Edição 1948 . 22 de março de 2006

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Brasil
A aposta tucana

Candidato do PSDB contra Lula,
Geraldo Alckmin terá como principal
trunfo de campanha os números
de sua gestão em São Paulo


Fábio Portela e Camila Pereira

 
Lailson Santos
O governador Geraldo Alckmin: escolha encerra novela do PSDB que levou três meses


NESTA REPORTAGEM
Quadro: O calendário de Alckmin
Quadro: O acerto em São Paulo funciona em Brasília?
Quadro: Previsão do tempo eleitoral

Só não se pode dizer que foi uma vitória conquistada no grito porque Geraldo Alckmin é do tipo que nunca levanta a voz. O governador de São Paulo, agora candidato do PSDB às eleições presidenciais de 2006, fala baixo – mas, como se viu, também fala firme. Na semana passada, ele ganhou a indicação do seu partido para disputar as eleições com Lula tendo contra si as pesquisas de opinião, a cúpula tucana e o prefeito de São Paulo, José Serra. Ajudado por sessões diárias de acupuntura, o governador atravessou três meses de disputas internas e tensões em graus variados. Ao cabo do processo, conseguiu dobrar os cardeais tucanos e soterrar a idéia da cúpula do PSDB de proclamar seu candidato (leia-se, Serra) em uma reunião a portas fechadas.

O governador comemorou a indicação na terça-feira, mas, logo na quarta, recebeu uma notícia: vinda do Ibope, uma pesquisa de opinião apontava o crescimento de Lula e a estagnação de seu nome. Absorveu a informação com a frieza de um anestesista: "Aguardem a hora em que entrar a televisão", disse a assessores. Apoiado no fato de que grande parte dos eleitores brasileiros nunca ouviu falar no seu nome, Alckmin acredita que, até outubro, ainda tem muito que crescer. Para isso, passará a percorrer o Brasil a partir de abril, munido daquilo que considera seu melhor cartão de visita: os vistosos números de sua administração em São Paulo. Eleito vereador por Pindamonhanga aos 19 anos de idade, Alckmin, filho de uma professora primária e de um médico veterinário, vem, desde então, emendando um mandato no outro. Foi prefeito, deputado estadual, deputado federal e vice-governador, antes de herdar a cadeira de Mário Covas, morto em 2001, e depois assumiu seu próprio mandato como governador, em 2003.

 

Leonardo Soares/Ag. O Globo
O governador Marconi Perillo, Fernando Henrique, Alckmin, Tasso e Aécio: hora de curar feridas

Ao assumir o comando do estado mais rico da federação, Alckmin encontrou uma máquina enxuta, contas equilibradas e um caixa cheio – condições muitíssimo favoráveis, que ele soube aproveitar igualmente bem. Em 2004, o quarto ano da sua gestão, o PIB do estado cresceu 7,6% (2,7 pontos porcentuais a mais do que o brasileiro), a arrecadação de impostos aumentou – mesmo com a redução na carga tributária – e a receita com exportações subiu 84% entre 2001 e 2005. Do ponto de vista das realizações, Alckmin também tem o que mostrar: retomou as obras de expansão das linhas do metrô e de contenção de enchentes no Tietê, além de modernizar os portos e ampliar a rede hospitalar.

"Quem fez tanto por São Paulo fará ainda mais pelo Brasil", afirma Cássio Cunha Lima, governador da Paraíba, adiantando o mote da campanha tucana. Cunha Lima, hoje um dos maiores entusiastas da candidatura Alckmin, faz parte do batalhão de tucanos que, apesar de estar há anos no PSDB, nunca havia sido ouvido pela cúpula da legenda. Alckmin conseguiu emplacar sua candidatura se valendo, sobretudo, do apoio dessa turma. Em três meses, o governador percorreu 22 dos 26 estados brasileiros estreitando laços com governadores e outros líderes regionais. "Nossa estratégia foi clara: dar voz a quem não estava sendo ouvido pelo partido", explica João Carlos de Souza Meirelles, secretário de Alckmin e o nome mais cotado para coordenar a campanha tucana. Nesses encontros, o governador vendeu uma perspectiva futura de poder. Disse que, se fosse escolhido candidato, trabalharia para descentralizar as decisões do PSDB, dando mais peso aos estados de fora da Região Sudeste. O plano, como se sabe, deu certo. Assim como Cunha Lima, diversos tucanos em busca de mais espaço político se recusaram a aclamar Serra, preferindo dar suporte ao projeto do governador.

