Edição 1948 . 22 de março de 2006

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Comida de grife

Numa prateleira perto de você


Monica Weinberg

Fabiano Accorsi


Há um fenômeno emergente nos supermercados brasileiros: cresce a oferta de produtos que levam a assinatura de chefs famosos. Nunca houve tantas marcas disponíveis – 30% mais do que em 2004, segundo dados do mercado.

A pedido de VEJA, as especialistas Paola Tedeschi, representante do Instituto Italiano de Culinária para Estrangeiros no Brasil, e Rita Corsi, coordenadora da faculdade de gastronomia da paulista UniFMU, fizeram uma detalhada análise dos alimentos de grife mais procurados pelos brasileiros. São, em geral, produtos bem mais caros do que os de marcas tradicionais. Para saber se, de fato, vale a pena pagar mais por eles – e por quê –, as duas especialistas os compararam com os itens de mesmo tipo, sem grife, entre os mais vendidos no Brasil – de acordo com levantamento feito pela Abras, a associação brasileira de supermercados. Foram cinco os produtos examinados. Paola e Rita (foto) – que ao realizar o teste não sabiam se estavam diante de uma marca comum ou de produto assinado por um dos chefs – deram notas de 1 a 5 aos três quesitos que julgaram ser mais relevantes nesse tipo de avaliação. O resultado surpreendeu em um dos casos analisados – o do azeite.

 

NESTA REPORTAGEM
As principais conclusões a que chegaram as especialistas

 

O susto do azeite

O caso do azeite surpreendeu as especialistas. Sem saber qual a marca que avaliavam, as duas chegaram à mesma opinião: para elas, o produto convencional (Gallo) é superior ao que leva a grife – que foi inventado pelo estrelado chef catalão Ferran Adrià.

 

 

A palavra do mestre

Mirian Fichtner


Por ofício, o especialista Mauro Martelossi, diretor da Congregação dos Mestres em Azeite, na Itália, chega a provar 200 tipos desse óleo vegetal por dia. Em entrevista a VEJA, Martelossi ensina a escolher um bom azeite.  

EXTRAVIRGEM
Os melhores azeites têm baixa acidez: até 0,5%, segundo Martelossi. É o caso dos extravirgens

SABOR
Alguns detalhes são indicadores de um bom azeite: ele deve ser picante na garganta, frutado (com gosto pronunciado de azeitona) e levemente amargo

AROMAS
Martelossi recomenda evitar os azeites aromatizados, porque as ervas escondem a má qualidade do produto. Sua indicação é fazer esse tipo de mistura em casa

EMBALAGEM
O tamanho ideal é de 500 mililitros. Está provado cientificamente que os frascos menores favorecem a oxidação. Já o problema com as embalagens maiores é que elas duram mais – e depois de aberto o azeite perde gradativamente suas melhores características, lembra o italiano  

PRAZO DE VALIDADE
Ao contrário do vinho, azeite velho é sinal de má qualidade, uma vez que com o tempo ele perde aroma e sabor. Martelossi recomenda fugir no supermercado de produtos que tenham sido fabricados há mais de dezoito meses

 
 
 
 
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