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Televisão
Táxi e palanque
A Record usa o personagem-motorista
de uma
de suas novelas para fazer autopropaganda

Marcelo Marthe
Divulgação
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| Lucélia, com Padilha (à dir.): "Obrigado,
meu Deus!" |
Autor de Cidadão Brasileiro,
nova novela da Rede Record, Lauro César Muniz espantou-se
ao ser convidado para atuar em Prova de Amor, outro folhetim
da casa, como garoto-propaganda de sua própria trama, que
estava para estrear. "Achei que era brincadeira. Confesso
que nunca vi nada igual", diz o veterano noveleiro. De fato, a Record
tem investido numa forma insólita de autopromoção.
Pertencente ao núcleo pobre de Prova de Amor, o taxista
Padilha (André Mattos) tem como principal função
fazer merchandising dos programas da emissora. O personagem não
possui um fio de verossimilhança: como se fosse o único
taxista do Rio de Janeiro, já transportou do vilão
à mocinha. E também presta serviços terceirizados,
por assim dizer. Logo nas primeiras semanas da novela, a modelo
e apresentadora Ana Hickmann entrou em cena para falar de seu programa
durante uma corrida fictícia com o motorista. Nos últimos
tempos, o táxi do Padilha virou uma verdadeira central de
divulgação de Cidadão Brasileiro. Na
semana que antecedeu a estréia do folhetim, ele carregou
três de seus protagonistas as atrizes Lucélia
Santos e Paloma Duarte e o ator Floriano Peixoto. Na segunda passada,
quando a novela entrou no ar, foi a vez de Muniz. "Obrigado, meu
Deus!", exulta Padilha toda vez que dá carona a uma celebridade.
Um bordão que é a cara do canal.
Camila Maia/Ag. O Globo
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| Lauro César Muniz: ele achou que era brincadeira
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Com Padilha ao volante, Prova de Amor se transforma numa
espécie de talk-show em que o taxista faz as vezes de entrevistador.
O roteiro é sempre igual. Primeiro, o taxista se derrete
em elogios aos trabalhos mais famosos dos artistas. Em seguida,
ele e seus passageiros comentam como é importante haver mais
de uma emissora produzindo novelas no Brasil para enfrentar um "concorrente
poderoso" a Rede Globo, é claro.
Prova de Amor atinge 19
pontos de média no ibope, um feito para a Record, e a rede
procura tirar proveito disso para emplacar Cidadão Brasileiro.
O novo folhetim vai ao ar logo depois do outro e teve seus índices
favorecidos por isso foi a melhor média de estréia
já registrada por uma novela da Record, 15 pontos. Dentro
da lógica de explorar ao máximo a grade de programação,
o merchandising faz sentido. A questão é o exagero
e a cara-de-pau. "As viagens do Padilha são um corpo
estranho na trama. É grande o risco de uma coisa desse tipo
repelir o espectador", diz um autor de novelas. Na Globo, é
regra que as inserções desse tipo não interfiram
no andamento da história e que sua duração
não ultrapasse dois minutos. O merchandising da Record chega
a durar quase seis e o Padilha não tem nada de sutil.
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