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Brasil Para
eles tem lógica... ...mas para o Brasil
as punições e as absolvições de deputados parecem
só um jogo de interesses Como política não
é matemática, o Congresso Nacional não produz equações
exatas. Há quinze dias, os deputados protagonizaram um vexame duplo ao
poupar o mandato de dois deputados que comprovadamente receberam recursos do valerioduto.
Na semana passada, outros dois acusados foram a julgamento do plenário
e, dessa vez, a lógica prevaleceu. O deputado Pedro Henry, do PP de Mato
Grosso, foi inocentado por 255 votos contra 176, numa decisão que obedeceu
à recomendação do Conselho de Ética. O deputado foi
acusado de comandar o mensalão em seu partido pelo deputado cassado Roberto
Jefferson, mas não se encontrou uma única prova disso. Na outra
votação, o plenário cassou o mandato do pernambucano Pedro
Corrêa, presidente do PP, que pegou 4,1 milhões de reais no valerioduto.
Corrêa dizia que sacara apenas 700.000 reais, para pagar honorários
de um advogado que trabalhou para seu partido, mas foi derrotado pelas evidências
de que distribuiu o restante do dinheiro entre seus correligionários. Com
a absolvição de Henry e a cassação de Corrêa,
ficou a impressão de que o plenário retomou o rumo, condenando quando
há provas e absolvendo na ausência delas.
As decisões da Câmara, porém, trazem ecos de que o julgamento
é influenciado pelo conjunto da obra dos deputados. Corrêa, por exemplo,
já se enrolou no escândalo dos anões do Orçamento e
com uma máfia que falsificava combustíveis. A fartura de rolos em
sua biografia pode ter ajudado na cassação de seu mandato. Por isso
mesmo, o teste mais relevante sobre quanto o plenário da Câmara está
levando em conta as provas do mensalão, e não apenas o conjunto
da obra, acontecerá no julgamento do deputado petista João Paulo
Cunha, que presidiu a Câmara entre 2003 e 2005. Na semana passada, o Conselho
de Ética votou pela cassação de João Paulo. Foram
9 votos a 5. O julgamento em plenário está previsto para ocorrer
na semana que vem. Com uma biografia correta, João Paulo tornou-se também
um deputado benquisto e bem relacionado na Câmara. Seu envolvimento com
o valerioduto, porém, é quase umbilical. Além de sua mulher
ter sacado 50.000 reais no Banco Rural, o deputado contratou uma agência
de Marcos Valério para trabalhar na Câmara, recebeu-o num café-da-manhã
em sua residência oficial, foi presenteado com uma caneta Montblanc e sua
secretária, agraciada com uma viagem com tudo pago. João Paulo tem
tudo, portanto, para ser cassado. A conferir o que fará o plenário.
JOSÉ DIRCEU (PT-SP) 
Acusado de comandar o mensalão Conseguiu emprego para ex-mulher no
BMG, banco envolvido no valerioduto Um assessor seu foi autorizado a sacar
50 000 reais do valerioduto ROBERTO
JEFFERSON (PTB-RJ) 
Recebeu 4 milhões de reais do valerioduto Cobrou mesada de indicados
políticos do PTB para estatais
Antonio
Machado/Folha Imagem
 | PEDRO
HENRY (PP-MT) 
Acusado de comandar o mensalão no PP |
SANDRO
MABEL (PL-GO) 
Acusado de comandar o mensalão do PL Acusado de tentar comprar uma
deputada do PSDB ROMEU QUEIROZ (PTB-MG)

Recebeu 350 000 reais de Marcos Valério
ROBERTO BRANT (PFL-MG) 
Recebeu 103 000 reais de Marcos Valério
PROFESSOR LUIZINHO (PT-SP) 
Sacou 20 000 reais do valerioduto
Joedson
Alves/AE
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PEDRO
CORRÊA (PP-PE) 
Recebeu 4,1 milhões de reais do valerioduto
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