Poderosas peruas

Carros marcados pela falta de charme
ganham novo desenho e viram moda

Fotos: Lemyr Martins  

A Marea Weekend, que
a Fiat acaba de lançar,
e o Escort Wagon, da Ford
(acima): o carro familiar
é sinônimo de status e
também atrai os jovens

Os carros de família, aqueles que antigamente o marido comprava para a mulher levar as crianças à escola e fazer supermercado, saíram do purgatório dos automóveis sem charme e viraram sonho de consumo. As vendas no grupo das chamadas peruas, como Parati e Escort Wagon, registraram aumento de 7,5% no primeiro semestre deste ano, período em que a indústria automobilística em geral amargou redução de quase 20% na demanda. De 1995 para cá, enquanto a venda total de automóveis subia módicos 11,5%, a das peruas duplicou. A procura surpreendeu até as montadoras, que agora correm para cobrir o atraso. Do ano passado para cá, três novos modelos foram lançados e outros estão por vir, inclusive de indústrias que ainda se estão instalando no país, como Renault e Mercedes. Livres da imagem de carros de serviço e beneficiados por desenhos que modernizaram a aparência robusta e antiquada, os veículos familiares estão virando a cabeça inclusive dos jovens.

"Como a escolha de um carro é muito emocional, baseada na imagem que ele provoca nas outras pessoas, esse tipo de veículo era deixado de lado pelo consumidor que queria status. Isso não acontece mais", diz o engenheiro Carlos Henrique Ferreira, assessor técnico da Fiat. Há um mês, a montadora lançou simultaneamente no mercado brasileiro o sedã Marea e a sua versão familiar, a Marea Weekend. Normalmente, a perua chegaria às concessionárias pelo menos um ano depois do sedã, mas a Fiat decidiu arriscar com base nos resultados europeus: lançada lá no final de 1996, a Marea Weekend já vende duas vezes mais que o sedã. Aqui, por ainda ser importada em número limitado, já tem fila de espera e ágio nas concessionárias.

Picapes Dodge Dakota, da Chrysler, e L200, da Mitsubishi
(acima, à dir.): aposta

Lição aprendida — "As escolhas do consumidor brasileiro estão se aproximando das do motorista europeu e americano", afirma Sérgio Reze, presidente da Fenabrave, que reúne as distribuidoras de carros. Outro indício dessa globalização de preferências é a popularidade da picape, a simplória caminhonete de carga nas áreas rurais, que ganhou beleza e conforto e invadiu as cidades — nos últimos três anos, as vendas cresceram 20%. Nos Estados Unidos, os três veículos mais vendidos no ano passado foram picapes, uma lição que Chrysler e Mitsubishi, recém-chegadas ao Brasil, assimilaram muito bem. A fábrica que a Chrysler inaugurou há duas semanas, no Paraná, vai montar a picape Dodge Dakota. A Mitsubishi, por sua vez, aposta na L200, menina dos olhos da nova fábrica que está instalando em Goiás.

Franco Iacomini




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