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O rei das pistas
Schumacher
assina contrato de estrela para
permanecer na Ferrari mais quatro anos
O piloto alemão Michael Schumacher
poderá, se quiser, pendurar o capacete e encostar o
carro na sombra ao final do campeonato de Fórmula 1 de
2002. E com os bolsos recheados: ele acaba de renovar seu
contrato com a equipe Ferrari por quatro anos, com
salário anual de 35,6 milhões de dólares (seis vezes
mais que o jogador Ronaldinho). Somada aos 20 milhões de
dólares por ano que tira por fora, com contratos de
publicidade, a bolada faz Schumacher subir duas
posições e ficar em segundo lugar na lista dos atletas
mais bem pagos do mundo (veja quadro ao lado). A
liberalidade da Ferrari se justifica. Com todo o seu peso
de lenda das pistas e legiões de fãs espalhadas pelo
mundo, a equipe italiana não ganha um título há
dezenove anos. A renegociação antecipada de um contrato
que só acabaria em 1999 garante no seu volante o melhor
piloto da atualidade.
Aos 29 anos, o
bicampeão Schumacher é um furacão de talento na
modorrenta safra de corredores das últimas temporadas da
Fórmula 1, um palco multimilionário e ultraconcorrido
em que carros e pilotos ficam cada dia mais previsíveis.
Que o diga a equipe Williams. Dona de um carro perfeito e
piloto nem tanto (o canadense Jacques Villeneuve), a
Williams ganhou a duras penas o campeonato de 1997,
assombrada ponto a ponto pela menos potente, mas muito
mais bem conduzida, Ferrari de Schumacher. Neste ano,
ainda espremido em um carro tecnicamente inferior, o
mesmo Schumacher soprou o pescoço de Mika Hakkinen,
piloto da máquina da vez, a McLaren, até ultrapassá-lo
na liderança do campeonato ao vencer, no domingo 12, o
Grande Prêmio da Inglaterra. Vitória polêmica, como é
seu costume. Punido por uma infração com parada de dez
segundos no box, deixou para fazê-lo depois de cruzar a
linha de chegada, usando uma brecha nas regras das
corridas. A McLaren protestou, e o caso está sendo
avaliado na Justiça esportiva.
Ao contrário dos
mornos colegas, Schumacher faz o gênero dono do
espetáculo, aquele que consegue, no braço, injetar
espírito competitivo em cada prova e, com isso, levantar
a platéia. Foi o único piloto a ameaçar o reinado do
tricampeão Ayrton Senna em 1994, quando Senna
morreu, o alemão tinha ganho os dois grandes prêmios do
ano, e ainda nem completara três anos de Fórmula 1.
Como é praxe entre campeões, Schumacher derrapa na
ética ao se empenhar por mais pontos no campeonato.
Acusado muitas vezes de "antiesportista", em
1994 jogou seu carro contra o de Damon Hill, impedindo o
inglês de completar o circuito de Adelaide, na
Austrália, o último da temporada. Perdeu o respeito de
vários colegas, mas ganhou o campeonato. No ano passado,
usou uma manobra semelhante para tentar tirar da disputa
o concorrente Jacques Villeneuve. Desta vez, se deu mal:
foi Schumacher quem saiu, e o canadense Villeneuve ficou
com o título de campeão. Por mais condenável que seja,
a tática, digamos, de empurrar o adversário para fora
da pista faz parte do show. Senna e o tetracampeão
francês Alain Prost usaram do mesmo artifício. Só que
sem a monumental recompensa financeira de Schumacher.

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