Remédios

O reincidente

Vendeu remédio falso depois do alerta das autoridades

Ação Distribuidora:
Androcur falsificado
foi para o hospital
Foto: Eugenio Savio  

Acirra-se o cerco à máfia dos remédios falsos. Com o fechamento, na semana passada, da Ação Distribuidora de Medicamentos, de Belo Horizonte, surgiram indícios de que o proprietário da empresa, José Celso Machado de Castro, apesar de ter sido alertado, continuou a vender remédio falso. Inspetores da Vigilância Sanitária e da Polícia Federal encontraram uma nota fiscal de 19 de fevereiro referente à venda de quarenta caixas do anticancerígeno Androcur ao Hospital Ibiapaba, no interior de Minas Gerais. Todos os frascos pertenciam ao lote 351, falsificado, que nunca foi produzido pelo laboratório Schering do Brasil. A situação de Castro é complicada. Três dias antes, em 16 de fevereiro, foram descobertas 400 caixas de Androcur fajuto armazenadas no almoxarifado da distribuidora, e Castro foi indiciado por venda de medicamento falso. Ou seja, a Ação manteve a venda do remédio mesmo depois de saber que o produto era falsificado. Usado no combate ao câncer de próstata, o Androcur 351 pode ter causado a morte de pelo menos cinco homens.

Castro alega que as quarenta caixas do medicamento não pertenciam ao lote interditado pela Vigilância Sanitária. Mas que vieram de uma encomenda devolvida por um cliente. Quem? Ele não revela. A Maria Goretti Martins, diretora da Vigilância Sanitária, Castro disse que a venda ao hospital foi realizada por engano pelo setor de telemarketing da Ação. Para Nalu Ferreira, farmacêutica do Hospital Ibiapaba, ele disse que o engano seria do estoquista da distribuidora.

Soro mofado — Além da Ação, foram fechadas outras dez distribuidoras de seis Estados, sete farmácias no Rio de Janeiro, em Pernambuco e Minas Gerais e dois laboratórios clandestinos. Em Belo Horizonte, o Endoterápica produzia medicamentos injetáveis em um área aberta, sem monitoramento da qualidade do ar. Em Curitiba, os policiais encontraram soro fisiológico mofado na Hospifar Comércio de Produtos Médicos. E não param de surgir novas denúncias de remédios falsos sendo comercializados como se fossem verdadeiros. A partir dessas denúncias, também vai ficando mais constrangedor o comportamento de alguns laboratórios, que demoram para denunciar a fraude de seus produtos. O Merck do Brasil demorou dezessete dias para avisar sobre a falsificação de uma caixa do lote 97045 do multivitamínico Citoneurin 5.000. Depois do alerta (tardio) do laboratório, já apareceram quatro usuários alegando ter consumido o remédio falso. O Citoneurin é usado no tratamento de nevralgias e dores reumáticas. Na sexta-feira passada, a Secretaria Estadual do Rio de Janeiro proibiu a venda do medicamento em todo o Estado.




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