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Edição 2109

22 de abril de 2009
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Cinema
FIRME COMO UMA ROCHA

Ex-ícone da luta livre, The Rock – aliás, Dwayne
Johnson – não quer ser mais lembrado como um
brutamontes. A plateia infanto-juvenil já aceitou a ideia


Isabela Boscov

Mary Ellen Matthews/Corbis Outline/Latinstock
GRANDALHÃO, SIM. BRUCUTU, NÃO
Johnson na sua encarnação atual: menos músculos, vocabulário mais limpo e uma disposição espantosa para trabalhar


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Até uns poucos anos atrás, qualquer americano sabia quem era The Rock, ou "A Rocha": ícone da luta livre, filho, neto e sobrinho de astros daqueles combates fajutos da televisão (seu tio, "O Samoano Selvagem", treinou Mickey Rourke para O Lutador), ele esmagava – de mentirinha – adversários e valia uma fortuna para a World Wrestling Federation, a liga do, vá lá, esporte, que é popularíssimo nos Estados Unidos. Agora, seu desafio é pôr uma pedra sobre o passado. The Rock quer que esqueçam de vez seu nome de guerra e passem a chamá-lo apenas pelo de batismo, Dwayne Johnson. A troca já está feita para uma parte do público: a plateia infanto-juvenil. Ela é que vem realizando o sonho de Johnson, de abrir seus filmes no primeiro lugar da bilheteria. Esses espectadores o levaram ao topo do ranking na primeira vez em que ele se arriscou no gênero, com Treinando o Papai, e novamente agora, com A Montanha Enfeitiçada (Race to Witch Mountain, 2009, Estados Unidos). No filme, desde sexta-feira em cartaz no país, Johnson interpreta o ex-empregado de um gângster local (é preciso explicar a força de seus socos e pontapés) que, completamente regenerado, dirige um táxi em Las Vegas – no qual entram dois adolescentes dotados de estranhos poderes e perseguidos por um colossal contingente do FBI, do Exército e de outras agências mais obscuras. Não é grande coisa, mas cumpre aquilo a que se propõe: evidenciar as qualidades de Johnson. Que incluem simpatia, senso de humor, carisma e um jeito convincente de parecer paternal sem ser paternalista. Firme agora no papel de herói da família, ele já está rodando seu próximo filme, Tooth Fairy. No qual faz uma versão um tantinho mais musculosa que o habitual da fadinha que troca dentes de leite por moedas.

Divulgação
O HERÓI DA FAMÍLIA
Com Carla Gugino, AnnaSophia Robb e Alexander Ludwig em A Montanha Enfeitiçada: sopapos, agora, só para defender mulheres e crianças

Essa é a quarta encarnação de Johnson como ator. Em 2001, quando decidiu efetuar a transição do ringue para o cinema, ele tentou primeiro da maneira óbvia: em papéis como aqueles que Arnold Schwarzenegger enfrentou no começo da carreira, de grandalhão exótico, em O Retorno da Múmia e O Escorpião Rei. Da mesma maneira que seu predecessor, concluiu que poderia nunca passar de uma curiosidade. Mudou então para os filmes de pancadaria, dos quais fez uns três ou quatro – o suficiente para perceber que esse é um segmento superpovoado e que não oferece prestígio. Para romper com a imagem de brutamontes, foi procurar pontas em que pudesse demonstrar sua versatilidade. Fez um guarda-costas gay em O Outro Nome do Jogo, um ator com amnésia em Southland Tales e, por fim, o papel que daria credibilidade aos seus planos: o de um superespião em Agente 86. Cercado de profissionais como Steve Carell, Alan Arkin e Anne Hathaway, Johnson provou ter excelente ritmo cômico, presença cativante e – aquilo que falta a outros que tentaram a mesma sorte, como Vin Diesel – uma percepção lúcida de sua persona e um impecável espírito de equipe. Enquanto outros atores tentam fugir da parte aborrecida do trabalho, que é promover o filme já concluído, Johnson dá entrevistas, frequenta tapetes vermelhos, vai a convenções e, no final, pergunta o que mais pode fazer. "Nunca conheci um ator que trabalhasse tanto", admira-se um executivo da Disney.

Muito do esforço do ex-lutador é apagar os traços que o associam ao passado. Os 120 quilos que chegou a ostentar no ringue foram já muito reduzidos, para tornar sua aparência menos extravagante. Por disposição natural, ele é doce e acessível – e qualquer vontade de não sê-lo é hoje duramente reprimida. A adaptação do vocabulário, ele admite, está ainda em progresso, já que os palavrões às vezes teimam em escapar. No que de fato importa, porém, Johnson já chegou pronto: tem aquele não sei quê indefinível que identifica os astros natos, seja sua arena o futebol americano universitário onde começou, a luta livre – ou o cinema.


Trailer

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