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Chumbo
grosso
Deputados divergem até na hora de
definir o que
fazer para melhorar
a imagem da Câmara
Vannildo
Mendes
Denio Hurtado/AE
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| Aécio
Neves, o presidente da Câmara: "Vou insistir nas mudanças" |
Na
semana passada, o deputado Aécio Neves, do PSDB mineiro, encerrou
a lua-de-mel com seus pares, iniciada com sua eleição à
presidência da Câmara, em fevereiro passado. Sua idéia
de gastar 8,5 milhões de reais em publicidade para divulgar os
trabalhos da Casa recebeu chumbo de todos os lados. O argumento central
dos críticos é que a Câmara dispõe de uma estrutura
de comunicação que conta com 120 profissionais diretos e
outros oitenta terceirizados, que operam rádio, televisão,
jornal e internet. O deputado alega que a população desconhece
uma série de projetos aprovados pela Casa e, quanto ao dinheiro
a ser gasto, lembra que cortou 133 milhões de reais em despesas
desde que assumiu o cargo. O segundo bombardeio está no "pacote
ético", um conjunto de medidas que Aécio Neves trabalha
para sancionar. Na semana passada, uma comissão aprovou um Código
de Ética e Decoro Parlamentar, mas reina a discórdia no
ponto principal o fim da imunidade parlamentar para crimes comuns.
"A
campanha publicitária é importante para melhorar a imagem
da Câmara, mas o fundamental é o pacote ético, a reforma
tributária e a reforma política", diz o deputado. "Vou insistir
nas mudanças, e, se para isso for necessário adiar a proposta
da campanha de publicidade, a discussão está em aberto",
completa. A grita contra a campanha tem um elemento forte de irracionalidade.
Afinal, ninguém reclama dos mais de 400 milhões de reais
que o governo federal e as estatais gastarão com propaganda neste
ano. No caso do Congresso, porém, é preciso levar em conta
que a imagem dos parlamentares anda tão ruim, especialmente em
decorrência da sucessão de escândalos, que realizar
uma campanha de publicidade neste momento fica parecendo uma tentativa
de esconder a sujeira e evitar a faxina. "A campanha publicitária
não é nenhuma aberração. O momento é
que não é o mais apropriado", diz o deputado Jacques Wagner,
representante da bancada do PT-BA. "As pessoas podem achar que a campanha
é para justificar os trambiques."
Ed Ferreira/AE
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| O
plenário da Câmara dos Deputados: racha no pacote ético |
Entre
os meios disponíveis para reparar a imagem do Parlamento, há
outras saídas melhores. Na mesa da Câmara, existem 28 pedidos
do Supremo Tribunal Federal para processar deputados, mas eles nunca saem
da gaveta. Na Comissão de Constituição e Justiça,
outros dez, e em oito deles os deputados são acusados de crimes
comuns, que nada têm a ver com o exercício do mandato parlamentar,
como fraude contra o sistema financeiro, estelionato, tráfico de
influência, falsificação de documentos, corrupção
e apropriação indébita. Nesse bolo, existem pedidos
formulados pelo STF quase dez anos atrás. Se se colocassem esses
pedidos em votação e a Justiça fosse autorizada a
executar seu serviço, condenando ou inocentando os acusados, a
Câmara estaria realizando um trabalho eficientíssimo para
melhorar sua imagem entre os eleitores. E, para isso, não precisaria
gastar um tostão a mais.
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