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Argentina A terceira ondaCarlos
Menem abre o jogo e começa Um presidente desgastado depois de nove anos no poder e com índices de popularidade abaixo dos 16% deveria estar falando em se aposentar. Seria, em tese, o mais sensato. Essa lógica não se aplica a Carlos Menem. Aos 68 anos e dono de insaciável apetite pelo poder, está longe de se recolher. O presidente argentino abriu oficialmente, na quarta-feira passada, a campanha pelo direito de concorrer a um terceiro mandato nas eleições de 1999. O anúncio foi discreto, em entrevista na televisão, mas bastou para eletrizar a Argentina. Para uma nova candidatura será preciso dar um nó na Constituição, que ele reformou para conceder a si próprio o direito da reeleição, mas que proíbe um terceiro período. Se corre o risco é porque, apesar de castigado nas eleições parlamentares de outubro, ele continua sendo o eixo principal da política argentina. Tanto que, em reunião do Partido Justicialista (peronista), na sexta-feira, os correligionários de Menem decidiram tomar todas as medidas disponíveis para lhe garantir a possibilidade da nova reeleição. Seu único adversário sério é outro peronista, seu ex-vice Eduardo Duhalde, governador da província de Buenos Aires. Pré-candidato à Presidência, Duhalde convocou uma consulta regional sobre a segunda reeleição. Estima-se que a idéia seja rejeitada por 70% dos eleitores. A consulta não terá outra utilidade além de fornecer munição aos inimigos de Menem. Disputa no tapetão A verdadeira batalha entre os dois será no interior do peronismo, na convenção que apontará o candidato presidencial. A escolha dependerá, então, de política de bastidores, uma especialidade de Menem. No Congresso, sem maioria, o presidente tem poucas chances de obter uma reforma constitucional. Seu trunfo reside na Suprema Corte, apinhada de juízes fiéis. É a mesma estratégia do peruano Alberto Fujimori, que também mudou a lei para se reeleger e agora quer ganhar no tapetão o direito de continuar presidente no próximo século. Alarmados, os oposicionistas argentinos convocaram uma mobilização cívica em defesa da Constituição. Está difícil, contudo, encontrar quem possa impedir que Menem habite a Casa Rosada pelo tempo que quiser. A influência de Duhalde tem limites regionais e a oposição no Congresso se resume a duas vertentes frágeis. À frente da coalizão de esquerda Frepaso está a deputada estreante Graciela Meijide, de 67 anos, que admite nada entender de economia ou diplomacia. Já a União Cívica Radical remete a Raúl Alfonsín, o odiado presidente que mergulhou a Argentina na hiperinflação. Nesse quesito, Menem ainda é o salvador da pátria.
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