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Preservação Ele tem a forçaUm passarinho interrompe obra de represa no Paraná
Um passarinho de 10 centímetros, 15 gramas e que raramente alça vôo acaba de obrigar o governo do Paraná a suspender a obra de uma represa de 27 milhões de reais, vital para o abastecimento de água da região metropolitana de Curitiba. Habitante da área que seria alagada pelo represamento do Rio Iraí, no município de Pinhais, o macuquinho-da-várzea é uma espécie ainda não descrita pela ciência, descoberta há pouco mais de um ano. Com população total de 500 exemplares, segundo estimativa de pesquisadores, essas aves são encontradas em apenas três regiões do Paraná. Uma delas é o trecho destinado à futura represa. Os ecologistas alegam que, com a inundação, muitos passarinhos poderiam morrer por falta de alimento e pela destruição de seus ninhos. Pressionado, o governo do Paraná interrompeu a obra até encontrar uma área vizinha em condições de ser transformada em reserva ambiental. Quando isso acontecer, os macuquinhos que forem capturados antes do alagamento serão transferidos para o novo parque onde, espera-se, voem a salvo.
A decisão do governo paranaense foi tomada em junho, depois que o Banco Mundial, Bird, teve conhecimento da ameaça aos macuquinhos. O banco financia 47% do preço da barragem, que vai alagar uma área de 1.400 hectares. A equipe do Bird ficou sabendo da história por meio de reportagens nas televisões e jornais americanos e japoneses. Além da pressão do banco, ambientalistas brasileiros colocaram o assunto na Internet e pediram que as pessoas comovidas pelo drama dos bichinhos mandassem uma carta-modelo, por correio eletrônico, para o governo do Paraná. Em um mês, chegaram 300 mensagens. Como os macuquinhos vivem escondidos no meio do capim em áreas de banhado e nunca alçam vôos longos, os cientistas acreditam que eles, sozinhos, não seriam capazes de escapar da inundação para outra área segura. Sua captura para transferência também é muito difícil. Até agora apenas quatro exemplares foram pegos. Como a ave se alimenta de insetos, não pode ser mantida muito tempo em gaiola. Uma comissão de especialistas está trabalhando para definir um local seguro e apropriado à preservação para, depois, dar início ao resgate dos passarinhos.
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