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Diogo
Mainardi Atear fogo no PSDB?
"As
estripulias do PSDB ajudam a entender o que ocorreu no país
no último ano: por que a roubalheira não foi
investigada a fundo, por que a maioria dos mensaleiros ficou
impune, por que Lula ainda está no poder"
O PSDB tinha dois candidatos. Um deles, segundo a última pesquisa do Ibope,
estava empatado com Lula. O outro perdia no primeiro turno. O escolhido foi o
que perdia no primeiro turno. Para
quem está empenhado apenas em se livrar de Lula, como eu, e não
dá a mínima para a disputa interna dos tucanos, o resultado não
poderia ser pior. Pensei em atear fogo à sede do PSDB. Procurei seis ou
sete pessoas para perguntar onde ficava o partido e acabei encontrando, meio por
acaso, a caixa-preta do desastre peessedebista, que me permitiu reconstruir os
eventos dos últimos dias. Aécio
Neves deu um baile nos figurões do PSDB. Do Canadá, onde foi passar
férias, telefonava a José Serra para garantir-lhe seu apoio, ao
mesmo tempo em que telefonava a Geraldo Alckmin, aconselhando-o a exigir prévias
para a escolha do candidato. Em público, Aécio Neves assegurava
que nada estava decidido. Em particular, desde a quinta-feira da semana anterior,
ligava para seus amigos na imprensa e plantava a notícia de que Geraldo
Alckmin havia sido escolhido. Aécio Neves sabe exatamente o que quer: eleger-se
presidente em 2010, quando Furnas estará esquecida. O melhor caminho para
ele é a derrota de Geraldo Alckmin contra Lula.
Marconi Perillo e José Anibal atuaram juntos arregimentando governadores
e parlamentares do PSDB para a campanha de Geraldo Alckmin. O primeiro ganhou
a promessa de um ministério. O segundo, que conta com a simpatia das empreiteiras
responsáveis pelas obras do metrô paulistano, poderá concorrer
ao governo estadual. Um dos homens de José Anibal no Congresso Nacional
é o deputado Carlos Sampaio. Ele foi o autor do parecer que, nesta semana,
absolveu Pedro Henry, acusado de ser um dos maiores operadores do mensalão.
Tasso Jereissati, nos primeiros tempos,
sustentou a candidatura de Geraldo Alckmin. Quando percebeu que ele não
tinha muita possibilidade de ser eleito, debandou para o lado de José Serra.
Na última hora, voltou atrás novamente, liberando a tropa cearense
para apoiar Geraldo Alckmin. Fernando
Henrique Cardoso, algumas horas antes que o partido anunciasse sua escolha, telefonou
ao diretor do Ibope, Carlos Montenegro. Ele queria saber se, na pesquisa que seria
divulgada no dia seguinte, José Serra realmente apareceria empatado com
Lula. Carlos Montenegro negou. Enganado por seu informante, Fernando Henrique
recomendou a José Serra que desistisse da disputa. Foi o que aconteceu.
José Serra se acovardou. Fugiu da raia. Deu no pé.
Eu sei que não há nada mais inútil e aborrecido do que reportagens
bisbilhoteiras que contam os bastidores da política. O melhor é
ficar longe dos políticos. Quanto mais longe, melhor. Mas as estripulias
do PSDB ajudam a entender o que ocorreu no país no último ano: por
que a roubalheira não foi investigada a fundo, por que a maioria dos mensaleiros
ficou impune, por que Lula ainda está no poder.
Continuo pensando em atear fogo à sede do PSDB. |