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![]() Fotos: Frederic Jean |
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| O hotel Llao Llao recuperado e a estação de esqui com nova tecnologia: idéia simples, muito investimento e turistas de volta | |
Durante muito tempo havia tantos brasileiros deslizando (ou se esborrachando) nas pistas de esqui, passeando nos lagos de águas glaciais e comendo javali e fondue nos restaurantes de Bariloche que a cidade argentina ficou conhecida como Brasiloche. O apelido valeu até o início dos anos 90, quando os brasileiros loucos por neve descobriram que as pistas de Las Leñas, também na Argentina, e de Valle Nevado e Chillán, no Chile, eram mais modernas e espaçosas que as de Bariloche. Na virada da década, o número de turistas brasileiros caiu pela metade. Bariloche sentiu o golpe, mas levantou, sacudiu a neve e deu a volta pelo topo. Empresários e prefeitura se uniram e investiram na melhoria dos hotéis e na modernização das pistas. Saíram, então, a campo para divulgar seus feitos aos brasileiros. Suaram o casaco e agora têm resultados a apresentar: nestas férias de inverno, os 32000 brasileiros que visitarão Bariloche correspondem à metade de todos os estrangeiros que passarão por lá e a um terço da população permanente da cidade. Os hotéis estão lotados e praticamente não há lugar nos vôos que partem do Brasil. Os pacotes de uma semana, com passagem aérea e hotel, custam cerca de 1.400 reais.
"Tínhamos abandonado os brasileiros", reconhece Hector Guillermo Barberis, presidente da Câmara de Turismo de Bariloche. "Antes, eles vinham naturalmente. Com a concorrência deixaram de aparecer e nós tivemos de correr atrás." A virada começou em 1991. A recém-criada Emprotur estabeleceu metas e obrigou todos os empresários do setor de turismo a contribuir para os projetos da entidade, com mensalidades de até 100 dólares por mês. "Com o nosso plano, até 1999 pretendemos duplicar o número de visitantes brasileiros", afirma o secretário de Turismo, Angel Rovira Bosch. A verba arrecadada foi usada em publicidade e promoções com agentes de viagens brasileiros e em parcerias com as companhias aéreas. Em 1996 os vôos diretos entre Brasil e Bariloche, na temporada de inverno, eram apenas treze. Neste ano serão 135 dez vezes mais. No total, incluindo os que fazem escala em Buenos Aires, há 280 vôos partindo de cidades brasileiras para Bariloche nesta temporada.
Novos passeios Os brasileiros estão preparando luvas e gorros não apenas porque foram fisgados pelos slogans publicitários, mas porque existem novos e bons motivos para redescobrir Bariloche. Vários hotéis passaram por reformas e ampliações. O Llao Llao, o mais tradicional, foi comprado pelo superinvestidor húngaro George Soros. Ainda com as charmosas paredes revestidas de madeira de ciprestes, originais da década de 30, quando foi erguido sobre um monte rodeado de lagos e picos nevados, o hotel agora conta com spa e campo de golfe. A diária mais em conta no Llao Llao sai por 155 dólares. A oferta de leitos em Bariloche aumentou 65% nos últimos dez anos, chegando nesta temporada a um total de 25.000. Os argentinos pensaram ainda em ampliar a variedade de atrações para conquistar também aqueles que não pretendem esquiar o dia inteiro, todos os dias. Aos esportes na neve foram acrescidos vôos duplos de paraglider, descida de rios em botes infláveis, trilhas para mountain bike e caminhadas e mais passeios de barco, com novos destinos além da bela Ilha Victoria, com suas lagunas e o famoso bosque de arrayanes, as árvores de tronco cor de canela que teriam inspirado a Disney na ambientação do desenho animado Bambi. Os novos passeios tornaram mais acessíveis as principais riquezas da região: a beleza de suas montanhas, lagos e bosques.
Tudo isso, porém, talvez tivesse passado
despercebido, não fossem as mudanças realizadas em
Cerro Catedral, a estação de esqui que fica a 20
quilômetros de Bariloche. Em temporadas anteriores, os
esquiadores tinham de aguardar em filas de até uma hora
para subir ao topo das pistas pelos teleféricos e, pior,
dividi-las com os pedestres. Os meios de elevação eram
os mesmos desde o final da década de 70. Isso foi
espantando os mais aficionados. No ano passado, a
Companhia Alta Patagônia comprou a estação e investiu
25 milhões de dólares em sua modernização. Três
novas linhas de cadeirinhas suspensas foram montadas,
sendo uma delas fechada e com capacidade para seis
esquiadores. Os administradores prometem "fila
zero" neste ano. A parte da montanha destinada à
prática do esqui agora é exclusiva dos esportistas.
Quem quiser apenas chafurdar-se na neve macia e
branquíssima do alto das montanhas tem de tomar outros
caminhos não menos deslumbrantes, é bom que se
diga.
Agora, a estação conta também com sessenta canhões para fabricação artificial de neve. Esses equipamentos prometem resolver um antigo problema de Cerro Catedral, a falta de neve nas partes mais baixas da montanha. "Com os canhões, os esquiadores poderão sempre descer do topo até a base da estação", garante Juan Pablo Reynal, diretor comercial da Companhia Alta Patagônia. Reynal conta que a compra da estação de esqui já foi feita com o objetivo de transformá-la na maior e com a melhor tecnologia da América do Sul, tendo como meta atrair o público brasileiro. "É a nossa clientela com maior capacidade de crescimento", diz. Apenas neste ano, suas equipes de venda fizeram onze visitas ao Brasil para divulgação. "Apresentamos a estação como um novo produto", afirma Reynal, um dos empresários engajados nesse projeto simples, mas levado a sério, que conseguiu reerguer uma cidade turística: oferecer neve a um país tropical.
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