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Bilionários virtuais
Os
pioneiros da Internet entram em tempo recorde
na lista dos homens mais ricos do mundo
Eduardo
Nunomura
Em 1994, quando
muita gente ainda achava que a Internet não daria
dinheiro a curto prazo, o americano Jeff Bezos resolveu
abrir um negócio nesse ramo. Escolheu os livros,
mercadoria fácil de entregar, com muita variedade e
ainda inexplorada pelos vendedores virtuais. Abandonou
seu emprego como executivo financeiro em Wall Street,
mudou-se com a mulher para Seattle, uma cidade mais
barata do que Nova York, e começou a trabalhar. De lá
para cá, a Amazon.com tornou-se a maior livraria
virtual do mundo. Aos 34 anos, Bezos é hoje um homem
rico. Mais do que isso. Sua parte nas ações da
companhia estava avaliada em Wall Street na casa do
bilhão de dólares. Nas últimas seis semanas, a fortuna
de Bezos mais que duplicou. Com a subida das cotações,
chegou aos 2,4 bilhões de dólares. Ele não é o único
a multiplicar sua fortuna como um meteoro. Dois jovens
empresários, David Filo e Jerry Yang, os principais
sócios do Yahoo!, maior site de busca de endereços na
Internet, também viram seu patrimônio pessoal
ultrapassar a marca do primeiro bilhão de dólares.
Outros estão no mesmo caminho. Steve Case, dono da
America Online, um dos primeiros provedores de acesso à
Internet, já acumulou um quarto de bilhão em menos de
quatro anos.
"Antes de
1995, eu nem sabia direito o que era a Internet",
diz Jeff Bezos, da Amazon.com. Agora, ele sabe. Em apenas
cinco anos de funcionamento, a rede mundial já é
utilizada por 130 milhões de pessoas. Em julho de 1995,
havia cerca de 6,6 milhões de centrais de computação
para ligar os usuários do mundo inteiro. Em janeiro
deste ano, eram 29,7 milhões. Além de permitir
conversas virtuais e troca de mensagens eletrônicas,
entre outros serviços, a Internet tornou-se o mais
promissor balcão de negócios de todos os tempos. As
vendas ao público das pequenas empresas por meio da rede
atingiram 3,5 bilhões de dólares no ano passado. Pelo
ritmo atual de crescimento, no ano 2.000 elas poderão
chegar a 25 bilhões (veja quadro abaixo). Os
negócios somente entre empresas também estão
disparando. Como é mais fácil comparar preços na
Internet, muitas grandes companhias buscam fornecedores e
serviços pela rede. Neste ano, estima-se que farão 16
bilhões de dólares em compras na Internet, quase três
vezes mais que no ano passado.

Ninguém duvida
mais da capacidade da Internet de fazer dinheiro. Não
só faz, como é o meio mais rápido de construir
fortunas de todos os tempos. No final do século passado,
John D. Rockefeller, fundador da Standard Oil, que fez
seu império controlando 90% das vendas de petróleo do
mundo em sua época, só chegou ao seu primeiro bilhão
de dólares aos 74 anos de idade. Outro famoso magnata
americano, o empresário Sam Walton, que se tornou o
homem mais rico do planeta com a cadeia de lojas de
desconto Wal-Mart, atingiu essa marca aos 57 anos de
idade. Os super-ricos vêm surgindo cada vez mais cedo.
Warren Buffet, maior investidor das bolsas americanas,
tornou-se bilionário aos 53 anos. Bill Gates, o rei da
tecnologia da computação, fez seu primeiro bilhão aos
31 anos. Jerry Yang, do Yahoo!, tem apenas 29. Isso não
significa que ficar rico com a Internet seja fácil. É
verdade que não é preciso grande capital inicial, uma
boa idéia é sempre o que vale mais. No entanto, há uma
grande batalha: vencer a concorrência. Como na Internet
qualquer um pode montar um negócio por uma ninharia, é
grande a probabilidade de que um novo site ou serviço
fique perdido no meio da multidão.
