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| As características de cada raça de cão, como agressividade, agitação e reação diante das ordens, são transmitidas de geração para geração tanto quanto o formato das orelhas ou a cor do pêlo. É bom não se deixar levar pela aparência inofensiva dos filhotes. Compre apenas animais com pedigree |
Seguro-saúde Levar o cachorro ao psicólogo pode parecer um luxo excessivo mesmo para quem adora bichos. Mas a criação de qualquer animal, com os cuidados recomendados para sua espécie, sempre tem um preço. Uma consulta ao veterinário, em São Paulo e na maioria das grandes cidades, custa por volta de 40 reais. Os banhos em lojas especializadas variam de 15 a 40 reais, dependendo do tipo de pêlo do animal e dos cuidados que ele exigir. De vez em quando é preciso estar preparado para despesas extras. Se uma fêmea precisar de uma cesariana na hora do parto, por exemplo, o dono terá de pagar 350 reais. Em São Paulo, existe um seguro-saúde para animais, o Vet-Saúde, com 1100 clientes e uma rede de 180 clínicas e oitenta lojas credenciadas. A mensalidade varia de 30 a 70 reais. Para outros animais, como gatos e coelhos, os gastos são menores. Lembre-se: a pior falta de uma pessoa que leva um animal para casa é maltratá-lo. E isso inclui não dar o que ele precisa para viver da melhor forma possível.
Se você acha que pode cuidar bem de um animal e está disposto a gastar para mantê-lo em sua casa, o passo seguinte é escolher entre as dezenas de opções existentes a que mais combina com o seu temperamento. O futuro dono precisa saber o que realmente espera do animal. Quem prefere os cães e deseja um animal calmo e dócil, por exemplo, deve evitar o beagle, a raça do Snoopy das histórias em quadrinhos. O beagle tem a aparência simpática, mas é agitado e não costuma acatar ordens (confira fichário). Quem fica fora de casa a maior parte do tempo pode querer dar preferência a animais independentes, como os gatos, que enterram as próprias fezes e não se incomodam em passar o dia sozinhos. Saber se o animal que você escolheu terá o comportamento que se espera dele é fácil. No caso dos cães e dos gatos, basta comprar apenas animais com linhagem conhecida, o que pode ser feito através do pedigree.
Cuidado com as feras O pedigree é um atestado de procedência e garante mais do que as características físicas da raça. No caso dos cães, ele pode ser uma garantia de tranqüilidade. A agressividade, a agitação e a reação do animal diante das ordens são transmitidas de geração para geração tanto quanto o formato das orelhas ou a cor do pêlo. Quem quiser mais segurança sobre o comportamento de seu bicho deve procurar, além de conhecer a linhagem, saber detalhes a respeito dos pais e avós. (Filhos de animais agressivos tendem a ser mais agressivos ainda.) Procurar conhecer com antecedência as reações típicas da raça de sua preferência é importante. Ninguém compra um cão ou um gato adulto para ser seu animal de estimação. De um modo geral, compra-se o filhote. E todo filhote, até mesmo os dos leões e dos tigres, é gracioso. É preciso saber que, com a provável exceção do labrador, a mais dócil de todas as raças, todo cachorro pode morder. "Os cães já nascem com sua arma de defesa", diz Bruno Tausz, diretor da Confederação Brasileira de Cinofilia. "Sempre que se sentir acuado, usará os dentes para reagir." O que varia entre os cães é a freqüência com que a agressividade se manifesta e o grau de provocação que ele suporta antes de partir para o ataque. Quem prefere os gatos também precisa observar alguns detalhes. Algumas raças soltam mais pêlos do que as outras e devem ser evitadas por pessoas com tendências a alergia. Outras miam mais. "A certeza de que um animal não é descendente de cruzamentos que misturam raças é uma garantia de suas características", diz Inar Meirelles Pessoa, bióloga e presidente da Federação Felina Sul-Americana.
Certas raças de cães são extremamente perigosas, por mais que os criadores defendam sua boa índole. Além disso, alguns são grandes, fortes e ágeis. Cães como o dobermann ou o rottweiler, por exemplo, podem ferir gravemente ou até matar suas vítimas. Fuja deles. A mordida de um mastim napolitano chega a ter mais de 2 toneladas de pressão por centímetro quadrado, segundo o veterinário Bruno Tausz, da Confederação Brasileira de Cinofilia. Alguns amedrontam apenas pela aparência. Na semana passada, o jogador Romário não se importou com as testemunhas e escondeu-se num carro para fugir de um pit bull que passeava sem coleira diante do campo de treinos do Flamengo, no Rio de Janeiro. Romário já foi mordido por cachorros e sabe como isso dói. Ataques de cães ferozes acontecem com freqüência. Não se sabe qual das raças foi responsável por mais ataques entre os 114.000 casos de agressão registrados no ano passado pelo Departamento de Controle de Zoonoses da Secretaria da Saúde de São Paulo. A maioria dos ataques partiu de cães sem pedigree. Mas, para evitar surpresas, o mais recomendável é fugir dos que são considerados perigosos ainda que tenham o pedigree.
De olho na lei Outros animais não exigem o mesmo tipo de cuidado. Os gatos de raça, por exemplo, raramente atacam uma pessoa e quando fazem isso não causam mais do que arranhões. Além disso, não têm de ser levados para passear e só precisam de um ou dois banhos por mês. Os roedores dão menos trabalho ainda. Ao contrário dos gatos, que devem ser criados soltos, é recomendado que os coelhos, o hamster e a chinchila fiquem em gaiolas (do contrário, poderão roer os fios dos eletrodomésticos, os pés dos móveis e as plantas, ou mesmo fugir). O que o dono desses bichos não deve esperar é que eles retribuam o carinho recebido da forma como fazem os cães. Ainda assim, pode ser divertido criá-los. O hamster, aquele ratinho que se reproduz com rapidez impressionante (a fêmea tem uma gestação de apenas dezesseis dias e, em média, oito filhotes em cada ninhada), pode ser adestrado para fazer malabarismos na gaiola. Ele aprende, por exemplo, a brincar em roda-gigante e em escorregador. Também pode ser adestrado para andar num carrinho e tirar sua própria comida de um balcão colocado dentro da gaiola.
Existe um limite legal para a criação de animais dentro de casa. Alguns anos atrás, ameaçou ser moda a criação de iguanas, salamandras, serpentes e outros répteis. Muita gente ainda tem esses bichos repugnantes dentro de suas casas. Embora seja relativamente fácil encontrá-los em lojas de animais, a criação foi proibida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, o Ibama, em junho deste ano. Outra restrição é com relação às aves. Espécies originárias de outros países podem ser criadas no país. Mas as aves brasileiras, não. Também não é permitida a criação em cativeiro de nenhum animal silvestre brasileiro. A lei é severa. Quem criar espécies proibidas pode pegar de seis meses a um ano de cadeia e ainda pagar uma multa que variará de acordo com a quantidade de animais mantidos em cativeiro. Com tanto animal permitido no mercado, o melhor é não arriscar.
Kit básico para o animal
Fotos: Arthur Cavalieri/Strana/Fernando Torres/Julio Bernardes |
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