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Edição 2109

22 de abril de 2009
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Brasil
Quem mandou parar?

O governo mobiliza sua bancada na Câmara
para encerrar a CPI das escutas ilegais


Expedito Filho

Ana Araujo
MISSÃO PRESIDENCIAL
A CPI ouviu o banqueiro Daniel Dantas na semana passada


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A CPI dos Grampos, apesar de ainda não ter encerrado os trabalhos, já prestou um enorme serviço ao país. Através dela foi possível implodir alguns pilares do estado policial que começou a fincar suas bases no coração da democracia brasileira. Descobriu-se que um policial, um juiz e um promotor são capazes de formar uma falange de espionagem absolutamente autônoma, que age como bem entende, por tempo indeterminado e sem prestar contas. O próximo passo seria identificar todos os responsáveis pela montagem dessa unidade acima da lei que agiu como se fosse um estado paralelo. O governo, porém, acha que as investigações foram longe demais. Na semana passada, emissários do Palácio do Planalto mandaram recados aos integrantes da comissão – e tudo começou estranhamente a mudar de rumo. Fica assim suspenso um dos depoimentos mais aguardados, o do ministro Mangabeira Unger, investigado clandestinamente pelo delegado Protógenes Queiroz, que o acusa de defender os interesses do banqueiro Daniel Dantas.

O deputado petista Nelson Pelegrino anunciou que pretende apresentar o relatório final do caso na próxima quinta-feira. A CPI tem prazo legal de funcionamento até o dia 14 de maio. Por que a pressa? Segundo o parlamentar, não há mais por que prorrogar os trabalhos, embora ele próprio estranhamente afirme que não sabe ainda se pedirá ou não o indiciamento de alguém, isso apesar da gravidade dos documentos que estão em poder da comissão. Aliás, o petista confidenciou que quer mesmo é acelerar os trabalhos para tomar posse do cargo para o qual acaba de ser convidado, o de secretário de Justiça da Bahia. A inflexão no ímpeto investigativo dos deputados ligados ao governo pôde ser vista na quarta-feira, quando foi aprovado o requerimento de convocação de Mangabeira Unger. O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza, que nada tem a ver com a comissão, procurou o presidente da CPI, Marcelo Itagiba, e avisou: "Itagiba, o que você quer? Ou você combina o jogo conosco ou vai se ferrar".


Fotos Fabio Rodrigues Pozzebom/ABR e Dida Sampaio/AE
XIFÓPAGOS
Paulo Lacerda e Protógenes Queiroz estão no epicentro do escândalo de espionagem clandestina. Mas a CPI não deve indiciar ninguém

O governo teme que, a partir de agora, as investigações se politizem demais. Na semana passada, o delegado Protógenes Queiroz, que se calou na CPI, voltou a sua rotina de entrevistas. Em uma delas, confirmou o que já dissera e depois desmentira: que agiu no âmbito de uma "missão presidencial", tendo como elo entre ele e o Palácio o ex-diretor da Abin Paulo Lacerda. O que o delegado diz, como se sabe, pode ser retificado ou ratificado por ele mesmo a qualquer momento, mas ao governo, tudo indica, não interessa ver essa parte da história esclarecida.



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