A estratégia adotada por Alckmin contraria o estilo que se tornou marca do PSDB. Desde a fundação do partido, em 1988, os rumos da legenda sempre foram decididos por um seleto grupo de líderes, em reuniões feitas a portas fechadas e realizadas, de preferência, em São Paulo ou Brasília. A cúpula sempre foi um clube privado, em que têm assento cativo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de Minas, Aécio Neves, e o presidente do partido, Tasso Jereissati – a Santíssima Trindade Tucana. Alckmin, preterido até há pouco tempo, ganhou seu ingresso nesse clube na marra. Conseguiu entrar lá sem ficar devendo favores a ninguém. Ao mesmo tempo em que manteve uma postura de autonomia e independência, impôs derrotas a praticamente todos os cardeais, além de Serra. Fernando Henrique perdeu ao fracassar no papel de "diretor da orquestra" tucana, encerrada em meio a tantas notas desafinadas. Tasso Jereissati idem. Imbuído do papel de condutor da negociação e com a missão de evitar confrontos entre facções, perdeu as rédeas do processo e, ao fim, limitou-se a anunciar seu resultado. O único tucano graúdo que se cacifou foi Aécio Neves. O governador mineiro só tomou posição definitiva no último minuto: decidiu usar seu peso político para apoiar a tese de que, se o prefeito quisesse mesmo se candidatar, deveria haver prévias. Com Serra enfraquecido, Aécio se posiciona para disputar com o governador paulista o comando do PSDB nos próximos anos.

Alckmin, o grande vencedor do processo, já dá sinais de que pretende ir adiante. A VEJA, o tucano afirmou que não pretende deixar a indicação do seu sucessor nas mãos de Serra e de seu grupo. Vai, novamente, defender a necessidade de uma "consulta" ao partido. É uma indicação clara de que o governador paulista tomou gosto pelos lances ousados na política e, daqui para a frente, pretende conduzir sua carreira dessa maneira. Trata-se de uma mudança tremenda para um político que fez sua fama calcado na imagem de um homem cordato, discreto e pouco ambicioso.

Álbum de família
Com a mulher, Maria Lúcia: quando se casaram, em 1979, ele era prefeito


Formado em medicina pela Universidade de Taubaté, com pós-graduação em anestesiologia, Alckmin chegou a participar de mais de 1 000 cirurgias. Entrou na política quase por acaso. Quando ainda era estudante do 1º ano, o extinto MDB estava à procura de jovens para disputar as eleições no interior de São Paulo. Lideranças do partido foram, então, à sua universidade com a intenção de filiar o presidente do diretório acadêmico. Ele declinou o convite, mas indicou o colega de agremiação – Alckmin, que acabou eleito vereador por Pindamonhangaba, sua cidade natal, com mais de 10% dos votos válidos. A grande votação foi reflexo de sua popularidade como professor na cidade. Alckmin dava aulas de química em um cursinho pré-vestibular – trabalho com o qual pagava a faculdade.

Críticos do estilo do governador o acusam de dar pouca importância a temas que deveriam interessá-lo. Mesmo seus assessores mais próximos concordam que, quanto "menos aplicabilidade" tem um determinado assunto, menos ele agrada ao governador. Geopolítica mundial, por exemplo, não estaria entre os seus temas preferidos. Aos que tentam provocá-lo referindo-se ao fato de ele falar precariamente o inglês (chegou a fazer aulas particulares no Palácio dos Bandeirantes, mas sua fluência no idioma não vai muito além das cordiais saudações) e de não ter, no currículo acadêmico, o brilho de cursos e doutorados no exterior como Fernando Henrique Cardoso e José Serra, Alckmin responde com orgulho que pertence ao "PSDB que amassa barro e arregaça as mangas".

O governo e o PT receberam a indicação de Alckmin com discurso otimista. A avaliação do presidente Lula é que o governador é um candidato com menos capacidade de agregar apoio do que o prefeito (o PFL tinha clara preferência por Serra, uma vez que herdaria dele a prefeitura paulistana). Outras vantagens apontadas por petistas: o governador é pouco conhecido no Norte e no Nordeste e não encantaria setores de esquerda descontentes com o governo Lula – como acadêmicos, intelectuais, artistas e outros formadores de opinião que poderiam cair no colo de Serra, caso ele fosse candidato. Mesmo assim, o governo não descarta a hipótese de Alckmin crescer com um discurso em defesa do combate à corrupção e do crescimento. Na tentativa de evitar que isso ocorra, o governo traçou duas diretrizes. Intensificar (se é que isso é possível) a campanha de Lula, aumentando o número de viagens e pronunciamentos presidenciais, inaugurações e "boas notícias", principalmente as voltadas para a classe média. A outra ordem, passada diretamente por Lula a caciques do PT paulista, é desconstruir o governo de Alckmin em São Paulo, recorrendo, para isso, ao que considera ser o calcanhar-de-aquiles da administração tucana: a segurança pública e a política para menores. As constantes rebeliões da Febem devem ser exploradas nas propagandas de TV do PT paulista que irão ao ar no fim de maio.

