os documentos do
caso foram analisados pelo Ministério Público, que concluiu
que Jader e seus parentes desviaram 5,1 milhões de reais do Banpará.
O trabalho do Ministério Público é tão consistente
que, com base nele, o Supremo Tribunal Federal abriu inquérito
criminal contra Jader e mandou quebrar o sigilo bancário do senador
e sua turma.
José Paulo Lacerda/AE
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| O
senador Jefferson Pérez, membro do Conselho de Ética: de olho no desvio
do Banpará |
Enrolado
no desvio do Banpará, Jader tentou na última semana rebater
a acusação de que mentiu na tribuna do Senado o que
pode levar à cassação de seu mandato. Em discurso
pronunciado em 16 de abril passado, ele disse que a compra da empresa
Agropecuária Campo Maior, ocorrida em janeiro de 1998, foi devidamente
lançada no imposto de renda de sua Fazenda Rio Branco e
prometeu entregar cópia da declaração. Parece detalhe,
mas se trata de um caso relevante. Existem suspeitas de que o maior fraudador
da Sudam, José Osmar Borges, era dono apenas formal da Agropecuária
Campo Maior. Se o senador não declarou a aquisição
da agropecuária, ele mentiu no Senado, e, além disso, ainda
reforça as suspeitas de que usou o maior fraudador da extinta Sudam
como seu testa-de-ferro. VEJA teve acesso ao imposto de renda da Fazenda
Rio Branco e constatou que ali não existe nenhuma menção
à compra da Agropecuária Campo Maior. Apesar da evidência
documental, Jader insistiu na última semana que declarou o negócio
mas, mais uma vez, não apresentou a declaração
do imposto de renda.
Os
discursos de Jader Barbalho na tribuna do Senado são uma faca de
dois gumes. Se mentir, pode ser levado ao cadafalso. Mas também
têm a vantagem de que o senador fala, fala, fala e, como ninguém
faz apartes ou perguntas, ele só diz o que quer. Na semana passada,
por exemplo, o senador não deu um pio sobre seu espantoso enriquecimento
nos últimos trinta anos período no qual se dedicou
integralmente à política, mas, surpreendentemente, enriqueceu.
Também não disse palavra sobre a suspeita de que o ranário
de sua atual mulher, Márcia Cristina, desviou dinheiro da Sudam.
Sobre seus encontros secretos com Osmar Borges, magnata das fraudes da
Sudam, Jader igualmente não disse coisa alguma. A rigor, talvez
o senador até esteja certo em evitar esses assuntos. Afinal, ele
já tem imensas dificuldades em explicar as denúncias que
estão sendo investigadas pelos senadores Romeu Tuma e Jefferson
Pérez, membros do Conselho de Ética. Sendo assim, para que
complicar ainda mais?

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