Transporte

Medo nas estradas

Transportadoras investem pesado em
segurança para se defender dos ladrões de carga

O caminhão e a
segurança: dez
pessoas na
escolta Brasil
Foto: Claudio Rossi  

Os ladrões nunca assaltaram tanto caminhão como agora. No ano passado foram roubados 270 milhões de reais em mercadorias nas estradas. A estimativa das entidades do setor de transportes é que neste ano o prejuízo chegue a 320 milhões de reais. Há em média dez assaltos a caminhões por dia. O volume de cargas roubadas triplicou desde 1994. O Brasil transporta 62% de toda a sua carga por estradas, num total de 1,6 milhão de caminhões trafegando pelo país. Alguns carregam caixas de banana ou coco, sem valor algum, mas outros levam remédios, cigarros e equipamento eletrônico, cargas avaliadas em até 5 milhões de reais por viagem. Independentemente do valor transportado, todos os caminhões rodam em baixa velocidade nas subidas e param em postos de beira de estrada para que o caminhoneiro se alimente, tome banho e repouse. É nessa hora que as quadrilhas atacam. Muitas vezes, o ataque acontece antes mesmo de o caminhão chegar à estrada, ainda na periferia da cidade. Para enfrentá-las, as empresas de transporte estão investindo pesadamente em tecnologia. Calcula-se que tenham triplicado os gastos com segurança, que hoje chegam a 10% de suas despesas. "Investir em segurança é hoje uma condição para sobreviver no mercado", diz Geraldo Vianna, diretor de transportadora.

Roubo de carga é um problema que existe em todo o mundo. Nos Estados Unidos, roubam-se 10 bilhões de dólares por ano em assaltos a caminhões, portos ou aeroportos. Mas no Brasil o problema é especialmente grave porque a polícia não tem equipamentos nem treinamento para combater esse tipo de crime, e os recursos para segurança privada também são menores. Nos EUA, existem 300.000 caminhões equipados com radar, que podem ser rastreados a distância. No Brasil, há menos de 7.000 desses dispositivos. Mesmo assim, o número é um indicador da preocupação das empresas com o problema: a venda dos localizadores aumentou catorze vezes nos últimos quatro anos.

As empresas privadas de escolta de caminhão já são mais de cinqüenta. "Uma entrega entre o Rio de Janeiro e São Paulo nos dias de hoje pode mobilizar dez pessoas, entre escolta e rastreamento", explica o coronel da reserva Paulo Roberto de Souza, assessor de segurança do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas, Setcesp. A transportadora ITD, uma das cinco maiores empresas do ramo, é o exemplo típico da reação das empresas à bandidagem. Ela investiu 2 milhões de reais em radares para seus caminhões, contratou um coronel do Exército da reserva para chefiar o setor de segurança e conseguiu reduzir prejuízos com roubo de cargas de 1,5 milhão de reais para 100.000 reais ao mês. O investimento em prevenção também cresceu. A corretora de seguros Pamcary desenvolveu um serviço de consultoria no qual analisa o currículo dos caminhoneiros para saber se são suspeitos de ligações com as quadrilhas de assaltantes.




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