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Copa
Qual Ronaldo vai jogar?
| Este... |
...ou este? |
Dan Chung/Reuters
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| O Ronaldo do Real Madrid: em crise com o clube e a torcida
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O Ronaldo da seleção: gols que decidiram a Copa de 2002, quando
poucos acreditavam na sua recuperação |
A oitenta dias da Copa do Mundo, o jogador
mais famoso do mundo é considerado gordo
e desmotivado. Mas a história mostra que é
cedo para decretar o fim de um fora-de-série

André Fontenelle
A
decadência definitiva de Ronaldo voltou a ser anunciada na
semana passada, quando o atacante do Real Madrid ficou no banco
de reservas, situação rara em sua carreira, e ao entrar
em campo perdeu o pênalti que daria a vitória a seu
time. Mas, parafraseando o que o escritor americano Mark Twain certa
vez disse sobre si mesmo, as notícias sobre sua morte são
um tanto exageradas. Os números não mostram uma queda
de rendimento tão assustadora como se comenta, e a história
do futebol ensina que, em se tratando de jogadores fora-de-série
como ele, vaticínios pessimistas muitas vezes dão
errado (veja quadro).
A oitenta dias da Copa do Mundo,
é inquietante que o atacante titular da seleção
não esteja jogando bem. O próprio Ronaldo anda aborrecido
com a maré baixa. O pênalti perdido o deixou particularmente
abalado, segundo amigos. Em entrevista à Rede Globo, induzido
por uma pergunta, chegou a referir-se à atual fase como o
"fundo do poço". Nem ele, porém, deve realmente acreditar
nisso. Ainda que não esteja jogando bem, é o artilheiro
do Real Madrid no campeonato espanhol, e sua média de gols
por partida nesta temporada (0,52) é praticamente a mesma
do ano anterior (0,53). É verdade que esses números
são inferiores ao 0,75 (ou seja, três gols em cada
quatro jogos) que ele alcançava no início da carreira.
Mas aos 30 anos (idade que Ronaldo terá em setembro) Pelé
também fazia menos gols que aos 18, e isso não o impediu
de brilhar na Copa de 1970.
Além disso, Ronaldo tem
alguma experiência em fundo de poço. Ele o atingiu
em 12 de abril de 2000, dia em que, voltando de uma cirurgia que
o afastou por cinco meses, rompeu totalmente o tendão patelar
do joelho operado. Essa lesão gravíssima o afastou
por quinze meses do futebol, e por pouco não decretou o fim
de sua carreira. Quando Luiz Felipe Scolari decidiu apostar nele
no Mundial de 2002, poucos acreditavam que daria certo. Ao chegar
à Copa ele havia jogado só 23 partidas em dois anos,
e em apenas duas havia agüentado noventa minutos em campo.
Isso não o impediu de voltar da Ásia como pentacampeão,
artilheiro máximo com oito gols e autor daqueles que decidiram
a semifinal contra a Turquia e a final contra a Alemanha. Diante
dessa história, o poço atual é bem raso.
A pessoas próximas, Ronaldo
prometeu "calar a boca dos críticos" na Copa da Alemanha.
Há bons argumentos a favor, e não apenas o precedente
de 2002. Embora tenha sofrido uma série de pequenas lesões
nos últimos meses, aparentemente não tem nenhum problema
maior (a não ser incômodas crises de herpes labial).
Em razão das contusões, jogou menos partidas nesta
temporada (33 até agora, contra 45 no mesmo período
do ano passado), o que significa, também, que chegará
à Copa com pouco desgaste. A vida pessoal tem andado relativamente
discreta para os padrões ronaldianos, embora o namoro com
a modelo Raica Oliveira exija operações de guerra
para driblar os paparazzi.
Ronaldo terá outra motivação
na Copa: já estará com a cabeça longe do Real
Madrid. É certo que depois do Mundial o craque jogará
em outro clube. A especulação mais concreta o põe
no futebol inglês. O casamento de quatro anos com o Real acabou
no mês passado, quando ele se queixou publicamente das vaias
da torcida. A lua-de-mel já havia sido curta. Ronaldo estreou
em outubro de 2002, da melhor forma possível, fazendo um
gol apenas um minuto depois de entrar em campo. Na primeira temporada
o Real foi campeão espanhol, mas mesmo assim de vez em quando
a torcida vaiava o craque. Como desde então o time não
conquistou mais nenhum troféu importante, o que não
acontecia havia meio século, Ronaldo passou a ser visto como
um fracasso pela exigente torcida madrilena. Os jornais de Barcelona,
cidade do time rival, põem lenha na fogueira publicando boatos.
Segundo um deles, o "Gordito" (como gostam de chamá-lo seus
críticos) chegou às vias de fato no vestiário
com um companheiro de equipe, o espanhol Guti. Segundo outro, o
brasileiro se distanciou do clube porque este estaria devendo dinheiro
a ele. Ronaldo desmente ambas as histórias.
Na atual crise do Real Madrid
há uma dose de exagero. Por pior que seja o clima entre os
jogadores, o time não vai tão mal assim. Só
foi eliminado da Liga dos Campeões, o torneio mais importante
da Europa, ao final de dois jogos equilibradíssimos contra
o forte Arsenal, da Inglaterra. No campeonato espanhol, está
em segundo lugar, a 9 pontos do Barcelona de Ronaldinho Gaúcho,
uma diferença que pode ser tirada nos onze jogos que restam.
Mas três anos sem conquistas são uma eternidade para
um clube que se considera escolhido pelos deuses a Fifa o
premiou como o mais vitorioso do mundo no século XX
e, sobretudo, que gastou 400 milhões de euros com contratações
nos últimos seis anos, 11% disso só com o brasileiro.
Pesa contra Ronaldo o fato de
ser muito mais visado que outros jogadores. Recentemente Adriano,
seu provável companheiro de ataque na Copa do Mundo, ficou
dez partidas sem fazer gol. Também perdeu um pênalti,
na terça-feira passada. A má fase de Adriano não
consumiu um décimo da tinta gasta com as vicissitudes de
Ronaldo. No fundo, tanta preocupação com a forma de
um único jogador não deixa de ser uma prova de sua
importância para a seleção que vai tentar o
hexacampeonato.
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É
FÁCIL QUEIMAR A LÍNGUA
O que se disse
sobre nossos craques antes de outras Copas
"Se houvesse um
plebiscito, o escrete se dissolveria, Didi voltaria
para os braços de Guiomar e não
iríamos levar à Suécia o espetáculo
de nossa desorganização esportiva."
(revista O Cruzeiro, um mês antes
da Copa da Suécia, em 1958, na qual
Didi, longe da esposa, Guiomar, foi eleito o
melhor jogador)
"Gérson
não pode jogar (na seleção).
Não vai para a briga, não transmite
segurança e não dá motivação
para ninguém."
(jornal Última Hora, dois anos antes da
Copa de 1970, em que Gérson fez o gol
decisivo na final contra a Itália)
"Ronaldinho é
um ex-jogador de futebol. Todos vêem isso, mas
poucos admitem."
(site no.com.br, seis meses antes da Copa
de 2002, que consagrou Ronaldo como artilheiro e campeão)
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