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"Tenho
certeza: não morrerei de diabetes" Uriel Maldonado, empresário de 70 anos, diabético desde os 56 |
| Foto: Frederic Jean |
O diabetes é um mal que avança lenta e
silenciosamente. Quando os primeiros sintomas aparecem,
entre sete e dez anos depois do início da enfermidade,
pode ser tarde demais. Cegueira, amputação dos pés e
das pernas, infarto, derrame, insuficiência renal,
paralisia e impotência sexual são alguns dos males
associados à doença. Não há cura, mas nenhum
diabético está condenado a sofrer essas
conseqüências. É possível manter o diabetes sob
controle. Possível, e, no entanto, não é o que
acontece. Quarta causa de morte no mundo, o diabetes mata
quase 3 milhões de pessoas por ano. No Brasil, dos 9
milhões de diabéticos, apenas metade sabe que está
doente. Deles, 23% não se tratam. O resultado é que o
país ainda perde 24.000 vidas por ano por causa do mal
(veja quadro). É por isso que a Federação Nacional de
Associações de Diabéticos, a Fenad, resolveu
estabelecer o dia 19 de julho como dia da campanha para
prevenção do diabetes. No domingo, em 85 cidades de
dezesseis Estados, devem ser realizados cerca de 120.000
testes para o diagnóstico da doença. "A detecção
precoce e a educação do paciente mudam o curso da
doença", diz o endocrinologista Fadlo Fraige Filho,
presidente da Fenad. A prevenção reduz em 80% os riscos
de cegueira, em 50% as chances de insuficiência renal e
em 35% a ocorrência de problemas cardiovasculares.
O diabetes assume proporções epidêmicas. Em 1990, segundo a Organização Mundial de Saúde, os doentes somavam 80 milhões de pessoas no mundo. Hoje são 135 milhões. No ano 2000, estima-se, eles serão 160 milhões. Cresce sobretudo o número de diabéticos do tipo 2, categoria que acomete nove em dez pacientes e que está associada aos maus hábitos da vida moderna, como o sedentarismo, o stress e as dietas repletas de gorduras. Esses fatores não causam já se sabe que as causas são genéticas mas disparam o gatilho da doença. O ideal, para a prevenção, é que parentes de diabéticos, obesos, hipertensos e pessoas com taxas elevadas de gordura no sangue se submetam a cada seis meses aos testes de glicemia, que determinam os níveis de açúcar na corrente sanguínea. Quem não se encaixa nesse perfil de risco pode fazer o exame a cada dois anos.
Picadas O diabetes é uma doença que começa no pâncreas, que se torna incapaz de produzir o hormônio insulina nas quantidades necessárias para promover a absorção do açúcar. O primeiro resultado dessa disfunção do pâncreas é o aumento dos níveis de açúcar no sangue, e é isso o que os testes aferem. Diagnosticada a doença, começa o tratamento, que é muito rigoroso. Quando o problema ainda não atingiu outros órgãos, em geral basta uma dieta alimentar, prática de exercícios físicos e medicação oral para conter a evolução dos sintomas. Depois de cinco anos, no entanto, metade dos pacientes já é obrigada a recorrer também às injeções de insulina sintética. São tratamentos que, seguidos à risca, garantem ao paciente qualidade de vida.
Desde a descoberta da insulina, em 1921, o tratamento do diabetes avançou muito. O hormônio, antes de origem animal, hoje é fabricado por técnicas de engenharia genética e ficou idêntico ao produzido pelo pâncreas humano. Mais finas, as agulhas agora já não machucam tanto. Até o final do ano, deve ser aprovada a primeira insulina em pó. Inalável sob a forma de spray, representará o fim das agulhadas.
O empresário paulista Uriel Maldonado, de 70 anos, foi diagnosticado como diabético há catorze anos. Sabe que o preço da saúde é a eterna vigilância. Faz os exames de glicemia três vezes por dia. Ex-corretor da bolsa de valores, desde a doença passou a caminhar uma hora por dia. Come de tudo com parcimônia e pica-se duas a três vezes por dia para regularizar seu estoque de insulina. "Nada disso atrapalha a minha vida", garante. "Sou diabético, mas não morrerei de diabetes."
Karina Pastore
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