Num trailer
Essa foi a grande vantagem de Bezos e dos
novos milionários da Internet: eles chegaram primeiro.
Há quatro anos, David Filo catalogava páginas da
Internet como passatempo. Logo percebeu que aquilo podia
interessar a milhares de pessoas que não sabiam onde
encontrar na rede os endereços de que precisavam.
Juntou-se ao colega Jerry Yang, que também fazia o seu
Jerry's Guide to the World Wide Web, para desenvolver um
programa de localização dos sites da Internet. Passaram
a procurar informações para aumentar sua base de dados
dentro de um trailer, equipado com dois computadores, no
campus da Universidade Stanford. O Yahoo! tornou-se o
site mais popular da Internet. Hoje, possui mais de 30
milhões de visitantes por mês, que o consultam de
graça o dinheiro do faturamento vem dos
patrocinadores das páginas. Os dois sócios, que
lançaram ações da empresa em bolsa para captar
recursos de investimento, possuem apenas 25% da
companhia. Pelas cotações da semana passada, ambos
tinham em carteira cerca de 1,1 bilhão de dólares cada
um.
O caso de Steve
Case, da America Online, é parecido. No começo, a
America Online era uma central de computação fechada,
para um número limitado de clientes. Depois, Case
percebeu que ganharia muito mais dinheiro se utilizasse
suas máquinas para permitir o acesso à Internet do
público em geral. Hoje é o maior provedor americano,
com patrimônio pessoal estimado em 253 milhões de
dólares. Nos Estados Unidos, empresas de serviço na
Internet são criadas rapidamente, com a ajuda de
empresários dispostos a bancar projetos de jovens
recém-saídos da faculdade. Em poucos meses, elas podem
ganhar visibilidade global graças à rede, atraem
anunciantes e lançam ações na bolsa num processo
vertiginoso. As empresas virtuais surgem a uma velocidade
incrível. Uma vez tendo atingido o sucesso, quando
lançam suas ações no mercado podem seguir crescendo em
alta velocidade, como a Yahoo!, ou ter suas ações
variando de cotação, entre altos e baixos. Marc
Andreessen, criador do programa Netscape, que se tornou o
navegador mais popular da rede, ficou milionário depois
de se juntar ao empresário Jim Clark. Em agosto de 1995,
as ações da Netscape foram lançadas no mercado por 28
dólares e em poucos minutos de pregão chegaram a 74.
Nos meses seguintes, bateram nos 140 dólares e
transformaram Andreessen num multimilionário. Com a
competição do programa Explorer da Microsoft, contudo,
as cotações da Netscape voltaram a cair. Na semana
passada, suas ações estavam em 33 dólares.
O lado curioso dos
empresários da Internet é que ganharam dinheiro tão
rápido que a maior parte deles ainda vive do mesmo jeito
que antes. Jeff Bezos mora com sua esposa em um pequeno
apartamento alugado, dirige um Honda Accord e trabalha
num escritório reformado com vista para uma casa de
penhores e uma loja de perucas. Sua mesa é uma porta
reciclada. Os rapazes do Yahoo! são mais do que
espartanos. A janela da sala de Jerry Yang dá para um
estacionamento. David Filo está sempre de camiseta e
calça jeans. Muitas vezes trabalha descalço, passa dias
sem sair do escritório e dorme no chão acarpetado
debaixo da mesa de trabalho, dividindo espaço com meias,
roupas e livros. Seu computador, sem marca, é uma
velharia. "Dá muito trabalho ficar atualizando a
máquina", diz ele. Para ambos, ter 1 bilhão de
dólares no bolso significa apenas uma coisa. "Eu
sinceramente não posso dizer que o sucesso do Yahoo!
mudou minha vida", afirma Yang. "Exceto pelo
fato de que agora eu penso muito mais sobre
impostos."
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