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VEJA Recomenda
CINEMA
Divulgação
 | | Mariana
Ximenes, em A Máquina: bagunças no presente e no futuro |
A
Máquina (Brasil, 2006. Estréia nesta sexta-feira no país)
Para evitar que Karina (Mariana Ximenes) escape da minúscula e modorrenta
Nordestina, Antônio (Gustavo Falcão) anuncia para o mundo um gesto
heróico: construirá uma máquina capaz de levá-lo para
o futuro ou matá-lo, caso ele não cumpra sua promessa. O
resultado, porém, é uma bagunça, e o Antônio do futuro
(Paulo Autran) precisa encontrar uma forma de influir no presente para que sua
vida não tome um rumo desastrado. Colaborador habitual do diretor Guel
Arraes, de O Auto da Compadecida, o pernambucano João Falcão
estréia na direção de cinema com essa adaptação
criativa do romance de sua mulher, Adriana Falcão, e da sua própria
peça valorizada aqui pela narração inspirada de Autran.
DVD Fora do Mapa
(Off the Map, Estados Unidos, 2003. Califórnia) No deserto
do Novo México, Charlie e Arlene (Sam Elliott e Joan Allen) vivem uma vida
de velhos hippies à margem da história: numa casa sem luz nem água,
abastecida pelo escambo ou pela pilhagem de depósitos de lixo. Alguns acontecimentos
vêm perfurar essa bolha: sua filha Bo (Valentina de Angelis), de 11 anos,
está fervilhando de energia, um inspetor da Receita vem para cobrar impostos
e acaba ficando por ali mesmo, e Charlie está deprimido. Não triste,
mas profunda e radicalmente deprimido. Dirigido pelo ator Campbell Scott, Fora
do Mapa tem um ritmo peculiar. Quando se entra nele, porém, o filme
se torna irresistível na sua observação da maneira como as
pessoas influem umas sobre as outras e pelos desempenhos excelentes de todo o
elenco. Veja
cenas. LIVROS Má
Influência, de William Sutcliffe (tradução de Maria
Sílvia Mourão Netto; Francis; 192 páginas; 27,50 reais)
Nesse seu quarto livro (o primeiro lançado no Brasil), o autor inglês
demonstra uma impressionante habilidade de captar o mundo pela perspectiva de
uma criança para desvendar os aspectos mais perturbadores da infância.
A história é narrada por Ben, um menino de 10 anos que vive em um
confortável subúrbio de Londres. Ele e seu amigo Olly dividem as
brincadeiras típicas de sua idade até que Carl, um garoto desordeiro
e agressivo, chega à vizinhança. Olly cai imediatamente sob a influência
de Carl, e Ben, para não perder o velho amigo, vai se deixando levar pelas
brincadeiras cada vez mais perigosas do novo vizinho. É uma arrepiante
crônica do desejo infantil de aprovação. Leia
trecho. Harlingue/AFP
 |  | | Irène
Némirovsky: vítima de Hitler | |
Suíte
Francesa, de Irène Némirovsky (tradução de
Rosa Freire D'Aguiar; Companhia das Letras; 534 páginas; 55 reais)
Esse livro tem uma história tão acidentada quanto os eventos trágicos
que relata. Nascida em Kiev, na Ucrânia, a autora refugiou-se na França
em 1919, depois da Revolução Russa. Publicou treze romances, um
dos quais, David Golder, foi adaptado para o cinema. Aprisionada pelos
nazistas, Irène, que era judia, morreu no campo de concentração
de Auschwitz em 1942. O manuscrito de Suíte Francesa ficou sob a
guarda de uma filha de Irène, que por muito tempo imaginou tratar-se do
diário da mãe. Finalmente publicado em 2004, Suíte Francesa
é na verdade um romance um poderoso relato ficcional sobre o
caos e o desespero da França durante a invasão nazista. Leia
trecho. CULTURA
Roberto
Setton
 | | O
novo Museu da Língua Portuguesa: conteúdo virtual |
Instalado
na tradicional Estação da Luz, em São Paulo, o Museu
da Língua Portuguesa, que será inaugurado nesta segunda-feira,
contraria as expectativas que seu nome talvez levante. É um museu, sim,
mas não tem propriamente um acervo seu conteúdo é
"virtual", com exposições baseadas em vídeos e recursos eletrônicos.
E seu objetivo não é ensinar o visitante a pontuar ou utilizar a
crase, mas sim a admirar a língua como um patrimônio cultural. A
história do português é reconstituída em linhas do
tempo e projeções de vídeo. Na sala chamada de Praça
da Língua, poemas e excertos de obras literárias são lidos
por vozes famosas, em combinações às vezes inusitadas
como a ótima leitura da poesia barroca de Gregório de Mattos pelo
cantor de rap Rappin' Hood e com clima de planetário: palavras e
imagens são projetadas no teto. Em outro espaço, a Galeria das Influências,
encontram-se oito terminais de consulta eletrônica, dedicados às
diversas línguas que influenciaram o português falado no Brasil.
O museu conta com um espaço para mostras temporárias, que será
aberto com uma exposição sobre Grande Sertão: Veredas,
a obra-prima de Guimarães Rosa, projetada pela cenógrafa Bia Lessa.
MÚSICA  Mozart:
Jubilee Edition, vários intérpretes (Universal) Para
comemorar os 250 anos de nascimento do compositor austríaco Wolfgang Amadeus
Mozart, a Universal lança três CDs duplos com algumas de suas obras
mais significativas. As gravações datam da década de 50 e
trazem orquestras consagradas, como as filarmônicas de Berlim e de Viena.
Não há nenhum regente "superstar", como Herbert von Karajan, mas
maestros como Ferenc Fricsay, da Hungria, e Eugen Jochum, da Alemanha, são
mais do que competentes. Esse último comanda uma leitura vigorosa do Réquiem.
Outro destaque são os álbuns dedicados às serenatas de
Mozart: a estupenda Serenata Nº 10 (Gran Partita) recebe uma leitura
saborosa do austríaco Fritz Lehman. O CD de óperas tem bons momentos,
mas é antes um convite a ouvir as obras na íntegra. Divulgação
 |  | | Ashcroft:
namoro com a música negra | |
Keys
to the World, Richard Ashcroft (EMI Music) Uma das vozes mais bonitas
do pop inglês da década de 90, Richard Ashcroft é também
um artista antenado. Em seu antigo grupo, o Verve, ele sampleou um quarteto de
cordas e adicionou bateria eletrônica para criar o sucesso The Bittersweet
Symphony. A novidade de Keys to the World, seu terceiro disco-solo,
está no namoro com a música negra, sobretudo a soul music da Motown
(gravadora que revelou, entre outros, Marvin Gaye e Stevie Wonder). Faixas como
Music Is Power e Keys to the World são exemplos dessa nova
fase. Quem gostava da melancolia do Verve também recebe um aceno. Ashcroft
premia os antigos fãs com World Keeps Turning, uma balada perfeita.
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