Edição 1948 . 22 de março de 2006

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CINEMA

Divulgação
Mariana Ximenes, em A Máquina: bagunças no presente e no futuro


A Máquina
(Brasil, 2006. Estréia nesta sexta-feira no país) – Para evitar que Karina (Mariana Ximenes) escape da minúscula e modorrenta Nordestina, Antônio (Gustavo Falcão) anuncia para o mundo um gesto heróico: construirá uma máquina capaz de levá-lo para o futuro – ou matá-lo, caso ele não cumpra sua promessa. O resultado, porém, é uma bagunça, e o Antônio do futuro (Paulo Autran) precisa encontrar uma forma de influir no presente para que sua vida não tome um rumo desastrado. Colaborador habitual do diretor Guel Arraes, de O Auto da Compadecida, o pernambucano João Falcão estréia na direção de cinema com essa adaptação criativa do romance de sua mulher, Adriana Falcão, e da sua própria peça – valorizada aqui pela narração inspirada de Autran.

 

DVD

Fora do Mapa (Off the Map, Estados Unidos, 2003. Califórnia) – No deserto do Novo México, Charlie e Arlene (Sam Elliott e Joan Allen) vivem uma vida de velhos hippies à margem da história: numa casa sem luz nem água, abastecida pelo escambo ou pela pilhagem de depósitos de lixo. Alguns acontecimentos vêm perfurar essa bolha: sua filha Bo (Valentina de Angelis), de 11 anos, está fervilhando de energia, um inspetor da Receita vem para cobrar impostos e acaba ficando por ali mesmo, e Charlie está deprimido. Não triste, mas profunda e radicalmente deprimido. Dirigido pelo ator Campbell Scott, Fora do Mapa tem um ritmo peculiar. Quando se entra nele, porém, o filme se torna irresistível na sua observação da maneira como as pessoas influem umas sobre as outras e pelos desempenhos excelentes de todo o elenco. Veja cenas.

 

LIVROS

Má Influência, de William Sutcliffe (tradução de Maria Sílvia Mourão Netto; Francis; 192 páginas; 27,50 reais) – Nesse seu quarto livro (o primeiro lançado no Brasil), o autor inglês demonstra uma impressionante habilidade de captar o mundo pela perspectiva de uma criança – para desvendar os aspectos mais perturbadores da infância. A história é narrada por Ben, um menino de 10 anos que vive em um confortável subúrbio de Londres. Ele e seu amigo Olly dividem as brincadeiras típicas de sua idade até que Carl, um garoto desordeiro e agressivo, chega à vizinhança. Olly cai imediatamente sob a influência de Carl, e Ben, para não perder o velho amigo, vai se deixando levar pelas brincadeiras cada vez mais perigosas do novo vizinho. É uma arrepiante crônica do desejo infantil de aprovação. Leia trecho.

 
Harlingue/AFP
Irène Némirovsky: vítima de Hitler  

Suíte Francesa, de Irène Némirovsky (tradução de Rosa Freire D'Aguiar; Companhia das Letras; 534 páginas; 55 reais) – Esse livro tem uma história tão acidentada quanto os eventos trágicos que relata. Nascida em Kiev, na Ucrânia, a autora refugiou-se na França em 1919, depois da Revolução Russa. Publicou treze romances, um dos quais, David Golder, foi adaptado para o cinema. Aprisionada pelos nazistas, Irène, que era judia, morreu no campo de concentração de Auschwitz em 1942. O manuscrito de Suíte Francesa ficou sob a guarda de uma filha de Irène, que por muito tempo imaginou tratar-se do diário da mãe. Finalmente publicado em 2004, Suíte Francesa é na verdade um romance – um poderoso relato ficcional sobre o caos e o desespero da França durante a invasão nazista. Leia trecho.

 

CULTURA

Roberto Setton
O novo Museu da Língua Portuguesa: conteúdo virtual


Instalado na tradicional Estação da Luz, em São Paulo, o Museu da Língua Portuguesa, que será inaugurado nesta segunda-feira, contraria as expectativas que seu nome talvez levante. É um museu, sim, mas não tem propriamente um acervo – seu conteúdo é "virtual", com exposições baseadas em vídeos e recursos eletrônicos. E seu objetivo não é ensinar o visitante a pontuar ou utilizar a crase, mas sim a admirar a língua como um patrimônio cultural. A história do português é reconstituída em linhas do tempo e projeções de vídeo. Na sala chamada de Praça da Língua, poemas e excertos de obras literárias são lidos por vozes famosas, em combinações às vezes inusitadas – como a ótima leitura da poesia barroca de Gregório de Mattos pelo cantor de rap Rappin' Hood – e com clima de planetário: palavras e imagens são projetadas no teto. Em outro espaço, a Galeria das Influências, encontram-se oito terminais de consulta eletrônica, dedicados às diversas línguas que influenciaram o português falado no Brasil. O museu conta com um espaço para mostras temporárias, que será aberto com uma exposição sobre Grande Sertão: Veredas, a obra-prima de Guimarães Rosa, projetada pela cenógrafa Bia Lessa.

 

MÚSICA

Mozart: Jubilee Edition, vários intérpretes (Universal) – Para comemorar os 250 anos de nascimento do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, a Universal lança três CDs duplos com algumas de suas obras mais significativas. As gravações datam da década de 50 e trazem orquestras consagradas, como as filarmônicas de Berlim e de Viena. Não há nenhum regente "superstar", como Herbert von Karajan, mas maestros como Ferenc Fricsay, da Hungria, e Eugen Jochum, da Alemanha, são mais do que competentes. Esse último comanda uma leitura vigorosa do Réquiem. Outro destaque são os álbuns dedicados às serenatas de Mozart: a estupenda Serenata Nº 10 (Gran Partita) recebe uma leitura saborosa do austríaco Fritz Lehman. O CD de óperas tem bons momentos, mas é antes um convite a ouvir as obras na íntegra.

 

Divulgação
Ashcroft: namoro com a música negra  

Keys to the World, Richard Ashcroft (EMI Music) – Uma das vozes mais bonitas do pop inglês da década de 90, Richard Ashcroft é também um artista antenado. Em seu antigo grupo, o Verve, ele sampleou um quarteto de cordas e adicionou bateria eletrônica para criar o sucesso The Bittersweet Symphony. A novidade de Keys to the World, seu terceiro disco-solo, está no namoro com a música negra, sobretudo a soul music da Motown (gravadora que revelou, entre outros, Marvin Gaye e Stevie Wonder). Faixas como Music Is Power e Keys to the World são exemplos dessa nova fase. Quem gostava da melancolia do Verve também recebe um aceno. Ashcroft premia os antigos fãs com World Keeps Turning, uma balada perfeita.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel; Rio: Travessa, Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; Campo Grande: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Fnac, Sodiler, Submarino.

 

 
 
 
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