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Brasil Operação
nebulosa Falta de transparência
ofusca sucesso do Exército na recuperação de armas no
Rio  Ronaldo
Soares André
Luiz Mello/AP
 | | As
armas, de volta ao quartel: a perícia será feita na Polícia
Federal |
A megaoperação
do Exército para recuperar armas roubadas de um quartel no Rio de Janeiro
terminou na terça-feira da semana passada, quando os dez fuzis e uma pistola
foram finalmente encontrados. Segundo a versão oficial, as armas foram
localizadas na terça à noite, próximo à favela da
Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, após doze dias de ocupação
dos morros cariocas e uma inédita mobilização de tropas.
Chegou a haver 1.500 homens simultaneamente nas ruas da cidade. Seria possível
dizer que, do ponto de vista operacional, a empreitada fora um sucesso, inclusive
de público. No período da ocupação, os índices
de criminalidade despencaram e a população aprovou a ocupação,
a despeito de denúncias de supostos abusos dos militares. O êxito
do Exército, no entanto, foi ofuscado no final. No dia seguinte à
divulgação da recuperação das armas, o Comando Militar
do Leste (CML) foi pego no contrapé por uma reportagem do jornal Folha
de S.Paulo, segundo a qual a versão oficial seria uma farsa. Os militares
estariam de posse delas desde domingo e, pior, teriam ocultado uma negociação
com bandidos para reaver as armas.
A história inicialmente contada pelo Exército era apenas imprecisa
e superficial. No entanto, ao tentar desmentir o suposto acordo, o que era mera
imprecisão tornou-se informação contraditória. O chefe
do Estado Maior do CML, general Hélio Macedo, e o secretário de
Segurança Pública do Rio, Marcelo Itagiba, foram pouco convincentes
nas explicações sobre o local onde o armamento foi encontrado. A
forma como se obteve a informação também é obscura.
Sobre esse assunto o Exército foi evasivo disse apenas que um informante
indicou o esconderijo das armas. Nada disso fornece elementos para se afirmar
que o Exército tenha mentido ou feito tratativas com facínoras.
Mas a falta de transparência no desfecho do caso revela que, pelo menos
no campo da credibilidade, o que os militares sofreram foi um revés. Custódio
Coimbra/Ag. O Globo
 | | Itagiba
e Macedo: explicações pouco convincentes |
A Polícia Civil do Rio também desconfia que a entrega das armas
ocorreu no domingo, e não na terça. De tão nebulosa, a história
acabou levantando suspeita no próprio meio militar. A Justiça Militar
solicitou à Polícia Federal e não aos peritos do Exército,
como queria o CML que faça perícia nas armas encontradas.
O Ministério Público Militar, como é praxe nesses casos,
decidiu investigar se houve negociação com traficantes. Com sua
rígida disciplina, o Exército sabe que não pode haver dúvidas
sobre sua atuação. Sob risco de ver ameaçado um patrimônio
muito mais valioso do que onze armas: a credibilidade da instituição.
O mais grave, no entanto, é que logo após a retirada das tropas
os traficantes já apareciam ostentando fuzis nas favelas, retomando o "poder"
num pedaço da cidade que deveria ser controlado pelo Estado e não
por bandidos. |