O otimismo dos governistas, no entanto, reflui quando eles se detêm na análise dos pontos que consideram poder alavancar a campanha do tucano. Alguns deles: o apoio do empresariado paulista, de setores da Igreja e o fato de Alckmin não estar, como o prefeito de São Paulo, tão vinculado aos oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso. Isso dificulta a estratégia do PT de comparar os números dos dois governos – tática que, acreditam, favoreceria Lula. O principal elemento a favor de Alckmin, no entanto, do ponto de vista de petistas, é outro: o forte apoio da população de São Paulo à sua administração. Segundo a última pesquisa do Datafolha, divulgada em fevereiro, o governo do tucano tem a aprovação de 62% dos paulistas. A mesma pesquisa mostra que apenas 16% dos eleitores rejeitam a candidatura Alckmin. "Com apoio maciço em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, e uma rejeição muito baixa, Alckmin tem grande capacidade de crescer e dificultar a eleição", analisa um ministro com cadeira no Palácio do Planalto. Ele conclui: "É por isso que temos de estrangulá-lo agora: para impedir que sua campanha ganhe fôlego".

 

Maurilo Clareto/AE
Com Covas: administração de doze anos em São Paulo e recorde de aprovação

Hoje, Lula teria mais que o dobro dos votos do tucano. Alckmin aposta na propaganda eleitoral no rádio e na TV para virar o jogo. "A campanha só começa quando muda o horário da novela", diz ele. É fato que a TV é capaz de operar milagres. O próprio Alckmin viveu um. Em agosto de 2002, quando disputou e venceu as eleições para o governo do estado de São Paulo, ele tinha 24 pontos porcentuais contra 40 de Paulo Maluf. Na segunda quinzena de setembro, quando faltavam duas semanas para o término do horário eleitoral gratuito, Alckmin ultrapassou Maluf em 2 pontos. A diferença subiu para 4 pontos em uma semana e chegou a 17 no fim da campanha. Em 1996, no Rio de Janeiro, a virada do candidato Luiz Paulo Conde (PFL) também coincidiu com a vigência do horário eleitoral gratuito. Conde, que em julho tinha 4 pontos porcentuais contra 26 de Sérgio Cabral (PSDB), ao fim de agosto (quarta semana de vigência do horário eleitoral) já havia saltado para um patamar de 38% das intenções de voto, enquanto o tucano continuava com os mesmos 26%. O governador está certo, portanto, ao dizer que diversas viradas eleitorais históricas se deram no momento em que as propostas dos candidatos foram divulgadas pela TV. Há um problema, no entanto: segundo especialistas, mudança brusca desse tipo só ocorreu até hoje nas eleições municipais e estaduais. Isso se dá, de acordo com o cientista político Antônio Lavareda, porque os focos de mudança acontecem apenas em algumas regiões durante a campanha. "E não se propagam, num país, com tanta rapidez como em uma cidade, por exemplo", explica.

Nos pleitos presidenciais tem sido diferente: ganha o candidato que já estava na frente nas pesquisas quando teve início a propaganda na TV. Foi assim com Fernando Collor, em 1989; com Fernando Henrique Cardoso, em 1998; e com Lula, em 2002. Desde o restabelecimento das eleições diretas no Brasil, houve apenas um único caso em que o candidato favorito acabou derrotado. Lula, em 1994, foi ultrapassado por Fernando Henrique Cardoso no fim de julho, mesmo tendo largado na frente. Ocorre que, segundo especialistas, essa virada se deu muito mais em razão do lançamento do Plano Real do que das estratégias de marketing eleitoral utilizadas pelo tucano na TV. Regra geral: quem sai na frente termina na frente. Alckmin, no entanto, tem um motivo poderoso para acreditar que pode ser a exceção a ela. Segundo pesquisa do Ibope realizada no mês passado, ele é desconhecido por 21% do eleitorado brasileiro. O levantamento mostrou que apenas 17% dos eleitores dizem conhecer bem o governador. Outros 30% afirmam conhecê-lo "um pouco" e 31% dizem ter "ouvido falar" em Alckmin. Isso significa que o governador tem, sim, um enorme potencial eleitoral e pode crescer imensamente a partir do momento em que se fizer nacionalmente conhecido. Entusiasmo para isso, como já se viu, não lhe falta.

 

O que pensa o tucano

De religião a política externa, algumas das opiniões do candidato Alckmin, conforme relatadas a VEJA

ESTILO
Eu tenho um estilo mais executivo. Não gosto muito de política, não gosto de política partidária. Gosto de trabalhar: mão na massa, periferia, fazer hospital, escola, ver resultado. Menos discurso, mais ação. Não me estimula muito, por exemplo, o Parlamento. Eu sou mais objetivo.  

