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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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Chumbo grosso

Deputados divergem até na hora de
definir o
que fazer para melhorar
a imagem da Câmara

Vannildo Mendes

 
Denio Hurtado/AE
Aécio Neves, o presidente da Câmara: "Vou insistir nas mudanças"

Na semana passada, o deputado Aécio Neves, do PSDB mineiro, encerrou a lua-de-mel com seus pares, iniciada com sua eleição à presidência da Câmara, em fevereiro passado. Sua idéia de gastar 8,5 milhões de reais em publicidade para divulgar os trabalhos da Casa recebeu chumbo de todos os lados. O argumento central dos críticos é que a Câmara dispõe de uma estrutura de comunicação que conta com 120 profissionais diretos e outros oitenta terceirizados, que operam rádio, televisão, jornal e internet. O deputado alega que a população desconhece uma série de projetos aprovados pela Casa e, quanto ao dinheiro a ser gasto, lembra que cortou 133 milhões de reais em despesas desde que assumiu o cargo. O segundo bombardeio está no "pacote ético", um conjunto de medidas que Aécio Neves trabalha para sancionar. Na semana passada, uma comissão aprovou um Código de Ética e Decoro Parlamentar, mas reina a discórdia no ponto principal – o fim da imunidade parlamentar para crimes comuns.

"A campanha publicitária é importante para melhorar a imagem da Câmara, mas o fundamental é o pacote ético, a reforma tributária e a reforma política", diz o deputado. "Vou insistir nas mudanças, e, se para isso for necessário adiar a proposta da campanha de publicidade, a discussão está em aberto", completa. A grita contra a campanha tem um elemento forte de irracionalidade. Afinal, ninguém reclama dos mais de 400 milhões de reais que o governo federal e as estatais gastarão com propaganda neste ano. No caso do Congresso, porém, é preciso levar em conta que a imagem dos parlamentares anda tão ruim, especialmente em decorrência da sucessão de escândalos, que realizar uma campanha de publicidade neste momento fica parecendo uma tentativa de esconder a sujeira e evitar a faxina. "A campanha publicitária não é nenhuma aberração. O momento é que não é o mais apropriado", diz o deputado Jacques Wagner, representante da bancada do PT-BA. "As pessoas podem achar que a campanha é para justificar os trambiques."

 
Ed Ferreira/AE
O plenário da Câmara dos Deputados: racha no pacote ético

Entre os meios disponíveis para reparar a imagem do Parlamento, há outras saídas melhores. Na mesa da Câmara, existem 28 pedidos do Supremo Tribunal Federal para processar deputados, mas eles nunca saem da gaveta. Na Comissão de Constituição e Justiça, outros dez, e em oito deles os deputados são acusados de crimes comuns, que nada têm a ver com o exercício do mandato parlamentar, como fraude contra o sistema financeiro, estelionato, tráfico de influência, falsificação de documentos, corrupção e apropriação indébita. Nesse bolo, existem pedidos formulados pelo STF quase dez anos atrás. Se se colocassem esses pedidos em votação e a Justiça fosse autorizada a executar seu serviço, condenando ou inocentando os acusados, a Câmara estaria realizando um trabalho eficientíssimo para melhorar sua imagem entre os eleitores. E, para isso, não precisaria gastar um tostão a mais.

 
 
   
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