Universidade

Briga estudantil

Alunos e professores da UFRJ
querem o reitor mais amigo

A escolha do novo reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro é um assunto que não deveria sair do campus, mas a confusão acabou tirando faíscas até em Brasília. Na semana passada, um grupo de 150 estudantes invadiu a reitoria da UFRJ e realizou manifestações em algumas ruas da cidade. Eles protestavam contra a decisão do governo federal de nomear para o cargo o professor de filosofia José Henrique Vilhena, então vice-reitor. Em época de eleição na universidade, o Ministério da Educação recebe uma lista com o nome de três professores. A lista tríplice é elaborada a partir do resultado de uma eleição direta feita entre alunos, funcionários e professores. Cabe ao ministro da Educação nomear um deles para um mandato de quatro anos. A lei permite ao ministro escolher qualquer um dos três, mas a tradição solidificou o hábito cordial de escolher o primeiro. O ministro Paulo Renato Souza decidiu-se pelo único candidato afinado com as teses do governo. Era o terceiro colocado na lista. Com isso, perdeu o professor de economia Aloísio Teixeira, vencedor das urnas, apoiado pelos sindicatos de professores e funcionários.

Durante a sua campanha, Vilhena defendeu teses mais do que razoáveis para quem tem planos de modificar o quadro de improdutividade geral das universidades federais. Prometeu intensificar as parcerias com a iniciativa privada e defendeu o fim da isonomia salarial e a quebra da estabilidade dos professores. Com um programa desses, que não interessa à chamada "comunidade acadêmica", é compreensível que fosse derrotado. O campus preferiu o programa mais palatável do professor Teixeira, que defendia uma maior participação dos alunos e funcionários na vida acadêmica, discursava contra o que chamava de tentativa de "privatização branca" da universidade e criticava os contratos com a iniciativa privada. Agora, a situação na UFRJ está assim: de um lado, a comunidade acadêmica não admite a posse do reitor devidamente nomeado. De outro, o ministro da Educação não pode voltar atrás sem deixar patente que sindicatos de funcionários e professores mandam nas suas decisões.




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