PESQUISAS ELEITORAIS
Sem televisão, não acontece nada: as pesquisas não se mexem. Hoje, o eleitor não está nem aí com a eleição. Está preocupado com emprego, namorada, férias, CPI. Agora, na hora em que entra a televisão é a hora em que as intenções mudam. Veja a campanha do desarmamento. A opinião pública mudou em vinte dias.

PRÉVIAS PARA GOVERNADOR
Nunca existiu esse acordo (o de que se Serra perdesse a indicação para a candidatura à Presidência escolheria o nome para disputar a sucessão de Alckmin e, se o governador perdesse, faria a indicação). O governo do estado não foi conversado. O que se deve fazer é procurar o melhor candidato. Se houver um entendimento, melhor. Se não houver, o partido deve adotar um critério de escolha. Eu não pretendo impor um candidato e não acredito que o Serra queira. Terá de ser uma decisão coletiva.  

OPUS DEI
Se eu fosse da Opus Dei, eu diria. Meu pai foi seminarista, era franciscano. Um tio meu, que foi ministro do Supremo Tribunal Federal, era da Opus Dei. Eu respeito a religião, isso é questão de foro íntimo. Agora, o Estado é laico, não tem nada a ver com a religião das pessoas.  

ABORTO
O Brasil já tem uma legislação e eu estou plenamente de acordo com ela: estupro, risco de vida para a mãe. Agora, não vamos achar que vamos resolver o problema legalizando o aborto. O que é preciso: evitar a gravidez indesejada e precoce, por meio de métodos contraceptivos e educação sexual.  

SEGURANÇA PÚBLICA
Eu vejo que o governo federal pode ajudar muito nessa questão. Em primeiro lugar, por meio da legislação, que é toda federal. Em segundo lugar, com a polícia de fronteira. Nós pegamos uma arma a cada catorze minutos aqui em São Paulo. Por onde está entrando tudo isso? Contrabando. Polícia de fronteira neles. Terceiro: investimento. Você tem dois fundos constitucionais, o de segurança e o penitenciário. Não dá para fazer superávit em cima disso. Governar é escolher: fecha a torneira do desperdício e libera o dinheiro para aquilo que é prioritário. Quarto: investir na inteligência policial. Você tem de ter, na área federal, banco de dados, integração de sistemas, informatização. É isso que vai melhorar os resultados.  

TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
São Paulo tem um voto no Conselho de Recursos Hídricos e votou favoravelmente à idéia. Acho razoável, desde que você recupere a bacia. Só que o problema é que não se está investindo na recuperação do rio. E também é estranho que se dê tanta prioridade ao assunto quando se tem um mar de obras paralisadas por falta de investimento – obras de água, como adutoras e canais, inclusive.  

POLÍTICA EXTERNA
É fundamental o Brasil aumentar sua inserção internacional, via acordos bilaterais. Você tem de buscar mercado. O que está acontecendo hoje? Os Estados Unidos fazem acordo com a Colômbia, os Estados Unidos fazem acordo com o Chile... O Brasil vai ficar isolado, vai perder duplamente: vai perder o vizinho, para quem vai deixar de vender, já que quem vai vender são os Estados Unidos, e vai perder o mercado americano – uma vez que outro país vai ter preferência sobre nós. Eu sou favorável a pisar no acelerador.  

FAMA DE CONSERVADOR
Acho engraçado: o Lula é de esquerda, o Henrique Meirelles (presidente do Banco Central), com aquela taxa real de juros de 13%, é de esquerda. E eu, que faço a economia crescer 7,6%, sou conservador?

 

 

A chance da arrancada

O melhor termômetro da mudança do ambiente econômico do país está no fato de os indicadores econômicos terem resistido impávidos à crise política que teve início no ano passado. Conquista de toda a sociedade brasileira, essa estabilidade traz em si um outro significado importante: é a chance de encarar as questões nas quais reside o futuro do país. Na campanha presidencial, essas questões estarão enfeixadas sob uma palavra de ordem unânime: crescer. Resta saber como cada um dos candidatos entenderá o significado dessa palavra. A tentação de recorrer ao atalho mágico de reduzir os juros ou afrouxar a política fiscal estará presente todo o tempo. Mas os candidatos viáveis sabem que enveredar por esse caminho é inaceitável no atual estágio da civilização brasileira. Sabem que o país não tem outra saída a não ser encarar as questões estruturais que entravam o desenvolvimento do Brasil. Terminar a reforma tributária e a da Previdência e enfrentar a reforma trabalhista são medidas vitais para a retomada do crescimento e para equilibrar as contas do governo para estancar o assustador aumento de gastos públicos do país. De acordo com estudo feito pelo economista José Júlio Senna, da MCM Consultores, os gastos do governo federal cresceram em média 6% ao ano acima da inflação nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso. No governo Lula, a média foi de 9% ao ano.

 

Com reportagem de Giuliana Bergamo, Giuliano Guandalini,
Otávio Cabral e Renato Piccinini

 
 
 
 
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