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Calote geral
O Papatudo
não paga prêmios
mas continua a ser vendido
O Papatudo é um fenômeno de
sobrevivência. Lançado cinco anos atrás como uma
espécie de bingo pela TV, tendo a apresentadora Xuxa
como garota-propaganda, chegou a vender mais de 300
milhões de reais por ano em cartelas. A situação hoje
é outra. Há cinco meses o produto não é anunciado na
TV por falta de dinheiro. Contabiliza um rombo de quase
100 milhões de reais em suas reservas de garantia e
desde janeiro vem atrasando o pagamento dos prêmios e
dos resgates dos títulos de capitalização. Há 2.000
aparelhos de televisão sorteados e não entregues. Os
Correios são credores de 10 milhões de reais referentes
aos resgates dos títulos efetuados mas não cobertos
pelo Papatudo. Fora os que imaginaram ter tirado a sorte
grande e, mais tarde, descobriram estar com um problema e
não com dinheiro nas mãos. O fluminense Feliciano
Guedes Filho, de 74 anos, foi sorteado em 150.000 reais
em janeiro. Já acionou o Papatudo na Justiça, mas até
hoje não recebeu um tostão. Ainda assim, o Papatudo
segue vendendo cerca de 2 milhões de cartelas todos os
meses.
O Papatudo está
há dois anos sob intervenção da Superintendência de
Seguros Privados, a Susep, órgão do governo que
fiscaliza as empresas de capitalização. Apesar do
calote, a Susep considera que não deve liquidar a
empresa. Acha que se isso ocorrer será pior para os
credores porque a dívida levaria muito mais tempo para
ser paga. Também não admite suspender a venda dos
títulos, porque isso dificultaria que se levantassem os
recursos para o pagamento das dívidas. Na semana
passada, o Papatudo sofreu um novo revés. A Caixa
Econômica Federal cancelou o contrato de distribuição
do produto pelas casas lotéricas. Jessé da Silva,
presidente da Interunion, empresa que controla o
Papatudo, garante que a solução para tantos problemas
está próxima. "Estamos negociando uma
saída", afirma ele. Tomara que não seja uma saída
à francesa.

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